Putin, Zuckerberg e a censura

Toda censura será castigada? Junho começou com a internet em polvorosa por causa de cinco contas banidas da rede social Twitter. Tratavam-se de sátiras e paródias de políticos russos — do presidente Vladimir Putin, do Secretário de Estado Sergei Lavrov e do embaixador russo no Reino Unido, Alexander Yakovenko.

Um estudo do Pew Research Center conduzido em 38 países afirma que as pessoas crêem que alguns conteúdos não deveriam ser permitidos na rede, como linguagem sexualmente explícita ou ofensa a religiões e minorias. Cerca de 20% das pessoas dos países analisados acham, inclusive, que não se pode tecer críticas às políticas do governo.

A liberdade de discurso está em boa parte das constituições e é uma norma internacional, então é frequente que governos utilizem a censura como forma de controlar dissidentes. Na Rússia, no final do ano passado, o blogueiro Vadim Tyumentsev foi condenado a 5 anos de prisão por “promover o extremismo” em suas opiniões sobre a política russa na Ucrânia. A China prende militantes pró-independência do Tibet sob a alegação de estarem espalhando “ódio racial”. Já a Arábia Saudita mantém tolerância zero diante de blasfêmia.

O tiro tende a sair pela culatra. A tentativa de banir as contas do Twitter só gerou mais atenção, e elas acabaram recriadas algumas horas depois. Em maio, o Senado dos Estados Unidos criou uma comissão para avaliar uma acusação de que o Facebook retira notícias conservadoras da sua seção trending. O fundador da rede, Mark Zuckerberg, foi chamado a depor. A polêmica só gerou mais visibilidade para os temas em questão. Novos debates envolvendo censura e liberdade não devem tardar a aparecer.