Maioria dos usuários não sabe o que o Facebook sabe sobre eles

Segundo pesquisa, 74% dos usuários do Facebook nos EUA não faz ideia de que seus interesses estão listados na rede social

São Paulo — Uma parcela de 74% dos usuários do Facebook nos EUA não fazia ideia do que a rede social sabia sobre eles. Quem os surpreendeu com essa “novidade” foi o instituto Pew Research Center, que, para realizar uma pesquisa, apresentou a 963 norte-americanos a página de preferências de anúncios da plataforma.

Realizado entre setembro e outubro do ano passado, o estudo tinha como objetivo avaliar o quão por dentro do funcionamento da rede social estão os usuários do país. Os participantes do estudo foram primeiro direcionados para a página mencionada, que reúne basicamente tudo o que o Facebook sabe sobre eles. Muitos se mostraram surpresos com a existência dela.

Estão listadas ali as personalidades favoritas de cada usuário, seus interesses relacionados a negócios, seus esportes favoritos e até mesmo os hobbies que ele parece ter — tudo com base em suas ações na plataforma e, por vezes, fora dela.

É possível modificar todas as informações manualmente, mas, no geral, o Facebook organiza tudo automaticamente em categorias. E a plataforma parece saber o que está fazendo: 59% dos participantes disseram que a página reflete bem seus interesses, com apenas 27% alegando que o sistema estava muito ou completamente errado sobre eles.

Mesmo “elogiando” a precisão, 51% dos entrevistados pelo Pew Research se mostraram desconfortáveis com o fato de que o Facebook categoriza seus interesses em listas. E uma pesquisa do mesmo Pew Research já mostrou o que usuários insatisfeitos podem fazer: segundo o outro estudo, 26% dos usuários da rede social já chegaram a deletar o aplicativo dela de seus celulares em algum momento, enquanto 42% “deram um tempo” na plataforma.

Em comunicado enviado ao The Verge, a empresa ao menos se mostrou disposta a conversar. “Nós queremos que as pessoas entendam como nossas configurações de anúncio funcionam”, diz o texto. “E quanto nós e o restante da indústria de publicidade online precisamos educar melhor as pessoas sobre como os anúncios na internet funcionam e como protegemos as informações delas, nós estamos abertos a conversar sobre transparência e controle.”