Vale do Silício está ganhando corrida para construir carros sem motorista

Supremacia em veículos autônomos está concentrada em alguns gigantes corporativos; resta saber quem dominará o novo mercado

Henry Ford não inventou o automóvel. No final do século XIX, centenas de empresas lutaram para inovar na promessa de um transporte mecânico rápido, eficiente e com preços razoáveis. A Ford veio depois para dominar a indústria graças ao desenvolvimento da linha de montagem móvel.

Hoje, o setor está pronto para outro avanço, com o advento dos carros auto-dirigíveis. Mas, ao contrário da onda original de inovação automotiva, a corrida pela supremacia em veículos autônomos está concentrada em alguns gigantes corporativos. Então, quem vai dominar dessa vez?

Analisei seis empresas que achamos que estão liderando a corrida para construir o primeiro carro verdadeiramente sem motoristas. Três delas – a General Motors, a Ford e a Volkswagen – vêm da indústria automobilística existente e precisam integrar a tecnologia autônoma à sua frota existente de veículos produzidos em massa. As outras três – Tesla, Uber e Waymo (pertencente à mesma empresa que o Google) – são recém-chegadas do mundo da tecnologia digital do Vale do Silício e precisam construir uma capacidade de fabricação em massa.

Embora seja impossível conhecer todos os desenvolvimentos do momento, rastreamos investimentos, parcerias estratégicas e press releases oficiais para saber mais sobre o que acontece nos bastidores. A indústria automobilística normalmente classifica a tecnologia de direção autônoma em uma escala do Nível 0 (sem automação) até o Nível 5 (automação total). Avaliamos onde cada empresa está agora e estimamos o quanto estão longe de alcançar o nível mais alto. Veja como achamos que cada um dos jogadores está se saindo.

Volkswagen

A Volkswagen investiu no aplicativo Gett e associou-se à fabricante de chips Nvidia para desenvolver um co-piloto de inteligência artificial para seus carros. Este ano, o Grupo VW lançou o Audi A8, o primeiro veículo de produção que atinge o nível 3 na escala, “automação de condução condicional”. Isso significa que o computador do carro lidará com todas as funções de direção, mas um humano precisa estar pronto para assumir o controle, se necessário.

Ford

A Ford já vende carros com um piloto automático de nível 2, “automação de condução parcial”. Isso significa que um ou mais aspectos da condução são controlados por um computador com base em informações sobre o ambiente, por exemplo, controle de cruzeiro combinado e centralização de faixa. Juntamente com outros investimentos, a empresa investiu US$ 1 bilhão na Argo AI, uma empresa de inteligência artificial para veículos autônomos. Após um teste de entrega de pizza usando veículos autônomos, a Ford agora está testando carros Nível 4 em vias públicas. Estes apresentam “alta automação”, onde o carro pode dirigir sozinho, mas não em certas condições, como quando a superfície da estrada é ruim ou o tempo está ruim.

General Motors

A GM também vende veículos com automação Nível 2 mas, depois de comprar a startup do Vale do Silício Cruise Automation em 2016, planeja lançar o primeiro veículo autônomo de nível 5 pronto para produção, que funcionará sozinho por volta de 2019. O Cruise AV não terá direção móvel ou pedais para permitir que um humano assuma e faça parte de uma grande frota de táxis sem motorista que a empresa planeja operar nas grandes cidades. Mas, de forma crucial, a empresa ainda não conseguiu permissão para testar o carro em vias públicas.

Waymo (Google)

Fundada como um projeto especial em 2009, a Waymo se separou do Google (embora ambos sejam de propriedade da mesma empresa matriz, Alphabet) em 2016. Embora nunca tenha fabricado, vendido ou operado um carro em uma base comercial, a Waymo criou veículos para testes que atingiram mais de 4 milhões de milhas sem motoristas humanos em novembro de 2017. A Waymo testou seu carro Nível 5, “Firefly”, entre 2015 e 2017, mas decidiu se concentrar em equipamentos que poderiam ser instalados em veículos de outros fabricantes, começando com o Chrysler Pacifica.

Uber

A Uber, aplicativo de transporte, vem testando carros autônomos nas ruas de Pittsburgh desde 2016, sempre com um funcionário ao volante pronto para assumir o controle em caso de mau funcionamento. Depois de comprar a empresa de caminhões autônomos Otto em 2016 por US$ 680 milhões, a Uber está agora expandindo suas capacidades de Inteligência Artificial e planeja testar os últimos chips da NVDIA nos veículos da Otto. Também fez parceria com a Volvo para criar uma frota de carros autônomos e com a Toyota para co-criar um veículo autônomo de compartilhamento de veículos.

Tesla

Primeira grande fabricante de automóveis a vir do Vale do Silício, a Tesla também foi a primeira a introduzir o piloto automático Nível 2 em 2015. No ano seguinte, anunciou que todos os novos Teslas teriam o hardware para total autonomia, ou seja, quando o software estiver concluído pode ser implantado em carros existentes com uma atualização instantânea. Alguns especialistas desafiaram essa abordagem, argumentando que a empresa apenas adicionou câmeras surround a seus carros que já estão em produção, e que não são tão capazes quanto os sistemas de sensores baseados em laser que a maioria das outras montadoras está usando. Mas a empresa coletou dados de centenas de milhares de carros, percorrendo milhões de quilômetros em todos os terrenos. Assim, não devemos deixar de ouvir o fundador da empresa, Elon Musk, quando ele afirma que um Tesla de nível 4 percorreria de Los Angeles a Nova York sem nenhuma interferência humana em 2018.

Vencedores

No momento, os disruptores como Tesla, Waymo e Uber parecem ter a vantagem. Enquanto as montadoras tradicionais estão focadas em levar a automação parcial de nível 3 e 4 para o mercado, as novas empresas as estão ultrapassando, movendo-se mais diretamente para a automação completa de Nível 5. A Waymo pode ter a menor experiência em lidar com os consumidores neste setor, mas já acumulou uma enorme quantidade de tempo testando algumas das tecnologias mais avançadas nas vias públicas.

As montadoras também estão focadas no difícil processo de integrar novas tecnologias e modelos de negócios em suas operações de manufatura existentes, comprando pequenas empresas. Os desafiantes, por outro lado, estão facilmente formando parcerias com outros grandes players, incluindo os fabricantes, para obter a escala e os conhecimentos de que precisam mais rapidamente.

A Tesla está construindo sua própria capacidade de fabricação, mas também coletando grandes quantidades de dados críticos que permitirão atualizar mais facilmente seus carros quando estiverem prontos para a automação total. Em particular, a experiência, a capacidade tecnológica e a capacidade da Waymo de garantir parcerias sólidas colocam-na na liderança do grupo.

 

Professor de Inovação e Estratégia Cisco Chair in Digital Business Transformation