Review: TV 4K LG 55UF9500

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O segmento em que a LG 55UF9500 se encontra é bastante complexo pela necessidade de se mostrar um produto premium em uma faixa de preço em que o orçamento do comprador é, ainda que bem alto, limitado. Isso torna a competição acirrada e costuma resultar em uma competição agressiva entre as empresas.

Design

A LG 55UF9500 chegou ao INFOlab cativando a todos pelo design, mas causando problemas na montagem desde o primeiro momento. A base da TV, ainda que extremamente sólida e bonita, é bastante complicada de ser colocada e um dos suportes de alumínio maciço não encaixava direito quando tentamos colocá-lo. Depois de algumas tentativas, a base foi colocada com sucesso e o resultado é realmente muito bonito.

A TV tem uma borda incrivelmente fina, que acentua sua vocação para ser montada em paredes. Sua espessura, no entanto, varia bastante entre o topo e a base, causando certo estranhamento quando olhada de lado. Ainda assim, em algum lugar os componentes internos têm que ficar e é na parte de baixo que a LG decidiu deixar.

Imagem

A imagem tem pontos altíssimos e alguns já nem tanto. Por um lado, tanto os vídeos como o sistema operacional podem ser renderizados em 4K (diferentemente do que ocorreu com a Sony Bravia XBR-55X855C, que rodava o SO Android a 1 080p, mesmo em um painel 4K). Isso torna o colorido Web OS 2.0 ainda mais bonito. As cores conseguem se mostrar vibrantes e saturadas, o que é particularmente notável na interface do sistema que abusa de rosa, vermelho e laranja para suas setas e botões. Cenas com florestas ou praias, por exemplo, foram exibidas de forma excepcional.

Foto por: Divulgação/LG

Por outro lado, o contraste em cenas mais escuras deixa um tanto a desejar. A TV possui iluminação de LED “edge lit”, ou seja: a tela é iluminada a partir das bordas, o que torna difícil controlar os níveis de luz em cenas que misturam partes claras e escuras. Isso não chega a deixar uma cena noturna com aquele aspecto “cinza” de LCDs CCFL de outras épocas, mas mesmo com o modo de “apagamento local” ligado, o contraste em salas escuras deixará bastante a desejar.

Foto por: Luccas Franklin

A TV funciona a 120 Hz e possui um modo que tenta “transformar” um vídeo com sinal de 24 ou 30 fps em um sinal de 60 fps. Isso tem resultados bastante inconstantes, já que funciona melhor em algumas cenas do que em outras e faz o movimento de muitos personagens parecer antinatural.

Foto por: Luccas Franklin

O tempo de resposta, quando jogando videogame é bom o suficiente para que não atrapalhasse em nada o jogo. Algumas TVs processam excessivamente o sinal, o que insere um lag enorme entre o comando e a exibição da imagem, a menos que se desligue todo esse processamento ou se use um “modo gaming”. Em nossos testes, rodamos jogos em 224p, 720p e 1080p, sem nenhum problema desse tipo. Horas e horas de Street Fighter IV se passaram sem um engasgo por culpa da TV.

Foto por: Luccas Franklin

As conexões são já o padrão para uma TV dessa categoria: 4 HDMI, sendo uma delas compatível com ARC (que passa o sinal de vídeo para a TV enquanto envia de volta um sinal de áudio para uma caixa externa), e a outra compatível com MHL, para conexão com smartphones. Mais 3 entradas USB (uma 3.0 e duas 2.0) cuidam da conexão de hdds e pendrives, enquanto em uma parte inferior ficam as entradas para antena, ethernet e saída de áudio óptica. Sinais analógicos só podem ser enviados a essa TV por meio de um adaptador que une os sinais dos conectores RCA em um conector P2, portanto a sua compatibilidade com sistemas antigos, como o Nintendo Wii depende de mais acessórios.

 

Sistema

A primeira coisa que qualquer pessoa pode notar sobre o Web OS 2.0 é que ele é absolutamente lindo.

Ao ligar a TV pela primeira vez, o usuário dá de cara com um pequeno pinguim, símbolo do Web OS, que ensina a utilizar as funções básicas da TV. A adição do pequeno mascote é uma grande sacada da LG por incentivar mesmo os usuários mais medrosos a configurar a TV sem a ajuda de uma irmã ou primo que seja “bom com eletrônicos”, como ocorre com toda família.

Mesmo que o texto seja o mesmo de uma TV rodando Tizen ou Android, a existência do pinguinzinho tira o medo de pessoas menos experientes e deixa claro o andamento das coisas. Uma configuração correta mostra o pinguim relaxando na praia e, quando terminadas todas as configurações, ele simplesmente convida o usuário a comer uma pipoca e aproveitar um filme.

Quando decidi pular a instalação da antena, os pinguins, temendo ficar sem acesso à TV, fizeram até um protesto para que eu resolvesse a situação. Como o Google não pensou em fazer algo parecido com o mascote do sistema, eu não tenho ideia.

Como já mencionado, todos os ícones são coloridos e facilmente visíveis, apesar de alguns possuírem ícones não muito óbvios, mas a temática é consistente por todos os menus, ainda que uns sejam um tanto quanto mais áridos do que os outros.

O controle, logo que ligado, funciona como um ponteiro similar a um gamepad de Nintendo Wii, sendo usado para controlar uma seta na tela, onde um botão central serve ao mesmo tempo como o clique e como um scroll. A movimentação da seta com o controle (que a LG chama de “Magic Controller”) era horrenda no início, sendo muito difícil acertar os cliques nos ícones. Depois de um update automático, no entanto, o ele começou a funcionar bem, como esperado.

Embora o sistema seja bonito, fácil de usar e responda bem aos comandos, a falta de aplicativos é um problema à parte. Não que o básico não esteja coberto: Netflix, Youtube, Crackle, entre outros. Não há nada que impeça o usuário de consumir muito conteúdo, mas as funções meio que ficam por aí. Os jogos são poucos e nenhum deles muito popular, além de que não há apps que façam outras funções. Em uma TV Android, é possível encontrar gerenciadores de arquivos, diferentes players de vídeo que acessam arquivos em redes locais, além de jogos famosos, como Final Fantasy e todos os outros de Android. A falta de suporte ao sistema também é um pouco problemática, não por culpa da própria LG. Embora ela possua um browser bastante competente, ele não roda Flash e nem pode ter o plugin instalado. É um dos muitos sintomas de um sistema com pouca adoção, diferente do que acontece com o Android TV.

Som

O som da 55UF9500 é bastante alto, graças a suas caixas de 60 watts. Segundo a LG, existe um sistema que emula um som surround, mas isso não foi notado, nem de longe, por nós do INFOlab. São caixas de boa qualidade com graves surpreendentemente decentes, mas não há efeito surround, nem nada que substitua caixas à parte.

Vale a pena?

A compra de uma TV como essas depende da necessidade de utilização de 4K de cada um. Por enquanto, os conteúdos em 4K ainda são muito raros e bastante comprimidos em meios online, sem contar que, para uma TV de 55 polegadas, a distância mínima de utilização para que se note qualquer diferença na imagem é bem pequena (1,60 m). Pelo mesmo preço, é possível encontrar TVs do mesmo tamanho, com resolução Full HD e tela de OLED, o que pode render uma qualidade de imagem substancialmente melhor, particularmente dada a falta de conteúdo 4K no mercado. É difícil justificar a compra da LG 55UF9500 no momento. Em um futuro com abundância de conteúdo 4K, uma TV como essa poderá se tornar uma boa compra.

Ficha técnica

Tamanhos 55, 65 e 79 polegadas
Resolução UHD (3840×2160 pixels)
Entradas 4 HDMI 2.0, 1 USB 3.0, 2 USB 2.0, 2 Coaxial, 2 P2 (composto)
Saídas 1 Óptica, 1 estéreo P2
Dados Bluetooth, Wifi 802.11 AC, Ethernet Gigabit
Sistema WebOS 2.0

Avaliação técnica

Prós Som acima da média em altura, USB 3.0, Sistema operacional muito simples e fluido
Contras Contraste problemático em salas mais escuras, sistema operacional limitado em termos de apps
Conclusão TV indicada apenas a entusiastas do 4K. Aqueles em busca da melhor qualidade de imagem podem procurar modelos OLED pelo mesmo preço
Imagem 7,7
Áudio 8,0
Conexões 7,7
Interatividade 8,0
Reprodução de mídia 8,0
Design 7,8
Média 7.0
Preço R$ 6.400