Investigadoras cibernéticas entram no clube dos rapazes

Mulheres adquiriram cada vez mais proeminência trabalhando como hackers em empresas de tecnologia, incluindo a Apple, a Microsoft e startups

San Francisco – Tiffany Rad está transformando completamente os estereótipos de gênero da indústria do software.

Rad faz parte dos chamados chapéus brancos, hackers especialistas em procurar brechas na segurança para que elas possam ser reparadas.

Em 2008, a advogada converteu seu hobby, o hacking de computadores, em uma carreira, quando apresentou uma proposta de pesquisa em uma conferência secreta sobre segurança em Nova York.

A apresentação de Rad a catapultou para a indústria e agora ela é gerente de pesquisa sobre ameaças da ThreatGrid, empresa especializada em análise de software malicioso, que foi comprada pela Cisco Systems Inc. em maio.

“Poder me apresentar nessas conferências foi fantástico para começar a minha carreira”, disse Rad, que com frequência dá palestras em eventos de segurança e já trabalhou para empresas de segurança cibernética de primeiro nível.

“Agora eu encontro com muito mais mulheres que fazem a mesma coisa”.

Na última década, mulheres como Rad adquiriram cada vez mais proeminência trabalhando como chapéus brancos em empresas de tecnologia, incluindo a Apple, a Microsoft e startups, refletindo o perfil crescente das mulheres em toda a indústria da tecnologia de segurança.

Várias delas assumiram posições de liderança, como Heather Adkins, que se uniu à Google Inc. em 2002 como um dos membros fundadores da equipe de segurança da companhia e agora é gerente da equipe que responde a ataques de hackers contra suas redes corporativas.

Mulheres como exceção

Há mais mulheres do que homens nas posições específicas de analista e conselheiro trabalhando na prevenção de intrusões e no fortalecimento de defesas tecnológicas, segundo estudos feitos em 2011 e 2013 pela International Information Systems Security Certification Consortium (ISC2).

O número de mulheres que participam de conferências de segurança também aumentou para centenas ou mais em eventos cruciais como Black Hat e DefCon, em comparação com quase nenhuma há 15 anos, de acordo com os organizadores dos eventos.

Essa realidade contrasta com tendências da indústria de tecnologia em geral, onde no ano passado 74 por cento dos americanos que trabalhavam em informática e matemática eram homens, segundo a Secretaria de Estatísticas de Trabalho.

Recentemente, empresas do Vale do Silício como a Google e a Facebook se enredaram em um debate sobre a falta de funcionárias mulheres, publicando dados que mostravam que as mulheres representavam menos de 40 por cento dos seus funcionários.

Um impulsionador do aumento do número de mulheres como chapéus brancos é a meritocracia das conferências sobre tecnologia de segurança, onde os participantes apresentam artigos e discutem falhas nos códigos.

Isso as ajuda a mostrarem imediatamente suas habilidades, diferentemente de outras reuniões sobre tecnologia em que as empresas vendem seus produtos e não dão aos assistentes a oportunidade de discutirem suas descobertas.

Mulheres pioneiras também têm ajudado a estabelecer um precedente para que suas contrapartes entrem na indústria, pois a crescente preocupação com a segurança cibernética atrai uma série de investimentos e cria empregos.

A indústria da segurança ainda sofre de algumas das mesmas disparidades de gênero encontradas no resto do mundo da tecnologia. As mulheres são apenas 11 por cento do pessoal de segurança da informação no mundo, segundo o ISC2.

Além disso, somente uma das 80 maiores empresas de segurança de capital aberto do mundo tem uma CEO mulher, de acordo com dados compilados pela Bloomberg Rankings.

É Eva Chen, formada pela Universidade de Texas, que possui um MBA e um mestrado em gestão de sistemas de informação. Ela foi uma das fundadoras da fabricante de software Trend Micro Inc. e trabalhou em posições seniores na empresa com sede em Tóquio durante 16 anos antes de se tornar CEO em 2004.

Metade da sala Ainda existem pequenos preconceitos contra mulheres que trabalham como chapéus brancos, disse Rad.

Ela conta que há vários anos, enquanto esperava na fila para pegar seu crachá de oradora em uma conferência, alguém que assumiu que ela estava no lugar errado lhe disse que fosse à fila da imprensa.

Mas hoje ela vê mais mulheres entrando nesse campo. Durante os últimos dez anos, Rad deu aulas de Direito e Ética de Segurança da Informação na University of Southern Maine. Nos primeiros dois anos, não havia estudantes mulheres.

Agora metade dos alunos são mulheres.