Segurança alimentar está ameaçada pelo aquecimento global

Paris - A disseminação crescente de pragas (insetos, fungos, bactérias, vírus, etc), provocada principalmente pelo transporte de mercadorias, combinada à alta das...

Paris – A disseminação crescente de pragas (insetos, fungos, bactérias, vírus, etc), provocada principalmente pelo transporte de mercadorias, combinada à alta das temperaturas que favorecem sua aclimatação em novas latitudes, ameaça a segurança alimentar mundial, alerta um estudo, publicado este domingo na revista Nature Climate Change.

Os trabalhos, realizados por cientistas de Exeter, no Reino Unido, mostram que pragas de todo tipo avançam cerca de 3 km ao ano em direção aos polos norte e sul e afetam inclusive o Brasil, um dos maiores exportadores agrícolas do mundo.

A pesquisa também demonstrou a existência de um forte vínculo entre a elevação global das temperaturas ao longo dos últimos 50 anos e a implantação crescente das pragas.

Sabendo que entre 10% e 16% das culturas mundiais já estão perdidas por causa da ação de parasitas, os autores calculam que a segurança alimentar mundial poderia, enfim, ser ameaçada por uma disseminação ainda mais importante das pragas.

Segundo Dan Bebber, da Universidade de Exeter, “se as pragas continuarem a se desenvolver em direção aos polos à medida que a Terra esquenta, os efeitos combinados de uma população mundial crescente e das perdas de culturas cada vez mais importante ameaçarão seriamente a segurança alimentar mundial”.

Para sua colega, Sarah Gurr, também da Universidade de Exeter, “são necessários grandes esforços para fiscalizar a disseminação das pragas e controlar sua migração de uma região para outra se quisermos deter a destruição contínua de culturas em um contexto de mudanças climáticas”.

Para este estudo, os cientistas estudaram a progressão de 612 pragas no curso de 50 anos. Eles concluíram que os movimentos das pragas na direção dos polos norte e sul, regiões que antes eram poupadas, ocorre em paralelo à elevação das temperaturas, o que favorece sua instalação em uma nova latitude.

Na América do Norte, por exemplo, o besouro do pinho (‘Dendroctonus ponderosae’) se desenvolveu fortemente em latitudes mais elevadas, destruindo trechos importantes da floresta americana, sobretudo porque invernos menos rigorosos permitiram-lhe sobreviver na região.

Outro exemplo é o da piriculariose do arroz. O fungo, atualmente presente em mais de 80 países trazendo consequências dramáticas para a agricultura e os ecossistemas, agora contaminou o trigo.

No Brasil, as colheitas de trigo são fortemente afetadas por este novo parasita.