Snapchat ainda tem uma vantagem sobre o Instagram

Modelo de vídeos que somem foi copiado pelo concorrente, mas Snap ainda tem algo que Facebook e companhia não fazem muito bem

São Paulo – O modelo de fotos e vídeos que desaparecem popularizado pelo Snapchat já foi replicado pelo Facebook no Instagram Stories e o no WhatsApp Status. No entanto, os efeitos animados, chamados Snapchat Lenses, ainda continuam como uma exclusividade divertida do app.

O Snap, detentor do Snapchat, fez sua oferta pública de ações nesta semana e obteve um sucesso inicial interessante, ainda que o Facebook tenha conseguido valorização maior quando entrou na bolsa de valores. O Snapchat tinha ações vendidas a 14 ou 16 dólares, enquanto o Facebook tinha ações negociadas a 42 dólares em 2012, quando fez seu IPO.

A principal fonte de receita do Snap hoje é na publicidade em vídeo, algo que o Instagram Stories também oferece. Segundo a consultoria eMarketer, 43% da receita do Snap vem do canal Discover, onde marcas podem publicar na linha do tempo do app. Os usuários dos dois aplicativos podem ser direcionados aos sites das empresas que pagam pela exposição, seja para a venda de produtos, para branding ou para a venda de produtos e serviços.

Na visão de analistas de mercado, o desafio do Snap agora é manter seu apelo diferenciado – que também abrange os efeitos nas selfies. Ao mesmo tempo, a companhia precisa continuar a refinar suas formas de monetização para se manter lucrativa e relevante para o público. A maior parte dos usuários do Snapchat hoje tem idades entre 18 e 34 anos. Esse público é almejado por agências de publicidade e propaganda, especialmente por estarem fora do Facebook. O tempo médio de navegação da plataforma é de 30 minutos por dia, em parte, por conta das máscaras virtuais que estimulam o uso do app.

O Snap, em si, se define como uma empresa que reinventou a câmera do smartphone e, por isso, ela diz representar “a maior oportunidade de melhorar as vidas das pessoas e a comunicação”. Melhorar as vidas das pessoas com um app é algo que poucos conseguiram, mas, ao menos, as Lenses garantem ao menos momentos de diversão e os vídeos e fotos e vídeos feitos para tempo real permitem que falemos com – relativo – sigilo com nossos amigos. 

Os filtros virtuais animados são uma maneira interessante de atrair esse público jovem, que costuma compartilhar as imagens até mesmo no concorrente Instagram. Mas os anunciantes ainda preferem o Discover, que deve ter sua receita dobrada em 2017, indo de 348 milhões para 804 milhões de dólares em 2017. Essa seção oferece conteúdos patrocinados para os usuários do aplicativo. 

Em uma tentativa de rebater essa iniciativa bem-sucedida de feitos visuais do Snapchat, o Facebook comprou o MSQRD, que faz basicamente o mesmo que o concorrente, em termos de filtros criativos, e tem integração com o Instagram – e, claro, com o Facebook. Nenhuma das empresas compartilha dados específicos sobre uso dos filtros de imagens. A rede social de Mark Zuckerberg e seus investidores (ainda) não incorporou os recursos do MSQRD nos seus apps e o que ela tem atualmente é efetivamente pior do que o que oferece o Snapchat.

O próprio Messenger, o app de mensagens do Facebook, tem recursos à la Snapchat, como a inserção de adesivos digitais e textos. Entretanto, a linha do tempo não é dedicada e, sim, integrada com a do Facebook.

O problema com esses adesivos é que eles precisam ser ajustados manualmente e nem sempre os resultados são interessantes. No Snapchat, tudo é automático e funciona bem, na maioria das vezes.

Mas manter-se relevante frente às iniciativas da maior rede social do mundo mostrou-se algo desafiador para o Snapchat.

Desde que o Facebook colocou no Instagram o Stories, a seção de imagens e vídeos efêmeros, o Snapchat teve uma redução de crescimento. O Snapchat tem hoje 158 milhões de usuários ativos diariamente. Segundo dados divulgados em janeiro deste ano, o Instagram Stories tem 150 milhões de usuários ativos. Vale notar, porém, que o Stories tem menos de um ano de existência, enquanto o Snap, criador do modelo de vídeos que somem, tem quase quatro anos. No total, o Instagram, criado em 2010, tem 600 milhões de usuários em todo o mundo, incluindo os que usam o Stories e os que postam fotos na antiga e tradicional linha do tempo.

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“O Snapchat ainda está muito cedo na geração de receita, então os investidores terão que apostar com base na fé para realmente acreditarem nele”, afirmou Rohit Kulkani, chefe de pesquisa no SharesPost Reasearch, em um relatório do IPO do Snap.

Hoje, vemos uma verdadeira disputa do Facebook com o Snap – e também do Medium? – pela conquista do modelo dos vídeos que desaparecem.

“Existe uma guerra no segmento de vídeos efêmeros”, resume o analista da consultoria Nielsen, José Calazans, em entrevista ao jornal o Estado de S. Paulo. “O Facebook percebeu as possibilidades neste mercado e tenta desestabilizar o Snapchat, para ganhar os seus usuários, já que ele não conseguiu comprar a empresa há alguns anos.” O Facebook tentou comprar o Snap por 3 bilhões de dólares, mas teve sua oferta rejeitada. Agora, ele aposta no Instagram, que comprou em 2012 ao custo de 1 bilhão de dólares, para combater o oponente. Ao mesmo tempo, o modelo, que é visto como algo que será replicado por todos pelo Instagram, também apareceu no WhatsApp Status nas últimas semanas.

Hardware seria o diferencial do Snapchat, com os peculiares óculos Spectacles, os mirabolantes óculos que gravam vídeos de 10 segundos? Bem, como indica a New York Magazine, Uber, Google e Facebook são empresas recentes que fizeram seus nomes e receitas com software. Logo, o aplicativo em si é o que tem mais chances de se provar lucrativo no longo prazo. E a fidelidade dos usuários, como em qualquer outro app, será crucial para isso. Serão os efeitos visuais o suficiente para mantê-los engajados? Ainda é muito cedo para afirmar isso. Nos resta observar e continuar a usar os filtros e postá-los no Snapchat – e também no Instagram.