Vacina anti-Aids tailandesa passará por ensaio de fase 2

Segundo o primeiro teste clínico de 2009, mais de 31% participantes que foram vacinados com este apresentaram um risco menor de ser infectados pelo HIV

Uma vacina experimental contra a Aids, produzida na Tailândia, passará por um teste de fase 2 em 2014, depois de ser a primeira a fornecer, em 2009, informações importantes sobre as respostas do sistema imunológico.

O novo teste será realizado no contexto de um programa de pesquisas realizado pelo Exército americano, em conjunto com o Ministério da Saúde da Tailândia.

“Depois de 30 anos desta epidemia, estamos mais perto do que nunca de chegarmos a uma vacina”, afirmou Mitchell Warren, da fundação americana AVAC Global pra a prevenção do HIV, durante um fórum em Bangcoc, dedicado aos avanços contra a doença.

O fracasso anunciado em abril do último teste clínico de outra vacina experimental desenvolvida nos Estados Unidos, a HVTN 505, foi considerado um retrocesso para a pesquisa, uma vez que ainda não existe qualquer vacina contra a infecção responsável por 28 milhões de mortes.

Segundo o primeiro teste clínico de 2009, mais de 31% participantes que foram vacinados na Tailândia com este produto denominado RV144 apresentaram um risco claramente menor de ser infectados pelo HIV do que o grupo tratado com um placebo.

Os cientistas examinaram amostras de sangue dos participantes vacinados com RV144 para analisar suas respostas imunológicas e descobriram que diferentes tipos de respostas de anticorpos estavam ligados ao nível de infecção pelo HIV.

Os resultados deste primeiro teste clínico da vacina, do qual participaram mais de 16.000 adultos na Tailândia, foram publicados em outubro de 2009 no periódico New England Journal of Medicine.

A principal descoberta consistiu no fato de que os anticorpos específicos de uma região particular do invólucro do vírus HIV, denominado V1V2, são ligados às taxas de infecção mais fracas entre os vacinados.

Os anticorpos são proteínas produzidas pelo organismo para se defender de agentes infecciosos, como vírus e bactérias. Segundo a hipótese destes virologistas, os anticorpos se ligam à zona V1V2 do invólucro do vírus que causam a infecção, bloqueando sua replicação.