Toyota quer fazer carros “conversarem” por meio de chips

A Toyota apresentou os planos para iniciar a colocação de chips de comunicações de curto alcance nos veículos americanos nos próximos três anos

A Toyota Motor apresentou os planos para iniciar a colocação de chips de comunicações de curto alcance nos veículos americanos nos próximos três anos, marcando posição na batalha para tornar os carros mais seguros fazendo com que eles “conversem” uns com os outros.

Terceira em vendas nos EUA, a fabricante colocará chips nos modelos Toyota e Lexus no país a partir de 2021, disse Andrew Coetzee, vice-presidente de planejamento de produtos para a América do Norte. A tecnologia possibilitará que os carros enviem dados sobre sua localização e velocidade aos veículos do entorno e para a infraestrutura viária a fim de limitar acidentes.

Ao apresentar o plano publicamente, a Toyota está intensificando a campanha para estimular o restante da indústria automotiva — e os órgãos reguladores — a adotar essa tecnologia. A empresa também enfrentará uma batalha contra as empresas de telefonia, que prefeririam que as fabricantes de veículos adotassem redes de telefonia celular 5G para cumprir a tarefa, e contra gigantes da tecnologia e provedoras de cabo, que querem acesso às mesmas ondas aéreas.

Os sistemas de comunicação dedicados de curto alcance que a Toyota começará a usar, conhecidos como DSRC, enviam informações entre si várias vezes por segundo e podem alertar os motoristas sobre possíveis colisões antes que aconteçam. Em novembro, um amplo grupo de empresas automotivas, que inclui Toyota e General Motors, pediu que a secretária dos Transportes dos EUA, Elaine Chao, apoiasse a obrigatoriedade de “carros falantes” para todos os novos veículos de passageiros a partir de 2023.

“Estamos nos manifestando”

“Precisamos fazer uma escolha de tecnologia porque não há exigência regulatória em vigor”, disse John Kenney, diretor de pesquisa de redes do Toyota InfoTechnology Center, em Mountain View, Califórnia, por telefone. “Hoje estamos nos manifestando para dizer que implantaremos a tecnologia DSRC e queremos que outras fabricantes façam o mesmo.”

Quando o Departamento de Transportes divulgou uma proposta para a exigência, em dezembro de 2016, os órgãos reguladores do governo de Barack Obama estimaram que a tecnologia poderia evitar ou mitigar 80 por cento das colisões entre veículos não influenciadas por incapacidade do motorista.

Mas a pressão por uma norma de comunicação veículo a veículo, ou V2V, estagnou frente ao esforço de desregulação do atual presidente dos EUA, Donald Trump. O pedido enfrentou reações também do grupo de lobby que engloba empresas de tecnologia como Apple, Google, Facebook e Amazon, que prefere o compartilhamento de ondas aéreas.

O principal grupo do setor de cabo afirmou que a Administração Nacional de Segurança do Tráfego Rodoviário (NHTSA, na sigla em inglês) excedeu sua autoridade ao tentar influenciar indiretamente a política do espectro sem fio, supervisionada pela Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês).

Coetzee disse não estar convencido de que as fabricantes de veículos devam compartilhar o espectro com as empresas de cabo ou de tecnologia.

“Precisamos ter certeza de que temos velocidades de transmissão extremamente confiáveis e muito rápidas”, disse Coetzee. “Mais testes serão necessários para mostrar que podemos fazer isso” compartilhando ondas aéreas.