Site do Obamacare falha vergonhosamente e irrita americanos

O site Healthcare.gov, portal do novo sistema de saúde de Obama, vem falhando desde que estreou, em 1º de outubro

São Paulo — Desenvolvido ao longo de três anos a um custo estimado em 634 milhões de dólares, o site Healthcare.gov, portal do novo sistema de saúde americano apelidado Obamacare, entrou em operação no dia 1º deste mês. Mas as falhas têm sido tantas que o site até teve de zerar as senhas dos usuários.

O Healthcare.gov marca o início da operação plena do novo sistema de saúde que é uma das marcas da administração Obama. Ele oferece planos subsidiados com base no chamado Patient Protection and Affordable Care Act, a lei da proteção ao paciente e assistência média acessível.

Essa lei foi aprovada em 2010 em meio a intenso debate político. Para Obama e seus partidários, o Healthcare.gov é importante demais para falhar. Mas falhou em grande estilo, naquele tipo de situação que os americanos chamam de “epic fail“.

O sistema foi desenvolvido por três empresas contratadas pelo governo americano. No dia 8, Sean Gallagher, do site Ars Technica, fez um teste e verificou que só para entrar na tela de login demorava-se até quatro minutos. Muitos usuários reclamavam que não conseguiam entrar no site após  registrarem-se.

Gallagher afirma que o Healthcare.gov nunca foi testado com a carga de usuários que teria de suportar. Além disso, ele parece não ter sido projetado para suportar tráfego tão intenso.

Ele examinou a página inicial do Healthcare.gov e verificou que ela inclui 2.099 linhas de código HTML e ainda chama 56 arquivos com código em JavaScript e 11 folhas de estilo em CSS. É uma página pesada demais para um site de alto tráfego.

John Casaretto, do blog Silicon Angle, diz que a possibilidade de um ataque cibernético ter prejudicado o site foi investigada e afastada. Se não houve ataque, conclui ele, só se pode concluir que o sistema foi subdimensionado. 

Casaretto cita outro especialista, Matthew Hancock. Como Galagher, Hancock  analisou as páginas do Healthcare.org e verificou que elas são terrivelmente pesadas. Quando alguém clica em Registrar-se, há uma torrente de dados trocados entre o servidor e o computador do usuário.

Hancock rastreou os arquivos requisitados pela página. São 92, sendo que 56 deles contêm código em JavaScript. Sua conclusão é que o site gera tanto tráfego para si mesmo que é quase como se ele se auto-atacasse. O efeito é similar ao de um ataque de negação de serviços realizado por hackers.