O engenheiro punk da Apple quer revolucionar as residências

Tony Fadell, um dos criadores do iPod e ex-vice-presidente da Apple, apresenta um controle de temperatura para residências tão elegante quanto um iPhone

São Paulo — Que graça pode haver num simples controlador de temperatura para residências? Tony Fadell, ex-vice-presidente da Apple e um dos criadores do iPod, brinca com o caráter singelo do seu mais novo produto. No blog da Nest, empresa que fundou no ano passado, ele conta que as pessoas acham esquisito quando ele diz que sua empresa faz termostatos. Não parece algo condizente com alguém que inventou o iPod

Fadell argumenta que milhões de residências com ar-condicionado e sistemas de aquecimento possuem controles de temperatura que não são nem eficientes nem práticos. Muitas pessoas ficam mexendo no dispositivo com frequência para corrigir uma temperatura alta ou baixa demais. E há muito desperdício de energia, já que o sistema frequentemente permanece ligado mesmo quando não há ninguém na casa.

Ele diz que 10 milhões de termostatos são vendidos nos Estados Unidos a cada ano. Logo, há uma oportunidade aí. A resposta de Fadell e sua equipe é um dispositivo que aprende os hábitos do usuário. Numa interface de comando muito simples, no estilo de Steve Jobs, a pessoa indica a temperatura máxima e a mínima que deseja – de dia, à noite e quanto está ausente. O aparelho se encarrega do resto e sinaliza quando está economizando energia.

O termostato trabalha conectado à internet via Wi-Fi. É possível ajustá-lo à distância usando um smartphone, tablet ou computador também conectado à internet. O produto está em fase de pré-vendas. Vai custar 250 dólares. Seu aspecto circular, com um único botão giratório lembra a “click wheel”, a rodinha de controle dos primeiros iPod, o que não é surpresa, é claro.

O engenheiro punk

O engenheiro de origem libanesa Tony Fadell bateu à porta da Apple, em 2001, com um projeto nas mãos: ele queria fazer um player de música portátil. Fadell já tinha montado uma empresa para isso, a Fuse, mas tinha encontrado problemas para obter financiamento. Decidiu, então, oferecer o projeto a outra companhia.


Ele não podia ter chegado a Cupertino num momento mais propício. A turma da maçã estava iniciando o desenvolvimento do iPod. Fadell foi contratado para traçar a estratégia para o novo produto, montar e liderar a equipe de 30 pessoas encarregada de desenvolvê-lo. Em 2004, ele se tornou vice-presidente de engenharia da Apple. Em 2006, substituiu Jon Rubinstein no posto de vice-presidente sênior da divisão iPod.

Walter Isaacson, biógrafo de Steve Jobs, descreve Fadell como “o engenheiro punk”. Quando jovem, Fadell, de fato, tinha cabelo oxigenado, que lhe dava uma aparência um tanto punk. Mas o apelido também tinha relação com a atitude de Fadell, ilustrada por um episódio narrado por Isaacson.

Animado pelos bons resultados conseguidos com os processadores da Intel no Mac, Steve Jobs havia decidido adotá-los também no iPad. Quando comunicou a decisão a Fadell, o engenheiro jogou o crachá da empresa sobre a mesa, ameaçando demitir-se, enquanto berrava: “Errado! Errado! Errado!”.

Fadell achava que a adoção do chip Atom, da Intel, tornaria o iPad sedento de energia, drenando rapidamente a carga da bateria. Ele acabou convencendo Jobs, que teria dito: “Eu ouço você. Não vou contrariar meus melhores homens.” E o iPad acabou saindo com o mesmo processador do iPhone.

Conselheiro de Jobs

Em 2008, Fadell era apontado como o segundo candidato mais provável para assumir o posto de CEO da Apple caso Jobs se afastasse (o primeiro era Tim Cook). Ele acabou saindo da empresa em 2008, mas continuou com o posto de conselheiro de Jobs até março de 2010, o que também dá uma ideia de quanto o fundador da empresa valorizava suas opiniões. O engenheiro punk permaneceu longe dos holofotes desde então. Só emergiu nesta semana para divulgar a Nest e seu controlador de temperatura inteligente.