Novo Audi R8 Spyder chega ao Brasil até o final de março

Aceleramos o superesportivo pelas estradas alemãs sem limite de velocidade e pelas curvas dos Alpes italianos

Audi R8 Spyder

 (Audi/Divulgação)

Era início de verão na Europa. As ruelas dos pequenos vilarejos incrustados nos Alpes, na região entre a Áustria e a Itália, com seus típicos chalés de telhados pontudos, já estavam cheias.

Turistas lotavam restaurantes, bares e lojas. E, naquele começo de julho de 2017, por alguns minutos muitos deles desviaram a atenção das deslumbrantes paisagens alpinas e seus lagos de águas azuis, formações rochosas e campos verdes – e a voltaram para um inusitado grupo de seis carros conversíveis que desfilavam elegantemente pela sinuosa estrada. Eu, para inveja alheia, estava ao volante de um deles.

O carro era o superesportivo Audi R8 Spyder. Nosso roteiro incluía cenários para dois tipos de pilotagem diferentes: as retas das autobahnen, estradas alemãs em que não há limite de velocidade, e as curvas alpinas fechadíssimas.

Antes de dar a partida, tivemos uma aula. Foi sentada em uma sala de conferências do Aeroporto de Munique, onde desembarquei com um grupo de jornalistas e empresários fãs da marca, que aprendi que o R8 Spyder tem motor V10, com potência capaz de gerar 540 cavalos e torque de 55,1 mkgf.

Diante provavelmente de minha expressão atônita, meus colegas se apressaram em explicar: “É potente pra caramba”.

Nosso professor, que serviu de guia e nos acompanhou durante os três dias de tour, disse ainda que o Spyder vai de 0 a 100 km/h em 3,6 segundos e tem limite de 318 km/h.

E que a versão que chega ao Brasil agora neste primeiro trimestre é ainda mais forte: são 610 cavalos.

Saí da salinha em pânico por ter que ir embora do aeroporto já dirigindo uma máquina tão rápida. Preciso explicar que sou uma pessoa que não gosta de velocidade.

Na real, a temo. Se estou dirigindo, jamais ultrapasso o limite da estrada – mesmo que seja 40 km/h – para total desespero de quem está ao meu lado.

Tentei mostrar o controle da situação escolhendo a versão azul do carro para chamar de minha (ao menos por aquele dia), sentando nele, ajustando o banco e o retrovisor.

Dei a partida e, atendendo ao pedido do nosso guia, apertei um botão localizado no volante, que dá uma turbinada no som que sai do escapamento do carro.

Audi R8 Spyder

 (Audi/Divulgação)

Pisei no acelerador e… tomei um baita susto com o barulho, de tão alto. Pronto, as pernas começaram a bambear e eu vi pelo sistema de GPS do carro que logo ali, na esquina, já teria que enfrentar uma autobahn rumo ao belo Lago Tegernsee, por onde passaríamos para almoçar no Seehotel Überfahrt.

Na estrada, o carro cumpre absolutamente tudo o que nosso guia havia prometido. Cheguei rapidamente aos 140 km/h sem nem notar, achando que dirigia a 80 km/h.

Não tive coragem de passar o câmbio automatizado S Tronic para a troca manual, achei mais prudente entender o automóvel antes. Quando pisei um pouco mais, o carro deu um tranco tão forte que foi impossível manter o corpo sem ir para trás.

Até parar para o almoço, o máximo que tive a valentia de alcançar foi 180 km/h – suficiente para eu chegar ainda tensa, a ponto de derrubar toda a sopa da entrada no colo de um colega de imprensa (desculpa aí, Julio!).

A GENTE, ENFIM, SE ENTENDEU 

Depois do almoço, com a barriga cheia e as energias renovadas, comecei a entender melhor meu R8 Spyder.

Apertando um botão, baixei a capota com o carro em movimento (a operação dura 20 segundos e deve ser feita a, no máximo, 50 km/h) e segui rumo aos Alpes.

Audi R8 Spyder

 (Audi/Divulgação)

Lá fiquei muito mais à vontade: as curvas, fechadíssimas, que formavam cotovelos com ângulos superagudos, não permitiam que fôssemos muito rápido.

Sim, tirei onda até chegarmos ao Arosea Life Balance Hotel, em frente ao Lago di Zoccolo, na parte italiana, que seria nossa base nas duas noites na região.

No dia seguinte, mais estrada. Para meu alívio, basicamente tudo nos Alpes – sem ter que pisar fundo, portanto, e podendo aproveitar a paisagem de lagos de águas com um azul inacreditável e o deslumbrante paredão rochoso das Dolomitas.

Minha copilota foi uma empresária catarinense, Fernanda Bornhausen, que conectou seu smartphone ao sistema do R8 e, assim, nos proporcionou uma ótima trilha sonora saída dos alto-falantes Bang & Olufsen.

Coloquei o câmbio no modo Comfort (há ainda Auto, Dynamic e Individual) e aproveitamos.

Audi R8 Spyder

 (Audi/Divulgação)

SURPRESA A VISTA

Quando abri a janela de meu quarto na manhã do terceiro dia e olhei o topo dos Alpes, me preocupei. Havia neblina, e nosso roteiro avisava: dirigiríamos pela maior altitude da região.

Pensei: tudo bem, calma, até sairmos essas nuvens já se dissiparam. Ledo engano. Conforme subíamos a visibilidade caía, até que ficou praticamente impossível enxergar qualquer coisa.

Eu pilotava naquela estrada, em obras e sem mureta de proteção, 2,5 mil metros acima do nível do mar, um carro que voa com um leve toque.

Pânico. Confiei no sistema de GPS para me guiar e lembrei de quando jogava Enduro, no meu antigo Atari, no modo neblina.

Audi R8 Spyder

 (Audi/Divulgação)

Encostei e, assim que um trailer me ultrapassou, o segui, torcendo para que ele não despencasse – e eu junto. Cheguei quase meia hora depois de todo o grupo ao Interalpen-Hotel Tyrol, nossa última parada antes do retorno ao Aeroporto de Munique.

De volta à autobahn, e muito mais confiante, troquei para o câmbio manual e acelerei.

Cheguei a 238 km/h, ainda numa baita estabilidade, e só não fui mais veloz porque tive que reduzir graças a um carro que ultrapassava outro em minha frente.

Ou pelo menos foi essa a história que contei para os amigos.

Audi R8 Spyder

 (Audi/Divulgação)

AUDI R8 SPYDER PLUS

■ Motor
V10 5.2

■ Potência
610 cavalos

■ 0 a 100 km/h
3,3 segundos

■ Velocidade Máxima
328 km/h

■ Preço
Não definido