Startups criam ferramentas para denúncia de escravidão

As empresas estão sob crescente pressão de governos e consumidores para garantir que suas operações não sejam contaminados pelo trabalho forçado

Londres – Dar aos funcionários ferramentas para denunciar abusos no local de trabalho, incluindo trabalho forçado, deve melhorar as estatísticas das marcas que se esforçam em garantir que seus produtos sejam livres de escravidão, disse uma startup de tecnologia.

A tecnologia pode incentivar os trabalhadores a compartilhar problemas anonimamente por meio de mensagens de texto, ligações, aplicativos de mensagens e mídias sociais.

Isso proporcionará às empresas uma melhor compreensão do risco do trabalho escravo em suas cadeias de fornecimento globais, disse Antoine Heuty, presidente-executivo da Ulula, plataforma de software e de análise.

“Nossa plataforma pode ajudar a criar confiança e permitir que os trabalhadores se conectem com as empresas em tempo real, em qualquer lugar, a qualquer momento e em qualquer idioma”, disse Heuty à Thomson Reuters Foundation, braço filantrópico da Thomson Reuters.

Com a escravidão moderna cada vez mais ganhando destaque global, as empresas estão sob crescente pressão de governos e consumidores para divulgar quais ações estão tomando para garantir que suas operações e produtos não sejam contaminados pelo trabalho forçado.

“Ao combinar as respostas dos trabalhadores com outros dados, podemos ajudar as empresas na luta contra a escravidão, através da compreensão de seus funcionários”, disse Heuty, cujo empreendimento social é um em um número crescente empresas busca enfrentar os problemas sociais.

Enquanto as principais empresas desde a gigante esportiva Adidas até a cadeia de moda popular Primark criaram canais de denúncia para trabalhadores nos últimos anos, a Ulula pretende ir mais longe, disse Heuty.

A plataforma combinará o feedback de trabalhadores com outros dados, como imagens de satélite de plantações de óleo depalma e regulamentação de construção para fábricas de vestuário, para dar às empresas informações em tempo real sobre os riscos em suas cadeias de suprimentos, disse ele.

A Ulula também espera que seu software possa ser utilizado no futuro para criar referências da indústria, permitindo que empresas e fornecedores comparem condições de trabalho e regulamentações com seus pares.

Embora a tecnologia possa desempenhar um papel importante na proteção de trabalhadores vulneráveis ​​e na prevenção de abusos, não deve ser vista como uma “solução milagrosa”, disse a Iniciativa de Comércio Ético (ETI, na sigla em inglês), grupo de sindicatos, empresas e instituições de caridade que promovem os direitos dos trabalhadores.

“Algumas plataformas de software podem melhorar o rastreamento e a transparência e ser um mecanismo útil para identificar o risco”, disse Cindy Berman, chefe de estratégia da escravidão moderna da ETI. “Mas a resolução de queixas no local de trabalho ou violações de direitos humanos não pode depender da tecnologia”.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o grupo de direitos Walk Free Foundation estimam que cerca 25 milhões de pessoas em todo o mundo estavam presas em trabalhos forçados em 2016.

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