Orkut: uma rede social para o mundo real

Orkut Büyükkökten, fundador da rede social que levava seu nome, diz que Facebook é impessoal e lança nova empreitada

Em julho, o turco Orkut Büyükkökten anunciou o lançamento de sua nova rede social, a Hello. O empreendedor já havia feito sucesso com a rede que levava seu nome e foi muito popular no Brasil, mas a empresa sucumbiu ao crescimento do Facebook. A aposta agora é em um negócio que “aproxime pessoas”, nas palavras de Orkut. “As redes sociais atuais são para colecionar fãs. A Hello é para fazer novos amigos”. A Hello é uma aposta do Google, seu principal investidor. Até agora, a rede está apenas entre as 200 mais baixadas do Brasil e não aparece na lista das 1.500 mais baixadas dos Estados Unidos nos dispositivos com iOS. Ter uma iniciativa de sucesso na internet é dureza. Orkut quer mostrar que consegue ter duas.

Por que criar uma nova rede social?
Muita coisa aconteceu nas redes sociais desde quando lancei o Orkut.com. Se olharmos para os jovens, eles estão crescendo junto às redes sociais, diferente da geração que começou a usá-las lá atrás. A maneira como nós acessamos informação também mudou muito. Fazemos compras e lemos notícias em dispositivos móveis e isso é uma mudança tremenda no nosso comportamento. A Hello.com é um capitulo novo nas redes sociais porque se adapta a isso. O Orkut.com foi maravilhoso, com 300 milhões de usuários ao redor do mundo, mas o panorama social mudou muito desde então e a Hello.com é a rede social para a nova geração.

Mas o que é tão novo na Hello.com?
Nossas melhores conexões partem das nossas afinidades e da troca de experiências com amigos e com pessoas que conhecemos por nossos gostos. Com o passar do tempo, passamos a ficar mais e mais tempo nas mídias sociais, e cada vez menos tempo se conectando com pessoas de verdade. Certamente, nós estamos nos tornando mais solitários e menos felizes e mais desconectados da vida. O objetivo da Hello é conectar as pessoas em torno de suas paixões. O usuário escolhe suas preferências e toda a experiência dele na rede é feita em torno disso, facilitando o encontro de outras pessoas com gostos parecidos.

O Orkut.com também foi construído em torno das preferências dos usuários, e ficou para trás. Não é um contrassenso?
Tem uma grande diferença. As comunidades do Orkut eram criadas pelos usuários e a pessoa tinha que encontrar uma comunidade para entrar nela. O que acontecia é que, com o tempo, muitas comunidades eram criadas com o mesmo propósito. Na Hello, temos uma aproximação diferente. Você escolhe suas paixões quando entra na rede e nós automaticamente customizamos sua experiência em torno disso. Apresentamos a pessoas e conteúdos. Toda vez que o usuário entrar no Hello, ele será exposto ao que tem interesse e que acontece próximo a ele. Assim, poderá, por exemplo, encontrar pessoalmente outros com os mesmos gostos que estiverem em uma localização próxima. Essa é uma das formas de trazer as pessoas para o mundo real.

Por que outras redes sociais não usam esse conceito?
É difícil para mim pensar o porquê. Se eu pensar no Facebook, ele não teria um grande benefício se fornecesse isso aos seus membros. Hoje, ele funciona quase como um lugar onde todo mundo pode colocar suas coisas e ter uma rede de fãs. Se a pessoa procura alguma forma de se comunicar com as pessoas, então elas vão ao Facebook. Mas se analisarmos o Facebook hoje, ele não é uma boa forma de conectar com uma comunidade e encontrar novas pessoas. Na Hello, nós queremos conectar as pessoas em torno do que elas gostam.

As pessoas têm reclamado do tempo que têm perdido lidando com tantas redes sociais. O senhor não acha que já temos muitas redes sociais?
Muitas redes sociais se tornaram obsoletas. Nós temos o Facebook que é para as pessoas se comunicarem com sua rede e fornecerem atualizações de sua vida para amigos e família; tem o WhatsApp e o Snapchat para mensagens e imagens privadas; tem o Tinder para encontros e romances; o LinkedIn para profissionais; Instagram e Twitter, que possibilitam que se compartilhe conteúdos com sua lista de seguidores. São redes sociais para compartilharmos o quanto somos felizes ou bons em alguma coisa que fazemos, não exatamente para se conectar com as pessoas e isso é uma questão de sobrevivência. É tão importante que nunca vai ser velho, porque faz parte das necessidades humanas. Nós vivemos tempos estranhos, quando as pessoas vão a um café e veem amigos, ou até um casal, cada um no seu telefone, falando com outras pessoas e não entre eles. Queremos criar um ambiente em que as pessoas consigam se expressar e serem reais.

Sua última rede social foi um fenômeno no Brasil, mas desapareceu com o crescimento do Facebook. O que o senhor aprendeu com isso?
Eu acho que é muito importante ter sensibilidade sobre como o mercado trabalha e continuar inovando e sendo criativo. O Orkut.com foi um capítulo muito interessante nas redes sociais, mas com o tempo esse espaço social mudou ele se tornou irrelevante. Era uma plataforma para computadores, a maioria das plataformas hoje são feitas pensando no mobile. A maneira de se comunicar também mudou com o passar dos anos. Se comunicar por mensagens, por exemplo, se tornou mais interessante do que ligar para as pessoas. Muita gente só conversa por mensagens. Se eu mandar e-mails para alguns amigos, eles demorarão dias para responder, mas se eu mandar uma mensagem no Facebook, eles retornarão em alguns minutos. As redes mudaram muito com o passar do tempo e o Hello é uma nova rede para novos usuários.