Review: iPhone X corrige velhos problemas e cria novos

Smartphone mais promissor da Apple atende a expectativas e se posiciona como o melhor iPhone já feito, mas ele ainda não é perfeito; veja teste

São Paulo – O iPhone X é o modelo mais avançado do principal produto da Apple, mas não é perfeito. Com recursos exclusivos, como os divertidos Animojis, o reconhecimento facial tridimensional e usabilidade diferenciada para retornar ao início, o smartphone indica o futuro dos dispositivos de 2018. No entanto, ele ainda erra no mesmo ponto que o iPhone do ano passado: na precisão do modo retrato do seu aplicativo de câmera.

Design e Usabilidade – Um novo jeito de voltar ao início

É impossível escrever um review do iPhone X sem falar do seu design similar ao do Galaxy S8, da rival Samsung. A Apple levou esse conceito de tela infinita ao extremo e removeu o botão home. Com ele, morre também o sensor de impressões digitais Touch ID. Nos resta o novo e preciso Face ID. O sensor que fica na barra frontal superior que quebra a simetria do design do display reconhece em cerca de um segundo o seu rosto a partir do momento em que a tela estiver acesa. Caso ele falhe, o que é raro em ambientes bem iluminados, você terá que recorrer ao desbloqueio pelo velho método de código (de seis dígitos).

Você deve se perguntar se esse sensor funciona bem ao ponto não ser enganado com fotos do rosto registrado, e a resposta é sim. Nos testes que fizemos, tudo funcionou como esperado: a tela só foi desbloqueada com o rosto registrado, fotos são inúteis.

O frame de metal do iPhone X passa segurança quando o seguramos, apesar de se tratar de um produto de difícil reparabilidade e relativa fragilidade. Por não ter bordas curvas na tela, como o Galaxy S8 e o Galaxy Note8, a sensação que temos ao pegá-lo nas mãos é de que ele é um produto mais espesso–o que ele, de fato, é.

iPhone X

 (Victor Caputo/Site EXAME)

Sem um botão home, a solução da Apple foi colocar um gesto que funciona em qualquer ponto do sistema para retornar ao início: deslizar o dedo de baixo para cima na tela. Isso funciona bem na maior parte do tempo, mas é bastante inconveniente quando esse “botão home invisível” muda de lugar ao usarmos um app que roda em modo paisagem (ele vai parar na lateral do aparelho).

Por ser de vidro, em parte, para viabilizar a tecnologia de carregamento sem fio ao aparelho, o iPhone X deixa marcas de dedos aparentes. Esse é um problema de todos os smartphones com esse tipo de revestimento, mas, assim como no iPhone 8 Plus, é, ao menos, fácil de deixá-lo com aparência limpa ao esfregá-lo na roupa por alguns instantes.

iPhone X

 (Victor Caputo/Site EXAME)

De todos os recursos do iPhone X, o mais engraçado–de longe–é o de Animojis. O aparelho analisa seu rosto e cria animações personalizadas. Você pode mandar uma mensagem para alguém assim. Essa função é realmente muito bacana e é também uma forma de ostentar o seu iPhone X, já que o recurso dos Animojis é exclusivo dessa versão do produto.

Câmeras – onde mora o problema

As câmeras do iPhone X são ótimas para registrar fotos da maneira tradicional: abrir o app de câmera e fotografar no modo normal. A regulagem de cores é bastante fiel à realidade e o equilíbrio de luz é bom em diversos cenários. O nível de ruído é muito baixo e o detalhamento de objetos é muito bom para um smartphone. Essas considerações valem para as duas câmeras traseiras do iPhone X, que têm distâncias focais diferentes, permitindo uma aproximação (zoom) sem perda de qualidade.

O problema do iPhone X é o modo retrato. Ele é muito bom quando funciona. O app de fotos faz um bom trabalho ao iluminar melhor o rosto de uma pessoa e também consegue colocá-la em um ambiente artificial de estúdio.

iPhone-X-Modo-retrato

 (Lucas Agrela/Site EXAME)

Quando ele não funciona bem, a sua foto pode ficar estragada. O recorte das fotos é feito de maneira errada, acabando com a proposta do efeito bokeh.

Modo-retrato-falha-iphone-x

 (Lucas Agrela/Site EXAME)

O problema de foco também é visto quando tiramos fotos com várias pessoas usando a câmera frontal. Se uma deles estiver mais para trás do que as outras, o foco ficará em quem estiver mais à frente.

iPhone-X-modo-retrato-falha

 (Anderson Figo/Site EXAME)

Por outro lado, o iPhone X representa um marco importante na história dos iPhones: ele tem a primeira câmera frontal que pode ser considerada boa entre os aparelhos da marca. Quando não usamos o modo retrato, ela faz um trabalho bem melhor em registrar rostos em detalhes.

Veja as fotos em alta resolução no Flickr.

Bateria – Uma melhora esperada

A duração de bateria do iPhone X é a maior já registrada em um iPhone, de acordo com nosso histórico de testes. Ele conseguiu nove horas e 20 minutos de autonomia de bateria no teste padrão do INFOlab. O iPhone 8 Plus marcou seis horas e meia, enquanto o iPhone 7 Plus conseguiu cinco horas e meia sob as mesmas condições que o iPhone X.

Essa melhora era esperada. O iPhone X é o primeiro a ter tela Amoled, desenvolvida pela Samsung. Em nossos testes, a grande maioria dos smartphones Android superou–e muito–a duração de bateria dos iPhones anteriores porque tinham telas semelhantes.

Configuração – Um monstro do processamento

O iPhone X é equipado com o processador Apple A11 Bionic de seis núcleos, 3 GB de memória RAM e opções de armazenamento de 64 GB (6.999 reais) e 256 GB (7.799 reais).

A tela do aparelho tem 5,8 polegadas com resolução de 1125 por 2436 pixels (mais do que o padrão Full HD). Ela também tem suporte ao HDR, que melhora brilho e contraste de cenas filmadas com câmeras compatíveis com essa tecnologia. Muitos filmes de Hollywood já usam equipamentos assim.

Basicamente, o iPhone X é monstro quando o assunto é performance. Ele ainda perde em alguns testes de desempenho para o iPhone 8 Plus, mas ele é o segundo dispositivo mais poderoso do mundo de acordo com a empresa de benchmarks (testes de performance) AnTuTu. Ele supera todos os smartphones com sistema Android nesse aspecto, em grande medida, por conta do novo processador da Apple, mais recente do que o Snapdragon 835 e seus equivalentes. O recém-anunciado Snapdragon 845 pode mudar esse cenário, mas isso vai ficar para 2018.

O iPhone X não fica devendo nada para a concorrência, os dispositivos topo de linha com sistema Android, como o Xperia XZ1, o Galaxy Note8, o LG G6 ou o Moto Z2 Force. Ele tem, basicamente, todos os bons recursos deles e um sensor de reconhecimento facial ágil e preciso. Isso não significa que ele seja melhor do que os demais, mas que ele é tão bom quanto eles.

Veja os resultados de benchmarks do iPhone 8 Plus comparados com os do iPhone X.  

Benchmark iPhone 8 Plus iPhone X
Basemark OS II 4447 4508
AnTuTu 192687 184911
BasemarkMetal 1770 1765
Geekbench 10165 10295

Vale a pena? – Ou: você tem 7 mil?

O preço do iPhone X é alto, mais de sete vezes o valor de um salário mínimo no Brasil. Mesmo nos Estados Unidos, ele custa mil dólares. Quem comprá-lo, vai pagar o preço da sua inovação.

Enquanto produto, ele tem ótimos recursos, é bom em âmbito geral e mostrou uma solução possível–mas não perfeita–à ausência de um botão home. O modo retrato ainda tem muito a melhorar e atualizações de software podem fazer isso (para sorte da Apple). Por conta disso, o iPhone X aponta tendências e corrige antigos problemas. Ele é uma evolução nítida e no sentido certo.

Só falta agora corrigir os novos problemas.

_____

Prós: Face ID funciona bem, boas câmeras, duração de bateria melhorou.
Contras: Requer curva de aprendizagem para a ausência do botão home, modo retrato tem muito a melhorar.

9,2