Review: Fly mostra que é possível ser bom e ter preço justo

Smartphone brasileiro tem processador de dez núcleos e oferece boa performance para o uso diário

logo-infolab

São Paulo – A Quantum é uma marca de smartphones brasileira que já conta com alguns modelos à venda no país. O lançamento mais recente é o Quantum Fly, o primeiro a empresa a ter sensor de impressões digitais. O nome foi dado ao produto devido à sua leveza. Ele pesa 141 gramas, quase o mesmo que o iPhone 7, que tem 138 gramas.

Seu diferencial é o preço abaixo da média para a categoria. O Quantum Fly custa 1.449 reais.

Nessa faixa de preço, ele concorre atualmente com o Samsung Galaxy J5 Metal e com o Asus Zenfone 3 Max. O Fly, porém, é o único à venda no Brasil a vir com o processador de dez núcleos da MediaTek. Ele promete uma boa performance e gestão de energia eficiente devido à alternância de uso de núcleos conforme a necessidade de cada momento.

Design

O visual do Quantum Fly é sóbrio, sem deixar de lado a sofisticação. As laterais são curvadas e as linhas das antenas ficam no topo de na parte interior traseira.

A câmera principal foi posicionada na lateral esquerda do produto, uma escolha de design pouco comum que diferencial o produto no mercado, mas que não prejudica em nada na hora de tirar fotos.

A tela de 5,2 polegadas do aparelho tem resolução Full HD. Abaixo dela, há uma borda larga que não acomoda nenhum componente. Os botões de interação com o sistema ficam na própria tela.

Configuração

O Quantum Fly se promove como um smartphone que não deixa a desejar no quesito desempenho – sem deixar de lado o preço acessível. Por isso, a fabricante buscou trazer o máximo de tecnologia pelo mínimo preço viável. Com isso, em vez de adotar soluções da Qualcomm, a empresa apostou na MediaTek e conseguiu trazer o processador Helio X20 ao seu smartphone.

Esse processador é o primeiro a chegar ao mercado nacional com dez núcleos de processamento. Para que eles servem? De maneira similar como fazem os chips da Qualcomm, que usam dois conjuntos (clusters) de núcleos separados para momentos de repouso e de uso intenso, eles se alternam de acordo com o seu uso.

Quando a MediaTek anunciou o Helio X20, foi dito que ele teria quatro Cortex-A53 com velocidade de 1,4 GHz, em situações de uso moderado, entrariam em ação outros quatro Cortex-A53 com frequência de até 2 GHz, e nas situações intensas, como a execução de jogos, quem assumiria o comando seriam dois Cortex-A72 com velocidade de 2,5 GHz.

Esta imagem da MediaTek mostra de maneira ilustrativa o uso dos clusters de núcleos pelo Helio X20.

mediatek

No caso do Quantum Fly, a velocidade do clock desses núcleos é reduzida. Ele tem clusters de núcleos organizados da seguinte forma:
– 4x Cortex A53 de 1,39 GHz (repouso);
– 4x Cortex A53 de 1,39 GHz (uso moderado);
– 2xA73 de 2,11 GHz (uso intenso)

Com isso, a Quantum não oferece todo o potencial do processador Helio X20, que venceu o recente Qualcomm Snapdragon 820 octa-core em testes de performance.

Escolhas de limitar a velocidade do processador ocorrem por dois motivos no cenário atual do mercado de celulares: redução do consumo de bateria e redução de custos com componentes, que seriam repassados no preço. Dada a estratégia da Quantum para o Brasil, a segunda hipótese é a única viável, já que no teste de bateria o smartphone não se saiu muito bem.

Fora o processador, o Fly tem 3 GB de memória RAM, 32 GB de armazenamento interno, suporte a cartões microSD de até 128 GB e entradas para dois chips de operadoras. Algo interessante é que ele tem Wi-Fi 802.11ac, ou seja, ele é compatível com roteadores que usam esse padrão de conectividade, que costumam ter performance de rede melhor do que os que são do antigo 802.11n. Muitas fabricantes ainda adotam o padrão N em seus smartphones, mas esse não é o caso da Quantum – para o bem do consumidor.

Com isso, o Quantum Fly não chega a bater nenhum celular topo de linha nos testes de performance (benchmarks), mas ele pode ser uma boa escolha de produto intermediário – dentro de sua faixa de preço. Veja os resultados obtidos pelo Quantum Fly ao lado de alguns competidores.

Benchmarks Moto Z Play Moto Z Galaxy S7 edge LG G5 SE Zenfone 3 Quantum Fly
AnTuTu 62944 58.861 129618 62337 62672 86818
Basemark OS II 1089 2261 2551 1077 1276 1715
Geekbench 4 2510 2813 6415 4036 3990 4383
Vellamo 3316 3392 5201 3293 3316 3323

 

Bateria

O Quantum Fly tem um ponto fraco: sua bateria poderia durar mais. Nos testes realizados no INFOlab, constatamos que ele pode suportar sete horas de uso intenso.

Para efeito de comparação, isso é metade do que conseguiu o concorrente Samsung Galaxy J5 Metal sob as mesmas condições.

Ou seja, se você escolher o gadget como o seu parceiro no dia a dia, é melhor ter um carregador sempre por perto.

Câmeras

As câmeras do Quantum Fly têm sensores de 16 MP e 8 MP. A câmera principal registra fotos com qualidade boa em locais bem iluminados, mas sofre com ruído em cenas com a iluminação um pouco escassa. Com isso, ela não é versátil ao ponto de agradar entusiastas de fotografia. Porém, certamente oferece qualidade o suficiente para fazer registros de situações cotidianas, fazer alguns retratos ao ar livre ou em ambientes com muita luz.

A câmera de selfie, por outro lado, se mostrou boa e versátil. O HDR, quando ativo, parece funcionar como um embelezador de rostos, deixando as imagens com exposição acima do normal. Isso pode ser útil na câmera frontal, mas costuma estragar os resultados obtidos com a câmera principal.

Há ainda um modo de foto picture-in-picture. Nele, você bate uma foto usando as duas câmeras ao mesmo tempo. O resultado é… pouco usual.

Veja a seguir algumas fotos tiradas com o Quantum Fly.

 

Sistema

O sistema Android Marshmallow apresenta uma interface praticamente livre de modificações e com poucos apps pré-instalados. Assim como no Quantum Go, temos um aplicativo que transforma o smartphone em uma câmera veicular; um de música; e um de rádio FM.

Vale a pena?

O Quantum Fly é o melhor smartphone brasileiro da atualidade. Ele reúne o máximo da tecnologia pelo mínimo do preço para que o usuário tenha uma boa usabilidade. Seu pecado é a curta duração de bateria em face da concorrência. Ainda assim, ele é um dos dispositivos mais acessíveis do mercado a contar com uma interface limpa e um sensor de impressões digitais. Por isso, seu grande competidor é o Moto G4 Plus, que custa quase o mesmo preço.

Avaliação

8.0/10

Prós: Sensor de impressões digitais, sistema Android com poucas modificações e bom design.
Contras: HDR das câmeras não funciona como deveria e duração de bateria poderia ser melhor.

Ficha técnica

  • Sistema operacional: Android Marshmallow 6.0
  • Processador: MediaTek HX20 (MT6797)
  • CPU: Deca-core 4x Cortex-A53 a 1,39 GHz + 4x Cortex-A53 a 1,39 GHz + 2x Cortex-A72 a 2,11 GHz
  • GPU: Mali-T880
  • RAM: 3 GB
  • Armazenamento: 32 GB + microSD de até 128 GB
  • Conexões: Wi-Fi 802.11ac, 4G, Bluetooth 4.0, Wi-Fi Direct
  • Tela: 5,2 polegadas com resolução Full HD (1.080 x 1.920)
  • Peso: 141 gramas
  • Bateria: 3.963 mAh
  • Câmeras: 16 megapixels e 8 megapixels
  • Preço: 1.449 reais
Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Fabricio Aguirre

    Seria correto ter na comparação fones BLU, Positivo, etc, e não os aparelhos listados.