Pesquisadores criam 1ª perna artificial capaz de sentir

Sensores implantados no pé da prótese permitem que um amputado sinta movimentos e o chão onde está pisando

São Paulo – Pesquisadores na universidade de Linz, na Áustria, desenvolveram uma perna artificial capaz de simular algumas das sensações que um membro normal sente.

Para isso, os médicos transferiram as terminações nervosas mais próximas da pele para que elas recebessem impulsos de estimuladores instalados na prótese.

O membro do amputado é colocado em uma haste que contém estimuladores eletronicamente acoplados em seis sensores no pé da prótese. Então, os estimuladores recebem sensações da prótese.

Terminações nervosas que registram o movimento ainda estão presentes na perna de um amputado, mas não são mais estimuladas.

Segundo o professor Hubert Egger, líder da equipe que realizou o estudo, “em um pé normal, receptores na pele fazem essa função, mas aqui eles obviamente não existem. Porém, os condutores da informação – os nervos – ainda estão presentes, só não estão sendo estimulados.”

Um amputado austríaco chamado Wolfgang Rangger, que participou do teste da prótese, descreveu a sensação como “uma segunda vida, como renascer”.

Rangger, um professor aposentado, perdeu sua perna após sofrer um coágulo no membro há oito anos.

Ele passou os últimos seis meses testando a nova prótese. “Parece que tenho um pé de novo. Eu não escorrego mais no gelo e posso dizer quando estou andando no cascalho, concreto, grama ou areia. Posso até sentir pequenas pedras”, afirmou, durante uma coletiva de imprensa.

Esse é um passo importante no tratamento da chamada “dor fantasma” e os desconfortos que muitos amputados sentem.

Muitas vezes, após perderem um membro, as pessoas alegam sentimentos de dor, coceiras ou outras sensações desconfortáveis no braço ou perna que já não está mais ali.

No caso de Rangger, nos anos seguintes a sua amputação, ele sentia dores fortíssimas, que só eram aliviadas com uso de morfina. O novo membro não apenas oferece sensibilidade, mas também reduziu as dores a um simples desconforto.

Segundo o professor Egger, “o cérebro agora recebe informações reais ao invés de buscar por informações do membro ausente”. Egger afirma que Rangger é uma pessoa totalmente diferente daquela que ele conheceu em 2012.

“Naquela época, ele nunca ria e tinha olheiras constantes. Ele era incapaz de dormir mais de duas horas durante a noite por causa da dor, e tinha grande dificuldade para andar com a prótese convencional”, diz Egger. Atualmente, Rangger consegue até andar de bicicleta e fazer escaladas.

A prótese com sensibilidade custa entre 12 mil e 30 mil dólares. Egger espera que pequenas empresas comecem a construir o membro artificial, o que ajudaria a reduzir os custos da prótese.