Polícia britânica analisa celulares no caso da menina Maddie

A polícia britânica está analisando os dados dos celulares de milhares de pessoas que estavam no complexo turístico de Portugal onde a menina Maddie desapareceu

A polícia britânica anunciou nesta sexta-feira (4) que está analisando os dados dos celulares de milhares de pessoas que estavam no complexo turístico de Portugal onde a menina Madeleine McCann desapareceu em 2007, para tentar esclarecer o caso.

O inspetor a cargo da investigação, Andy Redwood, disse que a polícia examina “um número importante de dados” reunidos nos dias anteriores, no mesmo dia e nos seguintes ao desaparecimento em maio de 2007 da pequena Maddie, de três anos, cujo caso mobilizou a opinião pública britânica.

A polícia tenta identificar todas as pessoas que estavam na Praia da Luz, onde seus 3.000 vizinhos convivem com milhares de turistas.

A polícia tem 41 potenciais suspeitos em particular, três a mais que em julho. A rede pública BBC lançará um chamado à colaboração no dia 14 de outubro em seu programa “Crimewatch”, baseado em novos dados sobre a investigação reunidos pela Scotland Yard.

Dos 41 suspeitos, 15 são britânicos, embora ninguém tenha sido acusado até agora.

Analisar os dados telefônicos permitirá saber que números foram chamados e em que momento. “Poderemos traçar a utilização de cada telefone, mas não podemos ler as mensagens SMS”, indicou Redwood.

“Nós refinamos essas informações sobrepondo a múltiplos outros dados. É como descascar uma cebola “, disse Redwood, que reconheceu que “um grande número” de telefones ainda não foram identificados e que essa é uma tarefa difícil, seis anos após o caso.

A polícia portuguesa já examinou parte das chamadas realizadas na época, mas não com tantos detalhes, segundo seus colegas britânicos.

Madeleine McCann desapareceu no dia 3 de maio de 2007, dias antes de completar quatro anos, em um hotel da Praia da Luz, no Algarve (Portugal), uma noite na qual seus pais saíram para jantar e deixaram seus três filhos dormindo sem supervisão de um adulto.

O desaparecimento atraiu a atenção da imprensa do mundo inteiro.

O Reino Unido decidiu reabrir a investigação, após Portugal ter arquivado o caso em 2008.

Após o pedido de cooperação para Portugal pelo Reino Unido, a polícia portuguesa “designou uma equipe para realizar os procedimentos requisitados pelas autoridades britânicas”, disse hoje o seu diretor nacional, José Almeida Rodrigues, à televisão Sic.

Sem fornecer detalhes sobre o “calendário e passos concretos”, ele informou que outra equipe irá rever os arquivos porque os “casos de crianças desaparecidas nunca são realmente fechados”.

Por sua parte, o Ministério Público reiterou que o caso continua oficialmente encerrado em Portugal. “O processo só pode ser reaberto em caso previsto por lei, como a descoberta de novas evidências”, disse a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal.