Qwiki, de Eduardo Saverin, é a Wikipedia que fala

A enciclopédia multimídia Qwiki, que tem o cofundador do Facebook Eduardo Saverin entre seus donos, reúne informações na web e apresenta narrações faladas

São Paulo — “A Terra é o terceiro planeta a partir do Sol e o mais denso deles. É o quinto maior entre os oito do Sistema Solar. (…) Seus habitantes estão agrupados em aproximadamente 200 estados independentes, que interagem por meio de diplomacia, viagens, negócios e ações militares.” A descrição, contada por uma voz quase natural em inglês, é gerada automaticamente quando você coloca “Earth” (Terra) como termo de pesquisa na enciclopédia multimídia Qwiki, que abriu sua versão alfa ao público no final de janeiro.

Fundado por Doug Imbruce e Louis Monier (um dos criadores do buscador AltaVista, que fez sucesso antes do Google), o site tem um mecanismo de busca que procura referências na internet e gera automaticamente um texto de aproximadamente um minuto com um pequeno resumo do termo pesquisado.

Enquanto o texto é narrado, você vê imagens, gráficos e vídeos. “A informação se transforma numa experiência a que eu posso assistir”, afirmou Imbruce na apresentação do Qwiki no TechCrunch Disrupt, evento que reúne anualmente algumas dezenas de startups numa competição. O Qwiki ganhou a edição do ano passado e embolsou 50 000 dólares.

Eduardo Saverin

Em janeiro, pouco antes da abertura da versão pública, a enciclopédia visual recebeu um investimento de 8 milhões de dólares liderado por Eduardo Saverin, brasileiro cofundador do Facebook. Além dele, estão no grupo, entre outros, Jawed Karim, um dos fundadores do YouTube, e Pradeep Sindhu, cofundador da Juniper Networks. Com isso, o Qwiki somava 9,5 milhões de dólares em aportes financeiros até meados de fevereiro.


Wikipedia falante

O Qwiki pode ser definido como uma versão multimídia da Wikipedia. Tem 3 milhões de verbetes centrados em pessoas, lugares e coisas. Lançada em 2001, a Wikipedia tem 17 milhões, sendo 3,5 milhões em inglês — único idioma do Qwiki no momento. Nos planos do site está a previsão de que qualquer pessoa possa criar entradas na enciclopédia. Com isso, empresas também poderiam ter seus próprios verbetes, com detalhes de seus produtos.

No momento, os qwikis podem ser compartilhados por Twitter, Facebook e e-mail ou incorporados ao código de blogs. Ao término da narração de cada termo, o internauta tem a opção de buscar mais informações sobre o assunto na Wikipedia, no Google, no YouTube ou no Fotopedia. Outra promessa é chegar logo ao iPad e ao iPhone.

É impossível olhar para o Qwiki e não fazer um paralelo com o cinema. A enciclopédia multimídia lembra HAL 9000, de 2001: Uma Odisseia no Espaço; o computador de Tony Stark em Homem de Ferro; e até a máquina da nave Axiom, na animação Wall-E. Neste último, o capitão da Axiom pede ao computador para definir exatamente o termo Terra e ele começa a lhe contar um resumo, como faz o Qwiki.

Enciclopédia tem futuro?

As expectativas do CEO do Qwiki são altas. Doug Imbruce afirmou recentemente que não faz projeções do número de usuários para 2011. Seus planos estão em 10, 20 ou 30 anos, quando as pessoas consultarão a enciclopédia desde o momento de acordar, como despertador. Você poderá ser acordado com todas as informações sobre o clima e as tarefas do dia, por exemplo. Nela também estarão os perfi s das pessoas e dicas de restaurantes. Ou pelo menos esta é a ambição do site no momento.


O caminho para o lucro

Mas de onde virá a receita do Qwiki? Afinal, negócios baseados em colaboração não costumam dar muito lucro. “O modelo de negócios ainda é incipiente. Não dá para saber se eles querem fazer barulho para ser vendidos para outra empresa”, afirma Cristiano Laux, diretor da consultoria Pyramid Research, especializada em pesquisas para o mundo da tecnologia.

Uma forma de ganhar dinheiro pode ser com verbetes patrocinados por empresas para produtos ou lugares, por exemplo. Uma companhia aérea que queira promover um destino pode decidir patrocinar o verbete sobre a cidade. Uma empresa verde pode gostar da ideia de ligar seu nome à explicação sobre a Amazônia.

“Nas startups, muitas vezes o modelo de negócios muda rapidamente”, diz Michael Nicklas, diretor da Ideiasnet, empresa que investe em negócios de tecnologia. Segundo Nicklas, para ter futuro, o Qwiki deverá se sustentar em três pilares: ter capacidade para se tornar um gerador de audiência, manter-se bem no ranking orgânico de buscas e ter segmentação. É o começo do caminho para um projeto cheio de ambições.