Wikileaks mostra que empresas de monitoramento atuaram no BR

Vzamento inclui datas e horários de viagens de Gandini e de outros executivos, informações foram obtidas por meio de rastreamento de sinal de celular

São Paulo – Documentos vazados hoje pelo Wikileaks revelam que executivos da indústria de vigilância já passaram pelo Brasil, possivelmente divulgando produtos de monitoramento em massa. Não há indícios, entretanto, de que contratos tenham sido fechados.

Os dados fazem parte dos Spy Files #3, e foram obtidos pela recém-criada unidade de contra-inteligência da organização — ou seja, o Wikileaks agora também busca ativamente material para seus vazamentos. Entre as 92 companhias “espionadas” está a Gamma Group, da qual faz parte o executivo Carlos Gandini. Ele passou por Alemanha, México, Marrocos, Camarões, Guiné Equatorial (um dos países com pior índice de liberdade de imprensa) e Brasil.

O vazamento inclui datas e horários de viagens de Gandini e de outros executivos. As informações foram obtidas por meio de rastreamento de sinal de celular. Segundo Julian Assange, cofundador do Wikileaks, o objetivo é, de certa forma, espionar quem espiona.

Os motivos das visitas não ficam claros, mas os arquivos incluem apresentações de produtos de monitoramento e espionagem. Segundo o Wikileaks, esses slides são mostrados a governos interessados e agências de inteligência.

Uma curiosidade: muitos dos locais por onde passaram esses executivos são famosos por violações das leis de direitos humanos. Entre eles, Egito, Líbano, Azerbaijão e Bahrein. As informações revelam que o tráfego desses homens é mais frequente entre Europa e Oriente Médio.


O que fazem essas empresas de vigilância? – Companhias como a Gamma Group são pouco conhecidas, mas têm bastante história. A empresa europeia, por exemplo, é acusada por organizações não governamentais de ter ligação com governos ditatoriais – caso do Egito e do Turcomenistão, conhecidos por censurar o acesso à internet de seus cidadãos.

Um caso recente relacionava a Gamma ao ex-ditador egípcio Hosni Mubarak, deposto em 2011. Segundo documentos vazados por ativistas, o governo do país chegou a receber ofertas de soluções desenvolvidas pela empresa para espionar e rastrear atividades de grupos anti-regime na web.

Algumas das ferramentas criadas por essas empresas se comportam como malware, e infectam os computadores, sendo de difícil detecção e remoção. No caso da Gamma, um dos programas mais conhecidos é o FinSpy (veja o vídeo), que usa a webcam do PC para monitorar os usuários e dá aos invasores acesso total à máquina.

Os programas não servem apenas a governos ditatoriais. Eles são oferecidos como ferramentas de investigação policial – e realmente tem utilidade nesses casos. A empresa Cobham, por exemplo, forneceu o sistema de câmeras utilizado no Brasil para garantir a segurança na Copa das Confederações e na Copa do Mundo do ano que vem.