Nova rede social Ello quer ser o anti-Facebook

Fundada para não ter anúncios, a rede social Ello quer ser antagonista de Mark Zuckerberg e o Facebook. Operando em beta, só usuários com convite podem usá-la

São Paulo – “Sua rede social é propriedade de anunciantes”. Assim começa o manifesto de inauguração de uma nova rede social, a Ello. Seu objetivo, em suma, é ser o anti-Facebook – posição já pleiteada por outros projetos antes.

Por enquanto, a Ello opera em beta. Durante esse período de testes, apenas usuários convidados poderão navegar e fazer amigos por lá. No site, é possível pedir um convite para usá-lo.

O objetivo da Ello é sobreviver sem a necessidade de anúncios no site. O modo de negócio do Facebook é usar posts, fotos e compartilhamentos de seus usuários para que seja possível vender espaço bem direcionado a anunciantes.

A nova rede social condena esse negócio. “Nós acreditamos que uma rede social pode ser ferramenta para dar poder. Não uma ferramenta para enganar, coagir e manipular”, diz o manifesto.

O discurso fortemente ideológico da Ello parece ter conquistado muita gente na internet. Ontem, quinta-feira, a rede congelou a abertura de novas contas para convidados. Em um comunicado, eles afirmaram que a rede viralizou e para não ter problemas no serviço, não aceitariam novos usuários por ora.

No Twitter, a jornalista Reyhan Harmanci, da Fast Company, publicou que, de acordo com os fundadores da rede, eles vinham recebendo 34 mil novos pedidos de perfil por hora.

O que a Ello não especifica em seu manifesto é como pretende continuar a operação quando for necessário aumentar o número de funcionário do serviço ou pagar por melhores servidores. O Facebook cria produtos e faz sua manutenção para um total de 1,3 bilhão de usuários e isso demanda bastante dinheiro.

O congelamento de novos convites que aconteceu ontem é a primeira evidência de que sem investimentos ou captação de recursos (no caso do Facebook, de anunciantes) é difícil manter a operação funcionando.

O funcionamento da Ello não é muito diferente das redes sociais atuais. Ela vem com um design bem minimalista e com poucos elementos na tela. É possível dividir as pessoas adicionadas em uma categoria mais próxima, de amigos, ou entre pessoas que você deseja acompanhar as publicações.

A rede não é a primeira a tentar antagonizar com Mark Zuckerberg e o Facebook. Um exemplo foi o Diaspora. A rede foi fundada por amigos em 2010 e captou 200 mil dólares no Kickstarter. Em 2012, a rede havia definhado, de acordo com o New York Times.

Outra, a Path, tinha como ponto divergente do Facebook outra questão: a quantidade de amigos. Nela haveria um limite de 150 contatos. Fundada em 2010, a rede passou por três rodadas de investimento e captou 57,5 milhões de dólares, mas até hoje não desencantou.