Microsoft quer normas sobre reconhecimento facial para proteger as pessoas

Empresas e governos que identificam usuários por câmeras inteligentes devem seguir código de conduta

São Paulo – O presidente e diretor jurídico da Microsoft, Brad Smith, publicou na última quinta-feira (6) um longo texto em que detalha o posicionamento da empresa sobre o uso de tecnologias para reconhecimento facial e inteligência artificial, sugerindo a adoção de um código de conduta pelos governos e demais companhias que atuam na área. A intenção de Smith é que pontos importantes relativos às consequências da tecnologia sejam discutidos antes que ela se espalhe de maneira mais ampla.

“A menos que nós ajamos, corremos o risco de acordar daqui a cinco anos para descobrir que os serviços de reconhecimento facial se espalharam de maneiras que exacerbam os problemas da sociedade. Nessa altura, estes desafios serão muito mais difíceis de recuperar”, alerta o texto. Segundo o presidente, três potenciais armadilhas devem receber maior atenção: as análises enviesadas, a invasão de privacidade e a vigilância em massa.

Entre as recomendações estão algumas sugestões bastante diretas, como transparência, testes de terceiros, revisões de tecnologia por humanos e identificação adequada de onde e quando a tecnologia está sendo implementada. Além disso, há um pedido para que os governos acelerem o processo de regulamentação que, segundo Smith, vêm se arrastando e colocam o fardo sobre as empresas de tecnologia. A Microsoft planeja implementar seu código modificado e adequado aos pontos que defende no primeiro trimestre de 2019.

Estados Unidos podem ter vigilância da China

Também na quinta-feira, o grupo AI Now, filiado à Universidade de Nova York, publicou um relatório em que alertam para a possibilidade de os Estados Unidos se tornarem um estado de vigilância semelhante à China graças a seu uso do reconhecimento facial. No país asiático, a tecnologia já é usada para envergonhar publicamente pessoas endividadas, rastrear minorias e impedir que pessoas entrem em alguns conjuntos habitacionais, como conta o site Fast Company.

Para impedir que o cenário se repita no país, o grupo sugere a regulamentação pelo governo do uso de reconhecimento facial e de inteligência artificial, protegendo o interesse público. “As comunidades devem ter o direito de rejeitar a aplicação dessas tecnologias em contextos públicos e privados. Um mero aviso público de seu uso não é suficiente, e deve haver um alto limiar para qualquer consentimento, dados os perigos da vigilância em massa opressiva e contínua”, avisa o relatório.