Microsoft abre centro para combater crimes cibernéticos

'Microsoft Cybercrime Center é onde nossos especialistas se reúnem para concentrarem-se para que as pessoas fiquem seguras on-line', afirmou David Finn

A Microsoft anunciou nesta quinta-feira (14) a inauguração de seu novo Cybercrime Center. A central será a arma da empresa para combater crimes de informática, usando recursos da própria empresa para encontrar soluções contra software maliciosos, roubo de propriedade intelectual, exploração infantil e outros males que circulam na web.

A unidade de crimes digitais passa agora a ocupar um espaço de 1.560 metros quadrados em Redmond, e trabalha com base em coleta a análise de dados. Além do espaço para os próprios funcionários, também será permitida a entrada de pessoas e organizações de fora para colaborar com as pesquisas realizadas dentro da central – fator que, de acordo com a Reuters, já originou muitas vitórias contra o crime virtual na história.

O que há lá dentro? – Na unidade, os funcionários e colaboradores terão um laboratório para “dissecar” programas maliciosos, acessível apenas com a leitura de digitais – para garantir a segurança das informações e impedir que nada “vaze”. “O Microsoft Cybercrime Center é onde nossos especialistas se reúnem com clientes e sócios para concentrarem-se em uma só coisa: que as pessoas fiquem seguras on-line”, afirmou David Finn, da Unidade de Delitos Digitais da Microsoft.

Em outra sala, um monitor exibe uma lista com países e provedores de internet que têm mais computadores pertencentes a uma botnet, as redes de “robôs” que executam funções automaticamente – mesmo sem saber.

Um “cômodo” cheio de computadores fica bem ao lado da central de monitoramento. As máquinas são destinadas para uso dos pesquisadores visitantes, que poderão colaborar com a Microsoft em missões específicas ou por tempo indeterminado.

Histórico da Microsoft – Quando se trata de rastrear e derrubar páginas relacionadas ao crime virtual, a gigante dona do Windows tem um tanto de tradição. Nos últimos anos, “pelo menos metade das principais ‘derrubadas’ de sites foi feita pela Microsoft”, diz Steve Santorelli, antigo investigador da empresa, ex-detetive da Scotland Yard e agora trabalhando na ONG de segurança Team Cymru.

Exemplos mencionados pela Reuters são a investigação de uma máfia mexicana que vendia jogos piratas de Xbox, um cartel de pagamentos online que recebia em um estacionamento na Espanha e um russo criador de vírus. Agentes disfarçados da empresa também já compraram máquinas na China, e descobriram que todas vinham com Windows pirata – e uma extensão na investigação ainda revelou que uma série de máquinas ainda “servia” a uma botnet chamada Nitol.

Relação com a espionagem – O Cybercrime Center, no entanto, não vai de encontro à espionagem feita pelo governo norte-americano – com a qual, aliás, a Microsoft já foi apontada como colaborada, cedendo dados. O foco será mesmo na “derrubada” de serviços, sites e redes ligadas ao crime virtual. “Você verá coisas interessantes saindo daqui em um futuro próximo”, disse Richard Boscovich, ex-procurador federal ligado à Microsoft. “Essa é uma área em que o que é bom para os negócios é também bom para a sociedade.”

* Com informações de AFP e Reuters