Robô jornalista foi o 1º a noticiar terremoto em Los Angeles

Jornalista e programador do "Los Angeles Times" criou um algoritmo que gera um artigo curto quando acontece um tremor

Washington – O jornal americano “Los Angeles Times” foi o primeiro a dar a notícia do terremoto de 4,4 graus na escala Richter que fez tremer a cidade na segunda-feira, e tudo graças à ajuda de um “robô jornalista”.

Ken Schwencke, jornalista e programador do “Los Angeles Times”, criou um algoritmo que gera um artigo curto quando acontece um tremor e, na segunda-feira, quando correu para seu computador depois que o terremoto o tirou da cama às 6h25 da manhã viu que a notícia já estava escrita e esperando no sistema.

Schwencke leu rapidamente o texto e apertou o botão de “publicar” e foi assim que o jornal californiano se tornou o primeiro a informar sobre o tremor matutino.

“Acho que a publicamos na internet em três minutos”, afirmou Schwencke em entrevista à revista digital “Slate”.

A notícia apareceu com a assinatura do programador, mas o verdadeiro autor é um algoritmo chamado Quakebot, que está programado para extrair informação do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e inclui-la em um formato desenvolvido previamente.

A nota ingressa em seguida no sistema de gestão de conteúdo do jornal, onde espera para ser revisada por um editor.

E isto foi o que “escreveu” o Quakebot na manhã de segunda-feira: “Segundo o Serviço Geológico dos EUA, um tremor de pouca magnitude de 4,4 graus aconteceu na segunda-feira de manhã a oito quilômetros de Westwood, Califórnia. O tremor aconteceu às 6h25 da manhã, hora do Pacífico, a uma profundidade de oito quilômetros”.

Os outros dois parágrafos escritos pelo “robô jornalista” incluem informação sobre o epicentro do tremor e a fonte da informação.


O algoritmo também gera histórias sobre homicídios na cidade de Los Angeles e é tarefa dos editores decidir quais são mais importantes.

Schwencke diz não acreditar que algoritmos como o que ele criou representem uma ameaça para os jornalistas.

“É complementar”, disse à “Slate” o programador, que acrescentou que ajuda a economizar tempo e em algumas histórias, como as de terremotos, produz informação tão correta como qualquer humano.

“Não elimina o trabalho de ninguém, mas torna seus trabalhos mais interessantes”, opinou Schwencke.

Desde o último dia 1 de maio, o USGS registrou na Califórnia mais de dois mil sismos, 99,5% dos quais foram de menos de 4 graus na escala Richter.

Os sismólogos consideram que há uma probabilidade de 98% que o “Big One”, um terremoto de magnitude 7,8 ou superior com origem na falha de San Andrés, afete o sul da Califórnia nos próximos 30 anos.

As estimativas oficiais indicam que esse tremor causaria de forma direta duas mil mortes e 53 mil feridos, assim como o colapso de 1.500 edifícios, entre eles arranha-céus, e danos de consideração em 300 mil imóveis.

Esses números poderiam duplicar-se nos dias posteriores ao sismo por culpa da insegurança, os previsíveis problemas de provisão de energia, de água e de alimentos mas, principalmente, dos incêndios.