Zuckerberg em conferência do Facebook: otimismo e nada de desculpas

ÀS SETE - Em discurso de abertura do F8, o fundador da companhia procurou tirar logo o elefante da sala sobre o escândalo da Cambridge Analytica

A F8, conferência anual do Facebook para seus desenvolvedores, entra no seu segundo e último dia depois de uma fala relativamente otimista do fundador da companhia, Mark Zuckerberg. Em seu discurso de abertura na terça-feira 1º, procurou tirar logo o elefante da sala.

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Zuckerberg falou sobre os problemas de privacidade dos usuários, disseminação de notícias falsas e influência em eleições – tudo que veio à tona com o escândalo da Cambridge Analytica, que teria obtido e usado indevidamente dados de 87 milhões de usuários do Facebook.

Depois de já ter dado explicações ao Congresso americano, Zuckerberg repetiu trechos de seu depoimento de dez horas aos congressistas ao dizer que o Facebook precisa construir ferramentas que mudem o mundo para melhor. “Nós tivemos que ter uma visão mais ampla da nossa responsabilidade”. Não houve pedido de desculpas.

Sites especializados noticiaram um clima de apreensão e rejeição entre os desenvolvedores. Zuckerberg falou sobre algumas novidades da rede, como uma plataforma para “construir relacionamentos longos e significativos”, na qual os usuários poderão criar perfis apenas com seu primeiro nome. 

A empresa a também nunciou uma iniciativa chamada “Clear History” (Limpar história), que permite aos usuários apagar seu histórico de buscas tanto dentro quanto fora do Facebook. 

A falta de menções ao feed de notícias também foi notada por analistas, como mais um sinal de que o Facebook quer se distanciar cada vez mais do nicho de negócios em que mais investiu nos últimos anos, e se voltar mais para publicações pessoais de seus usuários.

Nesta quarta, a conferência deve ter mais a cara do evento dos últimos anos, uma comemoração das atualizações tecnológicas da empresa, voltadas para animar os desenvolvedores. Executivos da empresa devem falar mais dos planos do hardware de realidade virtual para o Oculos Go e de uma divisão secreta, a Building 8, que estaria trabalhando em interfaces neurais para computadores. 

As novidades podem até empolgar, mas o futuro da companhia passa mesmo pelas respostas que dará à privacidade. O grande duelo do Facebook é de Zuckerberg com o cadeado, como mostra a foto acima.