Review: Motorola One tem hardware mediano e acerta no software

Com "Android puro", smartphone tem estratégia de atualização

São Paulo – O Motorola One é o primeiro smartphone do programa Android One, do Google, a chegar ao Brasil. Sua principal promessa? Ser priorizado pela fabricante na hora de atualizar o sistema operacional. A medida visa acelerar a adoção de novas versões do Android, ponto criticado de forma recorrente pela Apple, que tem a liberdade de enviar novas versões do software iOS para todos os seus iPhones e iPads.

O novo smartphone reforça o compromisso da Motorola com o Android puro–ou sem muitas modificações por parte da fabricante–, algo que ela já tentava oferecer em dispositivos anteriores, especialmente quando fazia parte do Google. Agora, nas mãos da Lenovo, a Motorola levou essa cultura de oferecer uma experiência mais parecida com a que os usuários do smartphone Pixel (do Google; não lançado no Brasil). Ainda assim, algumas coisas mudam, como o software da câmera, que tem personalização da empresa.

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 (Lucas Agrela/Site EXAME)

Com configuração de hardware do ano passado, o Motorola One chega como opção de aparelho–relativamente–acessível com promessa de Android atualizado. De fábrica, ele não são com o software Pie, mais recente do Google. Ele vem com o Oreo, edição 8.0. A atualização deve chegar aos aparelhos ainda em 2018. Fora isso, mais uma atualização de geração do Android foi prometida pela Motorola e pelo Google no lançamento do produto.

O preço sugerido do aparelho é de 1.499 reais, o que o coloca na concorrência com o Galaxy A8 e com o Zenfone 5 Selfie.

Design

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 (Lucas Agrela/Site EXAME)

Logo que olhamos para o Motorola One, pensar no iPhone X é inevitável. O recorte preto na parte superior da tela é a principal semelhança. Ele serve para acomodar sensores e câmera, mas quebram a linha de design ao estilo tela infinita, adotado por empresas como a Samsung e a chinesa Vivo. O leitor de impressões digitais fica acomodado sobre o logotipo da Motorola, na parte central traseira. Na parte da frente, a tela é o foco. Ela ocupa 79% do espaço e sobre até uma beiradinha para o nome da Motorola, na parte interior. O display de 5,9 polegadas de proporção 19:9 é mais amplo do que o antigo padrão 16:9, ele só deixa a desejar com sua resolução HD (720 x 1520 pixels). Não há proteção contra submersão, mas o aparelho é resistente a respingos de água.

Configuração

A configuração de hardware é o principal ponto de crítica do produto. Ele tem um processador Snapdragon 625, um modelo intermediário de 2017, enquanto rivais contam com chips mais recentes. Sua memória RAM, por outro lado, está no padrão da categoria intermediária-avançada, com 4 GB. O mesmo vale para o armazenamento interno de 64 GB. Nos testes de desempenho, realizados por meio de aplicativos de benchmark, o aparelho teve resultados inferiores aos da concorrência, apesar de ter sido capaz de executar plenamente aplicativos de redes sociais, fotos e vídeos em nossa avaliação.

Benchmarks Motorola One Zenfone 5 Galaxy A8
AnTuTu 81370 140440 114882
Geekbench 4225 5469 4012

Bateria

O Motorola One tem uma bateria com capacidade de 3.000 mAh. Em nossos testes de simulação de uso intenso (reprodução de vídeo com brilho de tela no máximo, com Wi-Fi e Bluetooth ativos), o aparelho conseguiu suportar por sete horas e 30 minutos, ficando pouco abaixo da média da categoria, que é de 10 horas de autonomia sob as mesmas condições. Ainda assim, em um dia comum, com uso intermitente, a bateria deve ser o suficiente para chegar em casa com carga no celular.

Câmeras

As câmeras do Motorola One na parte traseira são de 13 megapixels e apenas 2 megapixels. Essa câmera secundária só pode ser usada para registrar fotos com o fundo desfocado, a simulação do efeito bokeh. Essa câmera se saiu bem em situações com boa iluminação natural, do sol, mas foi difícil conseguir bons resultados com pouca luz.

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Já a câmera frontal do aparelho tem 8 megapixels e conseguiu registrar retratos com qualidade dentro da média da categoria, ainda que o Galaxy A8, com câmera dianteira dupla, tenha se sobressaído nesse quesito.

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 (Lucas Agrela/Site EXAME)

Fora isso, o One consegue filmar em 4K a 30 quadros por segundo com a câmera traseira e em Full HD a 30 fps com a dianteira. Os destaques do software da câmera são a transmissão ao vivo para o YouTube, a integração com o Google Lens (que permite busca de imagens online), o Cinemagraph (que cria gifs com apenas uma parte da imagem em movimento) e a edição automática que é aplicada às fotos logo que são tiradas.

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Vale a pena?

O Motorola One é um smartphone voltado para entusiastas do Android que valorizam ter as principais novidades do sistema o quanto antes. O programa de atualização priorizada do Google oferece maior previsibilidade no ato da compra, o que resolve um dos principais receios dos consumidores com essa preferência. A configuração de hardware poderia ser melhor, mas a proposta de valor da Motorola por um aparelho de 1.500 reais é algo que nenhuma concorrente tem atualmente. Se você não tem a oportunidade de ter um dispositivo da linha Google Pixel, ou não quer pagar tanto por um smartphone, o Motorola One é o único que pode oferecer a previsibilidade de atualização do Android, o que pode ser de grande valia.