Pesquisa busca mapear relação entre música e religião

Contexto da musicalidade em funções litúrgicas islâmicas, judaicas e cristãs será estudada

São Paulo – Jetro Meira de Oliveira, pós-doutorando do Instituto de Artes (IA) da Unesp, desenvolve, até 2014, pesquisa que busca mapear a maneira como diferentes pessoas, de diferentes idades e credos se relacionam com a música, em especial, a que se dá no contexto de funções litúrgicas islâmicas, judaicas e cristãs.

Intitulado “Rituais de equilíbrio e desenvolvimento: práticas musicais litúrgicas islâmicas, judaicas e cristãs”, o projeto sob orientação de Paulo Castagna, professor do IA, busca estudar como a música pode contribuir para o desenvolvimento da dimensão espiritual (independentemente das eventuais ligações das pessoas com instituições religiosas) e, em particular, se há características musicais ou relações específicas com a música que apontam para este sentido.

“Considerando-se que a religião deveria ser um dos principais canais promotores do desenvolvimento da dimensão espiritual, serão analisadas as práticas musicais litúrgicas das três grandes religiões monoteístas – islamismo, judaísmo e cristianismo – com o intuito de averiguar se e/ou como estas práticas contemplam aspectos de desenvolvimento humano em geral e, especificamente, da dimensão espiritual, permitindo assim um enriquecedor diálogo transcultural”, diz Oliveira.

Ele conta que as três vertentes religiosas possuem a mesma origem, o patriarca Abraão, a mesma base histórica, e aceitam o Antigo Testamento da Bíblia como livro revelado. Ao mesmo tempo, estas três grandes religiões possuem aspectos significativos que as distinguem, especialmente no uso da música em suas liturgias e experiência religiosa.

“Um aprofundamento da compreensão do uso e funções da música na experiência religiosa destas três grandes religiões poderá elucidar diferentes aspectos da interação do ser humano com a música e como esta pode contribuir para
estágios de desenvolvimento e estágios de manutenção de equilíbrio”, afirma.


O pesquisador verifica ainda que o universo religioso representativo do islamismo, judaísmo e cristianismo no Brasil é gigantesco. “Proponho estudar 3-4 centros representativos de cada uma das três vertentes religiosas que estejam localizados no estado de São Paulo”, diz.

Um pré-levantamento identificou 20 centros islâmicos e 16 centros judaicos localizados no estado de São Paulo que potencialmente poderão ser o campo desta pesquisa. O cristianismo tem produzido uma pluralidade de expressões. “Penso incluir representações de suas principais manifestações, como o catolicismo tradicional e carismático, o protestantismo e os movimentos pentecostais e neopentecostais, genericamente denominados de “evangélicos”, comenta.

Entre os objetivos, estão levantar quais são os valores, necessidades e experiências que as pessoas esperam que a música contemple na sua prática religiosa, distinguindo quais destes são homeostáticos e quais são desenvolvimentistas;
e apontar como a música pode atender a estas expectativas e como pode participar da promoção ativa do desenvolvimento da dimensão espiritual.

“Espero produzir um mapeamento da contribuição das práticas musicais litúrgicas do islamismo, judaísmo e cristianismo para o desenvolvimento humano em geral, e especificamente para a dimensão espiritual”, afirma Oliveira.

O pesquisador possui graduação em Música – Andrews University (1990), mestrado em Música, regência e musicologia – Andrews University (1996) e doutorado em Artes Musicais, regência e literatura musical – University of Illinois (2002) , atuando principalmente nos seguintes temas: regência, musicologia e educação musical.

“Trabalho com funções musicais litúrgicas em instituições religiosas/confessionais há mais de vinte anos. Já servi como ministro de música em diferentes denominações cristãs, incluindo a Igreja Presbiteriana, Igreja Batista e Igreja Adventista do Sétimo Dia. Como cantor, já participei de missas na Igreja Católica. Atualmente sou professor de regência e musicologia no UNASP, Câmpus Eng. Coelho, que é uma instituição confessional”, comenta. “Minha interação com o assunto desta pesquisa será parte do processo da mesma, permitindo observação, interação e participação.”