Oferta de US$ 42 por usuário ressalta atrativo do WhatsApp

Aquisição busca garantir que o Facebook, e não outro aplicativo para dispositivos móveis, continue no centro das vidas digitais de pessoas

Londres – Dan Stiller já não usa muito o Facebook. Mark Zuckerberg vai pagar US$ 42 para trazê-lo de volta.

Esses US$ 21 por olho é o que o fundador e CEO da Facebook  vai desembolsar por cada usuário da WhatsApp, a plataforma de mensagens instantâneas que ele vai adquirir por US$ 19 bilhões. A meta: garantir que o Facebook, e não outro aplicativo para dispositivos móveis, continue no centro das vidas digitais de pessoas como Stiller, um gerente de construção de 27 anos em Melbourne.

“Todo mundo está indo para o WhatsApp”, disse Stiller, que usa o serviço para combinar saídas à noite com amigos e manter contato com parentes na Inglaterra e no Canadá. “Eu uso o serviço praticamente o dia todo”, disse ele. “Eu realmente não uso muito o Facebook e também é muito raro eu mandar uma mensagem de texto normal”.

Com 450 milhões de usuários, o WhatsApp tem uma base de seguidores particularmente forte na Europa e na Índia e é menos conhecido nos EUA, disse Zuckerberg aos investidores ontem. O serviço está substituindo rapidamente as mensagens tradicionais de texto como o método de preferência dos jovens para se manterem em contato nos dispositivos móveis.

Um dia em junho do ano passado, Whatsapp transmitiu 27 bilhões de mensagens, disse sua conta oficial de Twitter: 42 por cento a mais do que todos os SMS enviados no mundo em um dia típico do ano passado, segundo a empresa de pesquisas Informa Plc.

Busca de dados

Grátis no primeiro ano e a US$ 0,99 por ano depois, o WhatsApp é quase sempre mais barato do que enviar mensagens de texto, principalmente em comunicações internacionais. Para enviar fotos e vídeos, o WhatsApp normalmente é muito menos caro do que os serviços de mensagens multimídia das operadoras. E ao contrário do iMessage da Apple e do BlackBerry Messenger da BlackBerry Ltd., sempre esteve disponível em vários sistemas operativos, tornando mais fácil que um usuário do iPhone, por exemplo, possa conversar com alguém com um Samsung Galaxy.


Incorporar o WhatsApp ao Facebook, que tem sido alvo de grupos de proteção da privacidade porque alguns consideram que a proteção dos dados dos clientes é insuficiente, aumenta a preocupação de alguns usuários. O próprio WhatsApp tem sido criticado por armazenar dados extraídos de agendas de endereços para encontrar outros contatos que usam o serviço.

Atualmente, o Whatsapp não tem anúncios e as mensagens só podem ser vistas por um grupo pré-selecionado. Essas conversas podem conter grandes quantidades de pormenores. No WhatsApp é comum que os usuários deixem conversas entre duas ou mais pessoas abertas durante semanas ou meses, comunicando-se com frases rápidas ao longo do dia. Essas mensagens são uma rica fonte de dados para o Facebook, que personaliza cada vez mais seus anúncios, apesar de Zuckerberg ter dito ontem que o WhatsApp operaria independentemente do serviço principal do Facebook.

A força do WhatsApp na Europa e na Índia ajudará a Facebook, que procura se expandir fora da América do Norte, onde obtém quase metade da sua receita. E o mercado dos EUA oferece boas perspectivas de crescimento para o WhatsApp, diz a Informa.

Serviços parecidos, mas menos conhecidos, são oferecidos através da unidade Skype da Microsoft; Line, um aplicativo desenvolvido pela NAVER da Coreia do Sul, que é mais conhecido no Japão; e QQ, da Tencent Holdings Ltd. Outro concorrente, Viber, foi adquirido pela empresa japonesa de comércio eletrônico Rakuten Ltd. por US$ 900 milhões na semana passada, e o Facebook tem seu próprio aplicativo de mensagens, o Facebook Messenger.

A vantagem de Zuckerberg

O que o WhatsApp oferece é uma base de usuários grande e em aumento. Isso é uma vantagem embutida que Zuckerberg entende melhor do que a maioria; os sucessivos esforços para destronar a liderança do Facebook nas redes sociais fracassaram porque rivais como a Google não conseguiram adicionar uma massa crítica de usuários.

“O valor desses serviços está no número de pessoas que os usam”, disse John Delaney, analista de tecnologia para dispositivos móveis da empresa de pesquisa IDC em Londres. “Ultrapassando certo patamar de usuários, o serviço adquire impulso próprio”.