iPhone em para-brisa ameaça lucro com navegadores de carros

O boom dos aplicativos de mapas para celulares está obrigando as montadoras a se adaptarem para manter o controle sobre o mercado de navegação

Tim Nixon, chefe de tecnologia do serviço OnStar, da General Motors Co., entendeu que algo estava errado quando viu seus dois filhos usando o “método da ventosa” para ver mapas no carro: colocavam seus iPhones de lado, os grudavam no para-brisa e usavam uma aplicação gratuita de mapas para orientar-se.

Era a negação do trabalho da vida do seu pai: convencer os compradores de carros a pagar US$ 1.500 ou mais por um painel de navegação com uma tela de 8 polegadas e gráficos complexos.

Ao invés de ralhar seus filhos, Nixon criou uma resposta: agora, a GM oferece uma aplicação de mapas para iPhones por US$ 50, que pode funcionar na tela de toque do painel de um Chevrolet Spark de US$ 12.170.

Começou a carreira para o carro totalmente conectado. Reproduzir música da internet desde o carro já não é suficiente. Cada vez mais pessoas utilizam seus smartphones para orientar-se enquanto dirigem, o que ameaça os caros e lucrativos sistemas de navegação das montadoras de carros.

O motivo é simples: muitas aplicações de mapas são de graça, ao passo que os sistemas incorporados custam entre US$ 500 e mais de US$ 2.000.

O boom das aplicações de mapas para celulares está obrigando as companhias automotoras a adaptar-se para poder manter o controle sobre o florescente mercado de navegação.

A instalação de sistemas de navegação em carros, no mundo, aumentará para 32,7 milhões de unidades em 2019, mais que o dobro da cifra atual de 13,8 milhões, segundo a consultoria IHS Automotive.

Nos EUA, metade dos carros possuirãosistemas de navegação em 2019, acima dos 25 por cento atuais, segundo as previsões da IHS, publicadas num relatório sobre sistemas de entretenimento e informação para carros, divulgado nesse mês.


Até agora, a maioria dos sistemas de navegação dos carros não tem conexão com a internet. Em vez disso, utilizam mapas carregados em DVDs que funcionam com GPS para definir uma trajetória.

Esses mapas ficam rapidamente desatualizados, especialmente porque há pontos de interesse – como lanchonetes e postos de gasolina – que abrem e fecham. As aplicações dos smartphones têm mapas e pontos de interesse mais atualizados porque obtêm dados de internet de forma constante graças ao serviço de armazenamento e ao serviço de computação conhecido como a nuvem.

Motoristas frustrados

“Muitas pessoas pensam que seu smartphone tem maior velocidade de processamento, oferece melhores pontos de interesse e conta com melhores dados de mapas”, disse Mike VanNieuwkyuk, diretor executivo de pesquisa global sobre automóveis da J.D. Power Associates. “Os consumidores ficam rapidamente frustrados quando recebem o veículo e os dados do mapas estão até um ano e meio atrasados ou mais ainda. É muito frustrante para uma pessoa procurar um lugar que conhece e que o mapa não possa encontrá-lo”.

Em algum momento, os carros e as aplicações de mapas para celulares se unirão porque se complementam entre si, disse Michelle Moody, gerente de marketing de tecnologia para consumidores da Ford.


Os carros possuem uma conexão a GPS mais forte e uma tela maior, ao passo que as aplicações de iPhone contam com os mapas mais novos e atualizações sobre o estado do trânsito fornecidas pelos usuários.

“Em verdade, nenhum dos dois é uma solução perfeita sozinho”, disse Moody. “Juntos, poderiam ser a solução perfeita”.

Para Di-Ann Eisnor, diretora de negócios nos EUA da aplicação de mapas Waze, chegará uma época em que a Waze estará incorporada nas funções de um carro, podendo procurar informações sobre fenômenos como tormentas quando o motorista acender o limpador de pára-brisa do carro.

As informações sobre a velocidade do carro e os freios nas redes sociais reduziriam o trânsito e tirariam as pessoas das estradas mais rapidamente, disse Eisnor.

“Essa informação poderia economizar bilhões de horas por ano”, acrescentou Eisnor. “Isto possui um grande potencial”.