Google tem crescimento agressivo em categoria curiosa no Brasil

Vendas de vale-presentes da companhia quase dobraram no último ano. E isso é bom para todo o setor

São Paulo – O Brasil se tornou um dos principais mercados para o Google em uma categoria curiosa: a de vale-presentes. Mais especificamente, vouchers para a compra ou o pagamento de assinaturas de aplicativos na Google Play, a varejista digital de apps da gigante de Mountain View. Conforme apurado com exclusividade pela EXAME, as vendas no segmento cresceram 90% no País durante 2018. E isso pode ser determinante para os desenvolvedores brasileiros

O fato do brasileiro comprar mais cartões de desconto do Google pode não parecer algo impactante ao setor à primeira vista, mas pode ter potencial determinante para a economia digital como um todo. Isso porque o aumento no consumo significa um aumento na compra ou na assinatura de aplicativos.

Entre novembro de 2018 e o mesmo mês do ano retrasado, a empresa viu as receitas dos serviços de assinatura crescerem 220%. A companhia também informou que o número de desenvolvedores brasileiros com faturamento de até 100 mil dólares por mês cresceu 40%. Já o número de programadores com receitas superiores a 300 mil dólares por mês mais do que dobrou no período.

O crescimento no comércio dos cartões tem relação direta com os esforços da companhia para democratizar o produto que foi lançado em 2014. Além de poder ser adquirido pela internet, o voucher pode ser adquirido fisicamente em varejistas físicas, como as Lojas Americanas. Dados de março deste ano apontavam que 7,5 mil pontos de venda comercializavam os produtos.

Outro esforço neste sentido foi a expansão das ofertas que podem ser adquiridas com os vale-presentes. A principal é a recarga de créditos para o celular através do modelo Recarga Google Play. Até novembro do ano passado, mais de 1 milhão de códigos de recarga haviam sido adquiridos usando os vouchers. O sucesso fez o modelo ser exportado para países como Indonésia e Itália.

Do lado do Google, incentivar a compra e a assinatura de aplicativos no Android é uma estratégia que faz sentido nos negócios. Principalmente porque a principal rival da empresa neste sentido, a App Store, da Apple, lidera o setor com números ainda distantes.

Dados da consultoria americana Sensor Tower mostram que a receita do Google Play passou de 19,8 bilhões de dólares para 24,8 bilhões de dólares entre 2017 e 2018, alta de 27,3%. A fabricante da maçã, por sua vez, aumentou seu faturamento no varejo digital de apps em 20,4%, passando de 38,7 bilhões de dólares para 46,6 bilhões de dólares.