Trump e o Vale: diálogo possível?

Nesta quarta-feira, no 26º andar da Trump Tower, em Nova York, um encontro envolto em tensão e constrangimento acontecerá entre o presidente-eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e os titãs da tecnologia do Vale do Silício. A lista incluiu nomes como Tim Cook e Satya Nadella, presidentes da Apple e da Microsoft, respectivamente; Elon Musk, da Tesla, Larry Page, do Google, e Jeff Bezos, da Amazon, também estarão por lá; pelo Facebook, estará presente a número 2 da empresa, Sheryl Sandberg; os CEOS da Cisco, IBM, Oracle e Intel também são esperados na reunião.

A pauta oficial do encontro, divulgada pela equipe do bilionário, é iniciar um diálogo sobre como o setor de tecnologia pode colaborar na criação de mais empregos nos Estados Unidos — só que para americanos. No entanto, os executivos deverão abordar a política de anti-migração do republicano.

Se dificultar a obtenção de vistos de trabalho, como prometeu em campanha, Trump acabará por penalizar a indústria da tecnologia da Califórnia, cuja expansão tem dependido da contratação de mão de obra estrangeira. Segundo o Instituto de Estudos do Vale do Silício, 67% dos profissionais de matemática e de ciência da computação na Califórnia são estrangeiros.

Para tentar acalmar os ânimos da indústria, Trump poderá propor uma redução de impostos, funcionando como uma janela para repatriação de lucros. Companhias como Google, Apple e Microsoft se utilizam de off-shores para evitar a tributação nos Estados Unidos. Levar o dinheiro de volta para o Vale do Silício poderá impulsionar o mercado de tecnologia. Só a Apple, por exemplo, possui 215 bilhões de dólares — 4,2 vezes o déficit do governo brasileiro — no exterior.

Claramente, chegar em um consenso não será fácil. Bezos, da Amazon, já disse que “Trump provoca uma erosão da democracia americana”. E Jack Dorsey, CEO do Twitter — rede em que Trump é ativo —, não participará da reunião. Mas, se algo ficar decidido, não há dúvida de que ficaremos sabendo por meio de um tuíte.