Review: One Vision se destaca por fotos noturnas e “Android puro”

Smartphone da Motorola tem sistema operacional do Google com poucas modificações e câmera que fotografa no escuro

São Paulo – Se você já pesquisou sobre o assunto, sabe que o Google não vende seus smartphones oficialmente no mercado brasileiro. São esses aparelhos, da linha chamada Pixel, que contam com o sistema operacional Android conforme concebido pela empresa. Ele não tem modificações de terceiros, por isso é chamado de “Android puro”. A Motorola, segunda empresa que mais vende smartphones no Brasil (segundo a consultoria IDC) busca suprir a demanda por celulares com essa versão limpa do software com Google com a linha One. No ano passado, veio o primeiro, chamado apenas de One. Neste ano, a fabricante trouxe ao mercado o One Vision, que tem especificações técnica mais robustas e oferece ainda um modo de fotografia em ambientes escuros, que é exclusivo dessa família de produtos (por ora). Confira nosso review do aparelho a seguir.

Design e usabilidade

Smartphone Android

 (Lucas Agrela/Site EXAME)

O Motorola One Vision é um smartphone com design único no mercado. Ainda que sua tela se inspire na tendência de mercado de colocar a câmera aplicada diretamente na tela, deixando um círculo preto no canto superior esquerdo, a traseira do produto tem revestimento de vidro e uma coloração reflexiva que busca chamar a atenção de quem o vê.

Smartphone Android Motorola One Vision

 (Lucas Agrela/Site EXAME)

O aparelho não segue a linha de design do Moto Z. Com isso, ele não é compatível com os acessórios da linha Moto Snap, que são bateria extra, caixa de som, projetor ou câmera com lente da marca sueca HasselBlad. Ou seja, se você tem algum desses acessórios, não poderá usá-los no One Vision.

Smartphone Android Motorola One Vision

 (Lucas Agrela/Site EXAME)

O sensor de impressões digitais, usado para desbloquear a tela, fica na parte traseira do produto. Ele é posicionado bem em cima do logotipo da Motorola, que é côncavo e permite que o dedo do usuário se acomode facilmente sobre o leitor biométrico. A tela do smartphone também pode ser destravada com reconhecimento facial, feito por um sensor que fica na sua parte frontal.

Configuração

Por fora, é Motorola. Por dentro, é Samsung. O One Vision é o primeiro smartphone da marca a vir com um processador da rival sul-coreana. Ele é Exynos 9609, que conta com oito núcleos de processamento. O chip é da gama intermediária-avançada e, por isso, oferece otimização para performance em momentos em que você, por exemplo, joga um game, ou ativa os núcleos de desempenho modesto para ficar em estado de espera. Isso é uma medida para reduzir o gasto de energia.

A memória RAM do aparelho é de 4 GB, quantia padrão entre smartphones de bom desempenho. Essa memória volátil é importante para a gestão de processos, ou seja, quando você tem muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo – você pode usar o aplicativo do YouTube para ver um vídeo enquanto, em segundo plano, seu gadget atualiza os e-mails pessoais e do trabalho e checa se há novidades em todos os seus perfis em redes sociais.

Nos benchmarks, os aplicativos que simulam rotinas de uso, o Motorola One Vision se saiu bem. Veja os resultados comparados com os do rival Galaxy A50, da Samsung.

Benchmark One Vision Galaxy A50
AnTuTu 143825 148587
Geekbench 4 5059 5393

Sistema

O sistema Android do One Vision chega na versão 9.0 Pie. Além de uma série de otimizações de performance e uso de energia, essa edição traz o Bem-Estar Digital ao usuário. Com essa função, é possível ficar de olho e limitar o seu tempo de uso do smartphone no dia a dia. Desse modo, você não perde muito tempo no seu dia navegando por apps de redes sociais ou de lojas virtuais.

Apesar de ser a experiência mais próxima à de Android puro que os brasileiros têm a oportunidade de comprar no mercado formal, o One Vision ainda tem modificações. O modo escuro da câmera é uma delas (falaremos mais sobre isso no item “câmera”). Outras são as Moto Experiências, também oferecidas em outros aparelhos da Motorola. Há a Moto Tela, que exibe horário e notificações em uma interface predominantemente preta para poupar energia; Navegação em um Toque, que permite mudar o padrão de navegação do botão home (que é virtual, não físico); e, por fim, há a Câmera Instantânea, que liga automaticamente a câmera quando você faz o aparelho girar rapidamente sobre seu próprio eixo. Na hora de desligar o smartphone, encontramos outra surpresa: o botão dá acesso a um atalho para a captura de tela. Quem tem dificuldade de pressionar vários botões ao mesmo tempo pode se beneficiar dessa modificação simples de software. Fora isso, a experiência de uso do sistema Android é similar à da linha Pixel, do Google, vendida nos Estados Unidos.

Câmeras

O destaque do Motorola One Vision está na sua câmera traseira, que traz um modo especial para fotos noturnas. Em ambientes escuros, essa melhoria via software permite que você tenha resultados mais nítidos. No entanto, é preciso que o local da foto esteja realmente com pouca luz, ou o resultado será uma fotografia iluminada demais (estourada, no jargão de fotógrafos).

Assim como em outros modelos de smartphones da própria Motorola, o One Vision tem duas câmeras traseiras, sendo que uma delas é usada apenas para gerar o efeito de desfoque do fundo de retratos (conhecido como efeito bokeh). Os resultados com esse modo ativo são interessantes. A foto fica com bom recorte do fundo, desde que haja iluminação o suficiente. O ideal é ter luz natural para usar o modo retrato desse smartphone.

A câmera de selfie, de 25 megapixels, também consegue tirar fotos com efeito bokeh e tem até uma série de recursos que permitem, por exemplo, que o usuário tenha retratos em preto e branco e com fundo preto – como no iPhone. Nem sempre o One Vision acerta no recorte dos retratos, mas os resultados podem ser interessantes sob boas condições de luz.

Veja as fotos que tiramos com o Motorola One Vision no Google Fotos.

Bateria

A bateria do Motorola One Vision poderia ser melhor. No teste padrão de EXAME, com reprodução de vídeos, com Wi-Fi e Bluetooth ativos e brilho de tela no máximo, o aparelho obteve 7h de autonomia de uso. O lado bom é que o aparelho tem suporte para a recarga rápida com um carregador que vem na caixa.

Se por um lado é uma tela grande é boa para a usabilidade no dia a dia, por outro ela consome mais bateria. A média da categoria está atualmente em torno de 10h de autonomia, portanto, o One Vision poderia ser melhor nesse ponto.

Vale a pena?

O Motorola One Vision é um aparelho com muitos pontos positivos, especialmente em termos de fotografia, consumo multimídia e design. Mas ele ainda precisa melhorar na sua autonomia de uso, algo que soluções de software podem ajudar. Também há a questão da tela, que não é Amoled como as dos rivais da Samsung. Ainda assim, o One Vision pode ser um bom smartphone para o dia a dia para os entusiastas do sistema Android com poucas modificações. Há também a promessa de atualização para o Android Q, o que pode pesar a favor na decisão de compra do produto. Com isso, o celular da Motorola tem prós e contras, mas tende mais a ser uma boa opção de compra.