Governo quer colocar chip em armas para fiscalização

O Ministério da Justiça estuda a possibilidade de obrigar os fabricantes de armas a implantar, nelas, um chip com informações para facilitar a fiscalização

São Paulo — O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou que o governo federal pretende discutir a possibilidade de instalar chips eletrônicos em armas para auxiliar na identificação. O anúncio aconteceu durante um encontro do ministro com ONGs para discutir uma nova campanha de desarmamento no país, após a tragédia ocorrida na escola Tasso de Oliveira, em Realengo, no Rio de Janeiro.

A proposta do governo seria possibilitar uma espécie de identificação e rastreamento de armas, porém ainda haverá um estudo técnico para checar a viabilidade do projeto para que o mesmo possa ser votado no Congresso. Especialistas aprovam a iniciativa do governo, mas ponderam que o projeto precisa analisar o tipo de operação pretendida com a inserção desses chips.

“Se o objetivo for identificar a arma a uma curta distância, não será necessário muito espaço para o chip, que poderá ter apenas 1 milímetro quadrado de tamanho. Além disso, o dispositivo precisa ser indelével, não pode depender de bateria, não deve ser clonável e precisa utilizar criptografia”, aponta Dario Sassi Thober, diretor do Centro de Pesquisas Avançadas Wernher Von Braun.


Para Thober, se o projeto for adiante, será uma grande oportunidade também para o setor no país, que possui uma das mais avançadas tecnologias para o desenvolvimento desse tipo de codificação para chip eletrônico. A opção pela identificação a curta distância seria a ideal, uma vez que chips com frequências de rádio para longas distâncias necessitam de antenas e essa tecnologia permite o bloqueio de sinal com mais facilidade.

“A opção deve ser por um uso sistêmico, preocupando-se com a distribuição dessas armas. A utilização do chip ajudará a evitar a ilegalidade e fraudes na duplicação do número de série. Se esse número for raspado, no chip não será possível burlar essa informação, mesmo que consigam danificá-lo, devido aos algoritmos de criptografia empregados nele”, pondera.

Apreensão

Dados do Centro de Pesquisas Avançadas Wernher Von Braun apontam que 10% das armas apreendidas acabam retornando ao mercado de forma ilegal. “A ação deve ser para inibir criminosos. A validação física dessas armas ajudará a amarrar essa cadeia, vinculando pelo sistema o que sai e para quem sai”, completa Thober.

De acordo com o especialista, a inclusão dos chips e o registro eletrônico podem ocorrer em armas já fabricadas também. O governo não especificou qual será o objetivo da inclusão de chips nas armas, mas Thober acredita que possa ser o mesmo da identificação digital de peças automotivas. A tecnologia viria para identificar de onde saiu aquele armamento, evitar fraudes e coibir a venda a pessoas não-autorizadas. Não serviria para localizar ou rastrear a arma.