Western Digital lança HDs com hélio; entenda as vantagens

Discos têm o mesmo tamanho dos tradicionais e 6 TB de capacidade de armazenamento; consomem menos energia e prometem maior durabilidade

Os discos rígidos tradicionais (HDDs) têm perdido espaço aos poucos para os SSDs e para a nuvem. Mas a alta capacidade de armazenamento ainda é um trunfo nos hardwares do tipo – e novas tecnologias pretendem colaborar para aumentar essa capacidade ainda mais. É o caso da inovação usada pela Western Digital no novo HD UltraStar He6 de 6 TB: o interior do disco é preenchido com hélio.

O gás – utilizado também para encher balões e deixar a voz engraçada – não enche todo o dispositivo, claro. Ao adicioná-lo ao interior de um HDD, a ideia é diminuir o atrito da agulha com o disco prateado em si. Dessa forma, elimina-se a limitação de cinco “placas circulares” dentro de uma unidade de 3,5’’ – dentro do mesmo espaço, de uma polegada de altura, passa a ser possível “empilhar” até sete discos.

Mas e o que isso representa em termos de capacidade de armazenamento? Um aumento, claro – o HD da Western Digital, por exemplo, é capaz de guardar até 6 TB. Ainda é pouco se levarmos em conta diferentes tecnologias, mas ao limitarmos a uma única unidade, isso torna o disco o de maior capacidade no mercado – superando a antiga marca de 4 TB.

Uso prático – Além do aumento no total de terabytes suportados, o hélio ainda traz alguns outros benefícios. A diminuição no atrito interno entre agulha e disco provocada pelo gás – que tem menor densidade que o ar – colabora para aumentar a durabilidade do dispositivo e para um menor consumo de energia. Assim, ao menos no último quesito, o novo HD fica praticamente no mesmo patamar de um SSD, por exemplo.

Para empresas que dependem de servidores – dá para encaixar aqui as donas de serviços de armazenamento na nuvem –, isso significa um menor espaço ocupado pelos racks de HDs. Pelas contas do AllThingsD, 11 petabytes de capacidade de armazenamento usando as tecnologias atuais exigem 12 baias e 2.880 discos rígidos. Com o hardware que usa hélio, o número baixa para 8 baias e 1.920 HDs. O uso de energia também cai de 33 kW para 14 kW, o que, pensando a longo prazo, significa um gasto menor para a companhia.

No anúncio oficial feito pela WD, já foram citados alguns nomes de empresas e instituições que podem adotar os discos cheios de hélio em breve. A HP, a Huawei, o CERN e o Netflix estão entre elas, e cada uma já deve ter um uso planejado. O serviço de streaming, por exemplo, iniciou testes de streaming de filmes em 4K, enquanto o laboratório europeu – de onde saiu a “partícula de Deus” – depende de grandes capacidades de armazenamento em seus data centers.

Outra ideia é usar os HDs com hélio em servidores resfriados por imersão. Isso porque, ao contrário dos discos tradicionais, os novos da Western Digital são “hermeticamente lacrados”, como a empresa salientou no anúncio de lançamento. Assim, além de não deixarem o hélio vazar, eles também não permitem que nenhum líquido entre e destrua tudo que está armazenado – o que aumenta a segurança dos dados.

Disponibilidade – A WD não divulgou preços para os HDs cheios de hélio, mas lá fora, eles estão disponíveis desde a última segunda-feira. No entanto, não é de se esperar que eles cheguem muito baratos e nem tão cedo ao consumidor final, especialmente porque eles são mais voltados para uso em empresas que têm grandes data centers. Ainda assim, no longo prazo, dada a boa durabilidade prometida, eles podem se tornar uma solução de bom custo-benefício para servidores.