TI verde: nuvem privada reduz consumo de luz

Os avanços oferecidos pela computação em nuvem impactaram tantas áreas da economia que, nas empresas, há muito deixaram ser apenas um assunto da TI.

São Paulo – Os avanços oferecidos pela computação em nuvem impactaram tantas áreas da economia que, nas empresas, há muito deixaram ser apenas um assunto da TI. Executivos de negócios, por exemplo, estão diretamente envolvidos em decisões sobre o uso da nuvem, ansiosos por informações que ajudem a melhorar a eficiência das transações comerciais ou simplesmente reduzir custos.

Uma nova modalidade de nuvem, chamada de privada, atrai agora especialistas em sustentabilidade e meio ambiente, interessados nas possibilidades de economia de energia e na ampliação do ciclo de vida dos terminais desktops que ela pode propiciar.

Pública, privada e híbrida – De acordo com o pesquisador Anderson Rocha, do instituto de computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a primeira onda de inovação em nuvem foi o surgimento de nuvens públicas, ou seja, grandes data centers que podem ter parte de sua capacidade alugada por terceiros. “A principal vantagem da nuvem pública é sua escalabilidade, uma vez que você contrata apenas o que precisa usar e diminui ou aumenta sua infraestrutura conforme a necessidade. Outro ponto positivo é que não há necessidade de o cliente investir em hardware. Ele simplesmente aluga quantos servidores precisar”, afirma Rocha.

Nos últimos anos, com o nascimento de novos servidores compactos e de alta capacidade de processamento e baixo custo, começaram a surgir usos pontuais de nuvem privada. Uma infraestrutura desse tipo consiste em um ou mais servidores localizados dentro da empresa e conectados à rede interna e à internet. Na prática, essa tecnologia permite às empresas instalar suas aplicações e dados numa máquina própria, gerenciada por sua TI.

O uso da nuvem privada exigirá um investimento inicial em ao menos um servidor. No entanto, essa máquina poderá ser usada por toda a empresa e rodar aplicações de várias plataformas com o uso de tecnologias de virtualização, que criam máquinas virtuais para simular diferentes sistemas operacionais, como Linux ou Windows Server.

Do ponto de vista da sustentabilidade, a nuvem privada permite criar um servidor com taxa de ocupação muito mais elevada que servidores contratados em data centers. Assim, uma empresa que alugava quatro servidores num data center poderá viver bem com um único servidor de alta performance privado. Essa mudança gera forte economia de energia, como menos eletricidade usada pelas máquinas e também menor necessidade de refrigeração de equipamentos.

Segundo Rocha, outro ganho da nuvem privada é que ela pode hospedar aplicativos da rede interna para serem acessados dentro do escritório. Isso permite que PCs com menos capacidade de processamento usem o poder do servidor para rodar as aplicações de que necessitam, o que aumenta o ciclo de vida do parque de desktops e beneficia diretamente o meio ambiente, ao dispensar a necessidade de trocas frequentes de terminais.

Ao consumir menos energia e exigir menos troca de desktops, a nuvem privada tornou-se foco também dos gestores de sustentabilidade e mais uma inovação na cartela de soluções de TI verde.