Organizações terroristas usam bitcoin para fundos de campanha

O grupo militante palestino Hamas desenvolveu um website para arrecadar criptomoedas por doações

São Paulo – Com a crescente popularização da moeda virtual bitcoin, a possibilidade de ser utilizada para fins ilegais passou a ser levantada recentemente. Segundo o jornal americano The New York Times, a divisão militar armada do grupo pró-palestina Hamas, conhecida como Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, desenvolveu uma campanha sofisticada para arrecadar dinheiro por meio da famosa moeda digital – conhecida por ser irrastreável.

Para conseguir arrecadar dinheiro digital, as Brigadas Qassam desenvolveram um site disponível em sete línguas – inglês, turco, malaio, francês, russo e indonésio – que possui um vídeo de apresentação para que o usuário saiba como doar bitcoin. Cada visitante do site recebe um endereço virtual de depósito único e não reutilizável, dificultando ainda mais o rastreamento da transação pela lei. Veja abaixo uma representação da página inicial do website:

Qassam Brigades Bitcoin

 (EXAME/Fund al-Qassam/Reprodução)

Ataques terroristas necessitam de um fundo para suas campanhas e ataques. Pelo que informam as autoridades, o dinheiro arrecadado é direcionado, principalmente, para compras de drogas ilícitas e lavagem de dinheiro. Yaya Fanusie, ex-analista da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, disse ao NYT que esse mercado tende a crescer cada vez mais. “Isso [a moeda digital] vai começar a fazer das opções de financiamento do terrorismo, e isso é algo que as pessoas devem prestar atenção.”

Após um homem ter sido preso acusado de doar 100 dólares para um membro da ala militar do Hamas, o grupo aprimorou sua tecnologia. Em vez de manterem uma carteira virtual que pode ser acessada por demais usuários da criptomoeda, o movimento pró-palestina resolveu criar sua própria carteira privada, que faz com que as transações estejam visíveis apenas para eles mesmos.

O mercado das criptomoedas ainda é novo para os economistas tradicionais, mas é um ambiente atraente para os que costumam trabalhar fora da lei pela facilidade de realizar transações sem a presença de uma autoridade verificadora, e sem a necessidade de uma identificação por parte do doador. Segundo o jornal, o mercado de drogas ilegais por meio da criptomoeda Bitcoin está arrecadando cerca de 1 bilhão de dólares por ano. Também é uma maneira de países movimentarem a sua economia sem as sanções realizadas pelos Estados Unidos – como acontece com a Rússia e o Irã.

Uma saída para esse mercado ilegalé estabelecer uma relação com bancos ou governos para garantir um controle maior do que acontece com a autorregulação realizada pela Bitcoin., como fez o Facebook que criou a criptomoeda Libra, A rede social firmou uma parceria com 27 empresas, incluindo a bandeira Visa, para garantir a legalidade das transações – que atuarão conforme a legalidade específica de cada país.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que administra tudo relacionado ao dinheiro público do país. está promovendo a ideia de estabelecerem leis internacionais que exijam que todas as organizações que realizam transações de moedas digitais peçam uma identificação completa do doador. No Brasil, corretoras já estão propondo uma legalização de moedas digitais, apesar de serem criptografadas por si mesmas.