Irã acusa AIEA de “espionagem” e vazamento de informação nuclear

Reza Najafi acusou agência da ONU de 'espionagem' e de divulgar informação classificada sobre seu programa nuclear

O enviado permanente do Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Reza Najafi, acusou nesta sexta-feira essa agência da ONU de “espionagem” e de divulgar informação classificada sobre seu programa nuclear.

“É lamentável que, de novo, a agência tenha fracassado em proteger informação classificada. Enquanto o Irã e a agência faziam planos, notícias desses planos foram publicadas na imprensa ocidental”, afirmou Najafi em declarações divulgadas pela agência estatal iraniana “Irna”.

O diplomata, que não especificou qual foi a informação nem o veículo ao qual se referiu, considerou que este fato “confirma de novo as preocupações iranianas sobre a existência de atividades de espionagem na agência”.

Najafi acrescentou que a AIEA “deve cumprir com seu compromisso de proteger as informações confidenciais sobre a República Islâmica”.

As críticas aconteceram depois que vários diplomatas revelaram sua preocupação pela falta de colaboração suficiente por parte de Teerã com a AIEA nas inspeções de seu programa nuclear, mais especificamente sua possível dimensão militar, o que o Irã nega.

Segundo a “Irna”, o chefe do Departamento de Salvaguardas da AIEA, Tero Varjoranta, viajará para Teerã na próxima semana para tratar de “assuntos técnicos” relativos ao acordo de colaboração assinado em maio.

Nesse memorandum, Teerã se comprometeu a oferecer informações, antes do dia 25 de agosto, para esclarecer dúvidas existentes sobre seu programa nuclear em cinco pontos, porém, segundo a AIEA, isso ainda não foi feito.

Em fevereiro, as partes assinaram outro pacto para aumentar a transparência do programa nuclear iraniano. De acordo com a agência, o Irã cumpriu pontualmente os sete pontos acordados.

Parte da comunidade internacional teme que Teerã esconda, sob a aparência de um programa nuclear pacífico, a intenção de desenvolver armas atômicas, o que o Irã nega ao mesmo tempo em que reivindica seu direito de ter um programa nuclear para uso civil com a amplitude que considerar necessária.