GIF completa 30 anos e ganha status de linguagem

O formato está mais vivo do que nunca: mais de 13 bilhões de GIFs foram compartilhados no aplicativo de mensagens Facebook Messenger em 2016

São Paulo – Trinta anos podem ser uma eternidade no mundo da tecnologia. Basta pensar nas inovações dos anos 80 e quantas delas são usadas até hoje.

Não são muitas. Mas é o caso do Graphics Interchange Format, o popular GIF. Criado em 1987, o formato de imagem passou por altos e baixos, porém tornou-se um símbolo de comunicação na era da internet móvel.

O GIF sobreviveu até agora pela sua capacidade de reproduzir imagens animadas em arquivos leves e engraçados.

Hoje, o formato está mais vivo do que nunca: mais de 13 bilhões de GIFs foram compartilhados no aplicativo de mensagens Facebook Messenger em 2016.

No Brasil, a busca por arquivos do tipo no Google está no nível mais alto desde 2007.

“Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras. Um GIF com certeza vale muito mais”, diz Abhishek Singh, pesquisador da Universidade de Nova York. Quer um exemplo?

“Mandar um GIF de um gatinho fofo brincando para alguém desanimado é mais eficiente do que uma mensagem longa”, avalia Kevin Hu, pesquisador do Media Lab, centro de pesquisa em tecnologias digitais do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

O mesmo vale ao demonstrar insatisfação com a ajuda da cantora brasileira Gretchen ou de séries americanas como The Office e Friends.

“O GIF é mágico porque nos dá a oportunidade de expressar sentimentos complexos”, diz David Rosenberg, diretor de desenvolvimento de negócios do Giphy, startup conhecida como “Google dos GIFs”.

Sobe e desce

Mas nem sempre foi assim. Em 1987, quando a internet ainda engatinhava, o engenheiro Steve Wilhite, da CompuServe, criou o GIF para ser um formato “universal”.

Ele era leve, tinha resolução razoável e funcionava no Macintosh, da Apple, e outras máquinas, como Commodore.A princípio, porém, não tinha as duas características que o fizeram famoso.

A primeira era a capacidade de exibir animações – que apareceu em 1989, em sua segunda versão. O outro é o “loop infinito”, que só nasceu em 1995, pelas mãos do desenvolvedor Marc Andreessen, na segunda versão do Netscape, um dos navegadores de internet mais populares dos anos 90.

“Na época, havia outros formatos bons, mas eles eram caros e pesados”, diz Jason Scott, historiador do Internet Archive, grupo dos EUA sem fins lucrativos dedicado a preservar a história da rede.

“Até o início dos anos 2000, o GIF era onipresente na internet.” Essa superexposição fez os GIFs virarem sinônimo de tecnologia ultrapassada. No meio dos anos 2000, ele foi substituído por outros formatos, como o Flash, da Adobe. “Ele quase matou o GIF”, diz a pesquisadora em comunicação Ludmila Lupinacci.

Retomada

O caminho da inovação, porém, fez o formato voltar à tona em 2007. Com o advento dos dispositivos móveis, o Flash virou um problema, pois era muito complexo e pesado – a Apple, por exemplo, recusou-se a adotá-lo no iPhone. Aos poucos, toda a internet seguiu a mudança.

“De repente, o GIF, aquele formato que eu usei na quinta série, estava em tudo que é canto”, diz Ludmila. Hoje, as redes sociais usam imagens animadas – o Twitter tem um diretório de imagens que filtra os GIFs por expressões.

“É uma forma de ajudar o usuário que quer se expressar dessa forma, mas não entende o conceito”, diz Leonardo Stamillo, diretor editorial do Twitter.

Ao infinito e além

Outra característica que mantém os GIFs em alta é seu caráter universal. “Eles não têm idioma ou som e podem ser entendidos por um brasileiro ou um chinês”, diz Hu.

É como os emojis – sinais gráficos usados para representar emoções e símbolos. Mas enquanto os emojis são padronizados, os GIFs são anárquicos.

“Uma pessoa triste com um emoji não é tão intensa quanto quem usa um GIF de alguém chorando”, diz Scott.

“O GIF representa o lado aberto da web.”Há quem defenda que, mais que um formato, o GIF seja sinônimo para um “vídeo curto que se repete infinitamente”.

E isso faz muitos apostarem que continuará em uso. “Ele vai existir até descobrirmos como transferir pensamentos de um cérebro para outro”, diz Scott. “Ainda vai demorar.”