Kaltura quer revolucionar a entrega de vídeo na internet

Para Lars Jener, representante no Brasil do grupo responsável pelo player HTML 5 da Wikipédia, companhia é opção para quem quer ir além do YouTube

São Paulo – A Kaltura, companhia criadora da primeira plataforma de vídeo open source na web, quer expandir sua atuação no Brasil. Grupo responsável pelos players HTML5 da Wikipédia, de plataformas de treinamento de universidades norte-americanas e pelo serviço on-demand da Vila Sésamo (o Sesame Go), planeja maior atuação no Brasil depois de um aporte de US$ 47 milhões no início do ano.

INFO conversou com Lars Janer, country manager da empresa, sobre como a Kaltura quer ser uma alternativa para as empresas brasileiras que buscam monetizar conteúdo além do YouTube.

INFO: Quais soluções a Kaltura oferece?

Lars Jener: A Kaltura oferece uma solução de centralização de vídeos. O cliente pode subir tudo pela gente e a plataforma converte para 20 formatos diferentes. A Kaltura reconhece a banda e o dispositivo usado pelo usuário. Isso resolve o problema de quem contrata o serviço. É um problema comum em educação, por exemplo, pois você precisa funcionar em todos os navegadores e bandas.

Também é possível conectar com YouTube. Nós oferecemos um portal de vídeos para que o cliente tenha uma espécie de YouTube particular e instantâneo. Se o cliente possuir mil vídeos, por exemplo, todos eles estarão organizados. É um portal que vem com login e que pode ser usado para veiculação para público externo, marketing ou treinamento interno das empresas. A Philips fez, por exemplo, o portal chamado BlueTube com a gente.

Ela usa como um canal de treinamento. A Best Buy é nossa cliente nos Estados Unidos. Dá para conectar também com o sistema de videoconferência da empresa. Ao terminar uma reunião por vídeo, por exemplo, o vídeo já fica disponível no sistema. Uma única plataforma resolve todas as necessidades.

INFO: Seu modelo de negócio é cobrar pela banda ou pela quantidade de vídeos?

Lars Jener: O licenciamento da plataforma acontece cobrando pelo armazenamento e pelo streaming. Porém, se o cliente quiser usar o serviço similar ao YouTube, cobramos por milhares de logins usados. No caso de clientes educacionais, cobramos por milhares de alunos.

INFO: A ideia é que as empresas possam substituir o YouTube?

Lars Jener: A ideia não é substituir o YouTube. Uma empresa que já está lá não sairá jamais, mesmo porque se trata de algo importante para marketing. O que a gente quer é trazer o usuário do YouTube para um ambiente em que o cliente tenha controle.

É um ambiente em que o usuário termina de ver um vídeo do cliente e não vai ver a última piada do Porta dos Fundos, mas outro vídeo da empresa. Para quem trabalha com marketing, é uma maneira de criar um ambiente totalmente dele. É aí que entra outra chave do negócio, que é monetizar o conteúdo.

INFO: Foi isso que vocês fizeram com a Vila Sésamo?

Lars Jener: A Vila Sésamo foi um pouco além. Temos uma solução na qual o cliente pode cobrar uma assinatura do usuário. É um produto diferente nosso que chama media GO. Entregamos um portal com controle total. É a criação de um Netflix instantâneo. Isso é que tem sido a nossa grande demanda. Essa é a nova onda. Todo mundo está indo para esse modelo.

A Vila Sésamo cobra quatro dólares por mês ou 30 dólares por ano para que uma pessoa possa assistir no computador, no iPod, no iPhone e no iPad. Isso sem anúncio algum. Somos uma plataforma que permite ao produtor de conteúdo de qualidade chegar diretamente a quem consumir, sem intermediários. No YouTube, é bom lembrar, você divide 50% da publicidade. É uma loucura tentar ganhar dinheiro apenas ali.

INFO: E essa questão de quem é o dono do conteúdo parece central agora, não?

Lars Jener: Haverá uma revolução na entrega de conteúdo nos próximos anos. É uma preocupação de todo mundo. Seja da Globo, da Abril ou de qualquer outra empresa. A questão é: qual será o modelo? A nossa plataforma possibilita qualquer modelo, pois entrega em qualquer dispositivo. Entrega no videogame, na TV inteligente, no smartphone. A entrega de vídeo precisa ser feita onde e como o cliente quiser.