Os nostálgicos relógios Casio, precursores dos “smartwatch”

Em museu de Tóquio pode-se observar coleção de relógios que já foram sonhos de consumo para os amantes de tecnologia de alguns anos atrás

Tóquio – O Museu Casio de Tóquio oferece um nostálgico percurso pelos relógios mais icônicos da empresa, precursores dos “smartwatches” e referência tecnológica dos anos 1980.

Uma exposição que está aberta ao público até 24 de julho mostra os relógios de pulso retrô – com máquina de calcular, à prova d’agua e com tela sensível ao toque, então considerados vanguardistas -, dividindo espaço no museu com gadgets da marca como máquinas de calcular arcaicas e pianos eletrônicos.

A Casio foi pioneira na implantação de muitas das funções incorporadas pelos atuais queridinhos dos viciados em tecnologia, os relógios inteligentes (calendário, agenda, dicionários, GPS).

O tempo parece ter parado no velho lar do inventor Toshio Kashio (1925-2012), uma modesta casa de paredes e piso de madeira em Seijo, no bairro de Setagaya, em Tóquio, onde ainda hoje se conserva o estúdio do japonês.

Sobre a mesa ainda estão alguns de seus objetos pessoais, notas e fotografias.

A primeira máquina de calcular elétrica compacta do mundo, do tamanho de uma mesa, convive com instrumentos musicais eletrônicos e os relógios que revolucionaram as décadas de 80 e 90.

Seus ponteiros continuam paradoxalmente girando neste espaço atemporal para testemunhar a irrefreável passagem dos anos.

O Museu Memorial da Invenção Toshio Kashio abriu suas portas em 15 de maio de 2013, no primeiro aniversário da morte do inventor japonês, que em vida chegou a registrar nada menos que 313 patentes.

Cativado pela brilhante mente do americano Thomas Edison, um precoce Kashio decidiu aos seis anos que queria ser o pai de criações que o homem jamais tinha visto.

A criação da 14-A em 1957, a primeira máquina de calcular elétrica compacta do mundo, marcou a fundação da Casio, elaborada pelo japonês junto com seus três irmãos, Tadao, Yukio e Kazuo, este o atual presidente da empresa.

Exposta com orgulho no primeiro ambiente do museu, seus 341 relés continuam operando hoje, explicou à Agência Efe Satoko Matsumura, do departamento de Relações Públicas da companhia.

Mas se há algo que tornou a empresa mundialmente conhecida foram seus relógios, que já venderam mais de 1,3 bilhão de unidades no mundo todo.

À memória dos nostálgicos virá a imagem dos modelos de pulso com pulseira preta de borracha, perfeitos para as provas de matemática e para pular na piscina.

“A Casio foi pioneira na implantação de muitas das funções incorporadas hoje pelos ‘smartwatches’, como calendários, agenda, dicionários, medidores cardíacos e GPS”, lembrou Matsumura.

O modelo QWO2-10, de 1974, o primeiro do mundo com função de calendário, é exibido junto de outros exemplares que incorporaram sensores para medir a velocidade ou as calorias queimadas ao correr, desligam a televisão e o reprodutor de vídeo ou possuem termômetro infravermelho, todos lançados antes da segunda metade dos anos 90.

Masayoshi Okuyama, engenheiro assessor de Casio, os manipula com mãos destras.

Sensor de raios UV, câmera fotográfica, gravador… Foi desenvolvido até mesmo um modelo magnético capaz de indicar um ponto cardeal estabelecido, “perfeito para que os que professam a religião do islã saberem sempre para onde está a Meca”, assinalou Okuyama.

Embora a Casio costumasse centrar sua produção nestes relógios digitais multifuncionais, a estratégia da companhia deu um giro em 2004.

“Decidimos priorizar o desenvolvimento de relógios analógicos com funções digitais”, explicou.

Esta linha de negócio fez a Casio faturar no último ano “as vendas mais altas da casa” com 153 bilhões de ienes (R$ 3,85 bilhões).