Internautas protestam após bairro de SP recusar metrô

Um abaixo-assinado a favor da estação circula na rede

São Paulo – A decisão da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) de instalar uma das estações da futura Linha 6 – Laranja no Pacaembu em vez de em Higienópolis provocou piadas e protestos ontem na internet. Apesar de a companhia negar veementemente que tenha cedido à pressão popular de moradores de Higienópolis para excluir do projeto uma parada na Avenida Angélica, o assunto à noite se tornou o mais comentado do Twitter brasileiro e foi discutido por pessoas também de outros Estados.

Em meio à polêmica, ainda surgiu na rede um abaixo assinado a favor da estação. O texto diz que a decisão do Metrô foi “preconceituosa” e destaca que a obra é “desejo de milhões de paulistanos”. No Facebook, convite para “churrasco diferenciado em frente ao Shopping Higienópolis” para mostrar que “ricos não chegam aos pobres, mas pobres, sim, facilmente chegam aos ricos” tinha sido “aceito” por 34 mil pessoas até as 8 horas desta manhã. O anúncio do evento no sábado promete levar “farofa, carne de gato, cachorro, papagaio e som” para a Avenida Higienópolis.

O novo projeto da Linha 6 – Laranja foi apresentado na semana passada em audiência pública. Com 15,3 quilômetros, deve ir da estação São Joaquim, na região central, à Vila Brasilândia, na zona norte. Apelidada de “linha das universidades” por prever estações perto de seis centros de educação superior, como PUC e Mackenzie, o ramal previa uma parada na Angélica, onde atualmente há prédio residencial e supermercado. Com a mudança, a estação foi para perto da Faap, em local ainda não definido.

Defesa

“Quando assumi essa pasta, encontrei um projeto que tinha a Estação Angélica a 650 metros de outra, a Higienópolis/Mackenzie. Ficou desbalanceado e por isso refizemos os estudos técnicos. Quando os moradores vieram aqui, disse a eles que já tínhamos desistido. Não teve relação nenhuma com pressão”, diz o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. “E quero manifestar minha indignação com pessoas que lutam para não ter um serviço como o Metrô, quando há um universo de outras pessoas que serão beneficiadas.”

A Associação Defenda Higienópolis comemorou a decisão, mas tentou se desvencilhar da imagem de elitista. “Nosso bairro tem uma grande população de terceira idade, que costuma fazer tudo a pé, então haveria uma descaracterização do bairro. Mas o fundamental é que perderíamos o supermercado, que é o único local que temos 24 horas como loja de conveniência”, diz o presidente, Pedro Ivanow.

“Um dos pontos que a associação levantou era a pouca distância entre uma estação e outra. Higienópolis não é contra o metrô.” Para ele, piadas e protestos na internet são “parte da democracia”. E é “extremamente positivo” o movimento de internautas pedir paradas em seus bairros. “O metrô é uma necessidade enorme da cidade, principalmente nas regiões periféricas.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.