Milionário que ficou rico consertando iPhones desafia Apple

A indústria de conserto aumenta a vida útil de iPhones, dando aos clientes uma razão a menos para comprar um novo modelo

São Francisco – Chega para lá, Samsung. Chegou uma nova e inesperada ameaça à Apple Inc. em smartphones. Seu nome é Justin Wetherill e ele conserta iPhones a um baixo custo.

Wetherill, 26, representa uma indústria de conserto de telefones de US$ 1,1 bilhão em expansão, que aumenta a vida útil de iPhones, dando aos clientes uma razão a menos para comprar um novo modelo.

“Muitas pessoas diriam leve meu braço, mas não leve meu celular”, disse Wetherill, que criou a UBreakiFix Co. porque não conseguia encontrar um lugar para consertar seu iPhone quebrado. “Se você pode ter seu telefone consertado por US$ 100 ou menos, isso é muito melhor do que comprar um novo”.

Na véspera do lançamento de novos iPhones, planejado para 10 de setembro, restauradores como Wetherill representam um desafio para a Apple, que já está às voltas com uma mudança na demanda de clientes por aparelhos mais baratos, além de a concorrência, liderada pela Samsung Electronics Co., estar inundando o mercado de smartphones.

O impacto cumulativo já é evidente. A Apple vendeu 31,2 milhões de iPhones no último trimestre, 17 por cento menos que no trimestre anterior. Na ausência de novos produtos, o lucro encolheu nos últimos dois trimestres.

As ações caíram cerca de 6,5 por cento neste ano até ontem, em comparação com um ganho de 16 por cento do índice Standard Poor 500, parcialmente por causa do ceticismo dos investidores sobre se a Apple pode aumentar as vendas.

Cansados de atualizar

“Há menos diferenças entre um smartphone novo e um com um par de anos, então as pessoas sentem uma necessidade menor de atualização”, disse Benedict Evans, analista da Enders Analysis. “À medida que a penetração aumenta, mais e mais donos de smartphones têm receitas mais baixas e menos interesse em gastar US$ 200 no último modelo a cada dois anos”.

A indústria de reparos dos Estados Unidos cresceu uma média de 11 por cento ao ano desde 2007, de acordo com a empresa de pesquisas IBIS World Inc.

Sendo severo

Essa cultura do conserto está agora “sendo exportada de volta para lugares como os Estados Unidos”, disse Jan Chipchase, pesquisador da Frog Design Inc. “Isso aumenta a vida útil desses produtos — o impacto ambiental é menor e, sob a perspectiva do consumidor, eles estão tirando mais do produto no qual eles investiram muito dinheiro”.


A Apple não vende peças ou ferramentas para consertos, obrigando as empresas a tirarem componentes de aparelhos velhos ou fazer acordos independentes com fábricas chinesas. A Apple também tem mandado cartas para websites para removerem da internet cópias dos manuais de conserto.

“O plano da Apple é a obsolescência planejada”, disse Kyle Wiens, fundador da IFixit, que vende ferramentas e componentes para lojas de conserto. “Eles querem usar o fim da vida útil de uma bateria como uma oportunidade para te vender um novo celular”.

Em 30 de agosto a Apple também iniciou um programa de trocas de iPhones, aceitando aparelhos antigos em troca de crédito para a compra de um novo smartphone.

Ainda assim, o mercado de peças e equipamentos para consertos está crescendo, com muitos dos mesmos fornecedores que trabalham com a Apple assinando acordos em separado com empresas de reparos. Os leitores online do manual não-oficial da iFixit para reparo de iPhones aumentou quase cinco vezes nos últimos três anos, disse Wiens.

Mercado lotado

Lojas de conserto por si só estão se tornando lugar-comum. De acordo com a IBIS World, existem mais de 2.200 empresas de reparos de telefones celulares nos EUA, com margens de lucro de cerca de 6 por cento. A concorrência maior significa que os preços vão cair e as oficinas que podem fazer pouco mais do que consertar uma tela de iPhone quebrado vão ter problemas, disse Nima Samadi, analista da IBIS World em Nova York. Se os preços dos novos smartphones também caírem, consertar pode não ser tão atraente quanto substituir o aparelho, acrescentou.

“Há muita demanda, mas não suficiente”, disse Michael Ghadieh, dono da Fix My Phone SF em São Francisco. Ele disse que o seu negócio, uma antiga locadora de filmes, está indo bem cobrando US$ 79 por uma substituição da tela do iPhone 4S e até US$ 275 para consertar um aparelho Samsung Note quebrado. Ainda assim, outros saíram do negócio porque não podem consertar nada além de um iPhone.

Wetherill, que está vendendo franquias sob o nome UBreaki Fix e teve US$ 17 milhões em receitas no ano passado, disse que a chave do sucesso é oferecer um serviço bom para ganhar clientes repetidos e aprender a corrigir todos os dispositivos móveis que se tornam populares.