Lobão descarta corte no abastecimento de energia durante a Copa

O governo tem sido pressionado a promover um racionamento de energia com a finalidade de evitar uma alta nas tarifas de energia elétrica

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, negou nesta segunda-feira qualquer possibilidade de racionamento no fornecimento de energia elétrica durante os jogos da Copa do Mundo.

“Recentemente foi muito elevada a demanda e, mesmo assim, o sistema reagiu positivamente. Não temos nenhuma preocupação com a demanda na Copa do Mundo. Mesmo que persista a falta de chuva”, declarou o ministro logo após reunião com empresários na sede da Federação das indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

As hidrelétricas são responsáveis hoje por 79% da energia gerada no Brasil, sendo os outros 31% fontes consideradas “complementares” pelo governo, como termoelétricas (29%) e energia eólica (2%).

Por isso, o governo tem sido pressionado a promover um racionamento de energia com a finalidade de evitar uma alta nas tarifas de energia elétrica; resultado do aumento da demanda e dos baixos níveis pluviométricos dos últimos meses, que têm gerado déficits às concessionárias de energia elétrica.

Neste ano, o setor elétrico viveu o que Lobão chamou de “prova de fogo”, com recordes históricos na demanda de energia devido ao calor acima da média neste verão, chegando ao pico de 85,7 mil MW de consumo em fevereiro, um recorde histórico.

“Nós temos a segurança de que não haverá problemas no setor elétrico pois estamos investindo maciçamente nele” ressaltou Lobão ao alfinetar o governo do estado de São Paulo afirmando que a situação é “o contrário do que acontece com o sistema Cantareira”.

São Paulo vive hoje uma das piores estiagens de sua história, com nível abaixo dos 9% no Sistema Cantareira, um dos principais reservatórios de água da capital.

Em sua apresentação aos empresários, o ministro trouxe um “comitê de monitoramento” que defendeu a segurança energética do país com dados comparativos da atual situação das hidrelétricas em relação a 2001, quando o país viveu um “apagão” com constantes racionamentos de energia.

De acordo com os números do Ministério de Minas e Energia, o consumo de energia registrou aumento de 51% entre 2001 e 2013 enquanto a capacidade instalada cresceu 73%.

Segundo Lobão, a situação de 2001 não se repetirá “principalmente porque o setor elétrico é hoje muito diferente do que era naquela época, quando havia geração insuficiente (de energia), inexistia um parque térmico complementar e não dispúnhamos de um sistema de transmissão totalmente integrado como temos hoje”.

“Não somos refratários de nenhuma economia, mas não proporemos nenhuma racionalidade ou racionamento se este comitê não considerar necessário”, comentou o ministro ao reafirmar a posição do governo.

“Se o fizéssemos faríamos desnecessariamente, mas não toparemos esta iniciativa”, concluiu.