Review: LG G6 é uma aposta certeira na simplicidade

Smartphone da LG é um dos primeiros acertos da fabricante nos últimos anos no segmento de topo de linha, mas ele tem dois problemas preocupantes

São Paulo — O G6 é o smartphone topo de linha da LG. Em vez de ser ousada como foi no ano passado, ao lançar um produto que se conectava a vários acessórios, a fabricante deu um passo para trás e lançou um produto que acerta em boa parte do que é essencial em um bom celular.

O LG G6, porém, não é um smartphone básico no sentido de ser pouco sofisticado. Ele é básico simplesmente por ser muito sofisticado. É muito fácil fazer qualquer coisa nesse aparelho e isso é algo muito importante para qualquer usuário.

O smartphone tem preço sugerido de 3.999 reais, apesar de ser encontrado por menos do que isso no e-commerce. Veja nosso review do LG G6 a seguir.

Design — Sóbrio com tela grande

Sem ideias mirabolantes, como a possibilidade de remover a bateria de um produto de corpo inteiriço, o G6 tem visual bem limpo. Sua sobriedade é seu maior destaque visual. O botão de desbloqueio, que acomoda o sensor de digitais, fica na parte traseira do aparelho–uma iniciativa de design que a LG tomou há anos e lançou tendência com isso. O posicionamento dele é bom porque fica na parte central, diferentemente do que acontece com o sensor de digitais do Galaxy S8, posicionado ao lado da câmera.

Uma das melhores coisas de se estar com o LG G6 em mãos é o fato de como ele é pequeno e, ao mesmo tempo, tem tela grande. Os botões do smartphone ficam na tela, em vez de haver botões capacitivos abaixo da tela. Essa medida da fabricante acompanha o movimento popular na indústria de celulares em 2017: aproveitar o máximo possível a parte frontal. Essa ideia é reforçada pelo fato de que um dos principais diferenciais do G6 é justamente a sua tela. Ela tem um padrão chamado FullVision.

LG-G6-Fren-1

 (Victor Caputo/Site EXAME)

Esse padrão, criado pela LG, envolve resolução Quad HD+ (superior ao Full HD) e proporção de 18:9, em vez da comum 16:9. Com isso, a tela de 5,7 polegadas é mais comprida do que a de outros smartphones. O objetivo é que isso viabilize o uso de aplicativos com mais espaço ou mesmo o uso de dois apps simultaneamente. Um exemplo de como isso pode ser útil aparece quando usamos o aplicativo da câmera. Ao mesmo tempo que vemos a imagem que será capturada, podemos olhar também uma prévia das últimas imagens da galeria.

Em termos de ergonomia, o LG G6 não deixa a desejar. Ele é confortável de segurar de uma maneira difícil de explicar. Ao mesmo tempo que ele passa sensação de robustez, ele também nos dá a sensação de estar com um produto caro em mãos. Poucos aparelhos conseguem despertar esses sentimentos tendo um design tão simples. O aparelho só peca por deixar muitas marcas de dedos na parte traseira. É preciso estar constantemente limpando sua parte traseira na camisa ou blusa.

LG-G6-Tras

 (Victor Caputo/Site EXAME)

A LG optou por colocar o conector USB Type-C no smartphone, reforçando a tendência da padronização dele entre os aparelhos desta geração de 2017. Ou seja, você vai precisar de um adaptador e, em breve, todos aqueles acessórios com conectores microUSB estarão obsoletos. Prepare-se.

Câmeras — Boas na luz

As câmeras do LG G6 são boas, mas estão longe de serem perfeitas. A câmera principal é dupla para que você possa tirar fotos que contam com diferentes distâncias focais com o uso de duas lentes. Isso permite que você utilize um aproximação de imagem parecida com a que obtemos com zoom óptico sem a necessidade de um módulo que deixa a imagem mais próxima do fotógrafo. Isso resolve, especialmente, um problema de design, visto no Galaxy K Zoom (2014) e no Zenfone 3 Zoom (2016).

A transição entre as lentes é muito ágil no LG G6. Basta um toque e elas são trocadas em tempo real, sem espera, como acontecia no LG G5 SE do ano passado. Os sensores da câmera principal são de 13 megapixels, mas um deles tem abertura de f/1.8 e outro, f/2.4. A ideia dessa implementação é a mesma do iPhone 7 Plus: facilitar a vida do usuário para fotografar retratos e paisagens sem precisar se aproximar muito do objeto da cena ou tomar muita distância para enquadrá-lo.

LG-G6-ampla

 (Lucas Agrela/Reprodução)

E resultados? Bem, aí é que a coisa complica e o LG G6 mostra que não é tudo isso no quesito fotografia. Ele é bom para capturar cenas bem iluminadas, sejam paisagens ou retratos. O nível de detalhe é ótimo em situações com boa iluminação natural.

LG-G6-camera-principal

 (Lucas Agrela/Reprodução)

Mas cenas escuras típicas do cotidiano (em barzinhos ou festas com pouca luz), o aparelho não se dá muito bem. O nível de detalhamento das imagens é bem baixo, tudo fica consideravelmente borrado. Isso é uma pena. (Fotos no Flickr abaixo)

O software da câmera tem vários recursos legais para fotógrafos de redes sociais, especialmente de Instagram. Ele tem um modo simples para tirar fotos quadradas, que aproveita a tela enorme do aparelho para mostrar as fotos que você acabou de tirar enquanto já está vendo a prévia da sua próxima foto. Isso é bem interessante.

O aplicativo da câmera também tem atalhos para redes sociais e para o WhatsApp, o que é muito conveniente e poderia ser adotado pela concorrência também. Fotos de 18:9, que ocupam toda a extensão da tela do G6 também podem ser capturadas em um modo especial.

App-camera-lg-g6-fullvision-foto

 (EXAME.com/Reprodução)

A câmera frontal do smartphone da LG tem sensor de 5 megapixels com abertura de f/2.2. Essa abertura não permite a captação de imagens com bom detalhamento, já que a abertura é inferior, por exemplo, a do concorrente Galaxy S8, que é de f/1.8 na câmera frontal. Ou seja, suas selfies podem até ficar boas, mas será preciso estar em um local com bastante luz.

LG-G6-Selfie

 (Lucas Agrela/Reprodução)

A câmera principal do LG G6 filma em até 4K e a frontal, em Full HD.

Fotos tiradas com o LG G6 podem ser vistas em alta resolução no Flickr.

Configuração — Agora ela veio certa

Enquanto a configuração do LG G5 SE chegou ao Brasil limitada, com processador inferior ao que foi lançado globalmente, o G6 chega com todo seu potencial ao país desta vez. Ele tem um processador Qualcomm Snapdragon 821 e 4 GB de memória RAM. Isso oferece uma das melhores performances do mercado de smartphones, ainda que o processador seja do ano passado.

O produto, porém, peca na capacidade limitada de armazenamento. Enquanto a maioria dos celulares topo de linha chegam ao mercado com 64 GB atualmente, o G6 chega com metade disso, apenas 32 GB (apesar do suporte para cartão microSD). É possível expandir a memória, mas ter um armazenamento interno pequeno como esse (já que uma parte considerável desse espaço é ocupada pelo sistema operacional) restringe o uso de muitos aplicativos grandes, como jogos, que costumam ter 1 GB ou mais. Com alguns games, apps comuns como Facebook, Instagram e WhatsApp, logo o usuário se vê sem espaço em um celular de 4 mil reais. Isso não é aceitável.

O poder de fogo do LG G6 aparece nos benchmarks, testes de desempenhos feitos por aplicativos especializados. Parece que não limitar o processador desta vez foi uma escolha acertada.

Benchmarks Galaxy S8 LG G6
AnTuTu 172807 139187
Basemark OS II 2017 3103
Geekbench 4 6510 4136
Basemark X 43993 38808

Sistema — Android misturado com iOS

O Android 7.0 Nougat da LG é bem personalizado, ao ponto de deixá-lo básico. A usabilidade dele mistura conceitos do iOS (do iPhone) com o Android comum. Isso facilita a vida de quem migra do iPhone ou de quem tem dificuldade de usar o Android normal. A maior semelhança com o iOS é a ausência de uma pasta que mostre todos os aplicativos instalados. Tudo que você tem no G6 aparece distribuído pelas telas iniciais. Ou seja, você usando ou não com frequência um determinado app, ele estará lá na tela inicial porque não tem outro lugar para ficar. São várias telas iniciais, ao menos, mas essa disposição de aplicativos nos força a organizar tudo que temos em pequenas pastas, seja para redes sociais, seja para bancos ou apps de mensagens.

Um dos melhores recursos é o atalho de restringir dados de internet em segundo plano. Isso ajuda a economizar o seu 4G. O atalho fica na barra de notificações do sistema, aquele menu superior onde você liga o Wi-Fi.

Algo incompreensível sobre o sistema desse aparelho é a presença de um widget com publicidade de produtos da LG. Ali, ficaram rodando imagens de TVs, smartphones e até mesmo um anúncio do LG G6(!). Será mesmo que quem já tem um LG G6 precisa ver uma propaganda do próprio aparelho?

LG-G6-widget-propaganda

 (EXAME.com/Reprodução)

Ou seja, logo no primeiro acesso, remova esse widget de branding mal pensado e abra mais espaço para acomodar seus apps. Basta tocar sobre ele por um instante e arrastá-lo para cima para apagá-lo.

Bateria — Deveria durar mais

A bateria do LG G6 pode aguentar um dia de uso moderado. O que ajuda a prolongar a duração dela é o recurso de desativar dados de internet, mencionado acima. Em nossos testes, tiramos o produto da tomada às 10h e a carga suportou até às 2h da manhã, mesmo com o uso de apps como o Waze por cerca de uma hora.

No teste padrão do INFOlab, o LG G6 obteve 10 horas de autonomia de energia. Isso é mais do que conseguiu o rival Galaxy S8, que conseguiu 6 horas nas mesmas condições. Vale notar que o S8 tem mais recursos de software para economizar energia do que o G6, como a possibilidade de reduzir a resolução da tela para Full HD.

Vale a pena?

O LG G6 é bom para quem procura um smartphone pequeno com tela grande e alta performance. Ele peca, especialmente, em dois pontos: na captação de fotos em ambientes escuros e no pouco espaço de armazenamento interno (tem 32 GB, mas quase 10 GB são ocupados pelo Android).

Com isso, o LG G6 seria excelente se seu preço fosse na faixa dos 2 mil reais, quando rivalizaria com smartphones como o Galaxy A7 ou o Zenfone 3 Zoom. Se você se interessou no LG G6, procure preços abaixo da casa dos 3.600 ou 4 mil reais. Nessa faixa de valor, você compra um Galaxy S8 com o dobro da memória e câmeras melhores.

Avaliação

8.3/10

Prós: Tela grande e única no mercado; câmeras boas para zoom e design bom para que gosta de smartphone pequeno.
Contras: Duração da bateria poderia ser melhor; pouco espaço de armazenamento; e fotografa mal em baixa luz.

Ficha Técnica

Sistema operacional: Android Nougat 7.0
Processador: Qualcomm Snapdragon 821
CPU: Quad-core 2x Kryo 2,35 GHZ e 2x Kryo 1,6 GHz
GPU: Adreno 530
RAM: 4 GB
Armazenamento: 32 GB + microSD de até 256 GB
Conexões: Wi-Fi 802.11 A/B/G/N/AC, Wi-Fi Direct, Bluetooth 4.2
Tela: 5,7 polegadas com resolução Quad HD (1440 x 2960 pixels)
Peso: 163 gramas
Bateria: 3.300 mAh (fixa)
Câmeras: 2×13 megapixels e 5 megapixels
Preço: 3.999 reais