Sony MDR-1A

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O MDR-1A é um par de fones de ouvido over ear da japonesa Sony que aparece em uma faixa de preço alta e não traz nenhum tipo de função especial. Isso seria um apelo ao purismo ou um produto com falta de funções? A marca tem tradição no segmento de áudio, mas esse produto é diferente dos demais que já passaram pelo INFOlab. Entenda os motivos disso a seguir.

Design

Chamar a atenção certamente não é uma das prioridades quando se trata do 1A, que é inteiramente preto, exceto por um detalhe vermelho relativamente escondido atrás da haste metálica que segura um dos eixos da concha.

Quanto aos materiais, plástico está apenas onde não possui função estrutural; tudo o que prende, gira, entorta ou segura é feito de metal. A concha possui uma pintura fosca que cria uma textura muito leve e irregular, similar à de um utensílio de ferro, mas muito mais sutil. Tanto a parte interna das conchas como o apoio da cabeça são envolvidos em couro sintético, o que dá um toque bastante macio a todas as partes que tocam o corpo do usuário.

O ajuste de tamanho é bem preso e faz cliques sólidos com a mudança de cada posição, o que impede que as conchas desçam não-intencionalmente.

A movimentação das conchas também contribui para o bom posicionamento do MDR-1A nas orelhas. Elas podem girar apenas alguns graus na vertical, mas possuem uma amplitude de quase 120° na horizontal. Dessa forma, pode ser guardado sem forçar os eixos; ao ser colocado no pescoço, a parte da espuma fica apoiada nas clavículas, permitindo que seja mantido nessa posição sem incomodar. O MDR-1A, na verdade, é o mais confortável entre todos os fones de ouvido que já testamos no INFOlab. Isso acontece tanto pelo peso de apenas 223 g, como pela excelente espuma protetora, amplo espaço para as orelhas e mobilidade das conchas.

Conexões

O 1A não possui Bluetooth, isolamento de ruído, nem qualquer tipo de conexão especial. É um fone com um cabo removível P2 e nada mais.

Foto por: Luccas Franklin

Acompanham o fone um cabo P2 de 1,2 m de comprimento e um outro do mesmo tamanho, com um microfone em linha, para ser utilizado no celular. Foi uma oportunidade perdida por parte da Sony de incluir fones de diferentes comprimentos. Manter o fone de 1,2 m com microfone embutido e trocar o outro cabo por um de 3 m, por exemplo, seria uma escolha melhor, mas este é um detalhe que não incomoda tanto.

Áudio

Vamos então, ao carro-chefe do MDR-1A: o áudio.

Para começar, este não é um fone totalmente flat, nem é o intuito da Sony. A marca possui outros produtos que cuidam dessa “obrigação”. O MDR-1A é dedicado ao audiófilo que quer ouvir música com emoção sem perder precisão e isso ele faz bem.

Os graves são bastante fortes mas muito limpos. É impressionante a clareza e a separação entre bumbos, tambores, surdos e os tons mais graves de baixos acústicos, por exemplo. Em momento algum tivemos nenhum sinal de distorção a menos que chegássemos a volumes quase ensurdecedores – que, aliás, machucam os ouvidos. É mais um ponto a favor do 1A.

O que incomoda um pouco é que os graves se sobrepõem levemente à parte inferior dos médios. Notas mais baixas de violões, por exemplo, tendem a ser um pouco engolidas por baterias, mas o efeito não é muito pronunciado. É notável apenas se você realmente prestar atenção.

Vozes são bem definidas, mas como os médios ficam ligeiramente atrás dos graves, vocais femininos são executados com um pouco mais de brilho do que os masculinos, ainda que a diferença seja bem pequena. Ouvir Mumford And Sons, com os graves vocais e coros da banda não deixa de ser excelente, por mais que os baixos apareçam mais pronunciados do que ocorreria em outros fones.

O palco sonoro merece destaque por ser um fone de traseira fechada; não é o maior que já ouvimos, mas o maior que encontramos em um fone fechado, sem dúvida. É possível ouvir chiados em gravações que eu até havia esquecido que estavam lá (por ter usado menos meus Sennheiser HD438, em prol da portabilidade de fones intra-auriculares). Particularmente nos graves de pianos e baixos, o fone reproduz um eco sutil que dá uma sensação de estar no mesmo ambiente dos instrumentos.

Os agudos são, também, bastante separados do resto, o que resulta em um som extremamente claro, que não chega a ser “ardido”, mesmo que esteja em evidência. É possível ouvir muitas músicas com violinos ou guitarras sem que o som se torne cansativo, nem iritante. O fone tem uma resposta de frequência que vai de 3 Hz a 100 KHz, bem abaixo e acima dos limites da audição humana, respectivamente.

As músicas utilizadas (em formato FLAC) para o review foram:
Yoko Kanno and the Seatbelts – Tank!

Dream Theater – Finally Free

Art Blakey and the Jazz Messengers – Moanin’

Adele – Don’t you Remember

 

Vale a pena?

É difícil falar sobre um acessório de 1 500 reais, em termos de custo-benefício. Os fones minúsculos que acompanham seu smartphone também permitem que você ouça música normalmente e ocupam menos espaço na mochila ou na bolsa. Existe justificativa para gastar tanto dinheiro em um par de fones de ouvido? Só você pode dizer. Da nossa parte, fica apenas o review de sua qualidade sonora: o MDR1-A é espetacular. Talvez se você for apaixonado pelo som super flat dos Sennheiser ou precise de algo com um visual mais chamativo, existam opções melhores que o 1A. Ainda assim, nós o julgamos bonito, confortável e com uma qualidade sonora invejável.

Ficha técnica

Tamanho dos Drivers 40mm
Frequência de resposta 3 – 100 000 Hz
Impedância 24 Ohms
Sensibilidade 115 dB/mW

Avaliação técnica

Prós Som primoroso, construção muito sólida, excepcionalmente confortável
Contras Preço alto, um dos cabos poderia ser maior
Conclusão Recomendação imediata pela qualidade de som, mas pouco portátil e com alto preço
ÁUDIO 9,2
ISOLAMENTO 8,0
DESIGN 9,0
Média 9.0
Preço 1500