Kim Dotcom ataca Estados Unidos em anúncio do Mega

Realizada em Auckland, Nova Zelândia, a coletiva de imprensa aconteceu horas depois do serviço ir ao ar

São Paulo – “Algumas vezes, coisas boas acontecem depois das ruins”. Foi com esta frase que Kim Dotcom abriu a coletiva de imprensa do anúncio oficial do Mega, seu novo serviço de armazenamento e compartilhamento de arquivos.

E ela foi dita para lembrar que aquele momento, “legal”, só acontecia por causa do fechamento do Megaupload e suas confusões com a justiça por favorecer a pirataria, há um ano.

Realizada em Auckland, Nova Zelândia, a coletiva aconteceu horas depois do serviço ir ao ar. E teve a participação de centenas de jornalistas de várias partes do mundo.

INFO, única publicação brasileira presente no evento, acompanhou todos as etapas do lançamento. E conseguiu uma sessão de fotos e uma entrevista exclusiva na mansão do criador do serviço, que serão publicadas na INFO de fevereiro.

O evento teve ares de uma guerra. Dotcom chegou acompanhado de modelos vestidas com trajes militares e andando em marcha. Elas ficaram o tempo todo perto do excêntrico empresário, formando uma fila de proteção para defender o patrão caso algo acontecesse.

Durante a coletiva, Dotcom apenas confirmou os detalhes do novo Mega, como os 50 GB de espaço livre para armazenamento, os planos pagos, as tecnologias e, claro, a criptografia que o protege de saber o que o usuário guarda no serviço.

“Com a tecnologia, a gente vai respeitar um direito básico do usuário, que é sua privacidade. Os países democráticos defendem esse valor fundamental e a Organização das Nações Unidas diz que isso é um direito básico”, disse.

Neste momento, Dotcom recapitulou o episódio que culminou na sua prisão e no fechamento do antigo serviço Megaupload. E garantiu que o mesmo não acontecerá com o Mega porque “ele foi desenvolvido para não ser pego pelo lobby da indústria americana de entretenimento”.


Ele também atacou o governo americano. Contou que o FBI compra discos rígidos de servidores desativados para recuperar informações de empresas e de usuários. E que os Estados Unidos têm uma equipe para inspecionar o tráfego de dados da internet. “Os americanos estão espionando todo mundo e investem bilhões em servidores e softwares de nuvem para roubar e armazenar dados alheios e sem autorização”, diz. No fim da declaração, alguns jornalistas chegaram a aplaudir Dotcom.

Depois de alguns minutos de coletiva, o barulho das hélices de um helicóptero e de um alto-falante ecoaram na mansão de Dotcom: eram atores vestidos de agentes do FBI desembarcando no local e falando que o evento “era a cena de um crime e a coletiva de imprensa, um evento ilegal”. As modelos vestidas de soldados cercaram o empresário, que gritou: “Vamos ser todos amigos, parem com essa loucura”. A cena, teatral, simulou o que ele passou há um ano, quando a polícia o prendeu por ordens da Justiça americana.

Ao finalizar a encenação, Dotcom apresentou Tony Lentino, CEO do Mega. Aos jornalistas, disse que o empresário era um grande amigo que o socorreu financeiramente nos problemas que teve com a justiça ano passado, como bancar as despesas com a mansão enquanto ele estava preso. Junto, responderam as seguintes perguntas dos jornalistas presentes:

O Mega vai acabar com os demais serviços de nuvem, como Dropbox?

Dotcom – Existem centenas de bons serviços de nuvem. Alguns deles, obviamente, fazem um serviço sensacional. Contudo, uma parte do público pode querer algo mais sofisticado, privado, e a gente pode oferecer isso. Portanto, eu não vou acabar com serviço concorrente nenhum.

O Mega pode prejudicar a relação da Nova Zelândia com outros países?

Dotcom – O governo e a Justiça daqui sabem que há algo suspeito nessas acusações em relação a mim. Por isso estou livre. Eu já comuniquei a todos que estou ajudando o desenvolvimento do país: vou abrir centenas de postos de trabalho e trazer todos os funcionários do Megaupload para trabalhar comigo. Eu vou dar a volta por cima com a ajuda da Nova Zelândia.

Você viola direitos autorais?

Dotcom – Nós apenas guardamos as coisas, como fazem sites como o Dropbox e o Boxnet. Ou seja, eu não violo direitos autorais nem agora e nem quando o Megaupload existia.