Futebol é a nova aposta do Facebook

Este é um novo passo para o gigante da internet rumo à aquisição dos direitos de transmissão dos principais eventos esportivos

Com o intuito de aumentar o número de usuários em sua nova plataforma de vídeo, o “Watch”, especialmente em países emergentes, o Facebook decidiu apostar no futebol, um novo passo para o gigante da internet rumo à aquisição dos direitos de transmissão dos principais eventos esportivos.

Deixando a Europa de lado, pelo menos por enquanto, a rede social mergulhou de cabeça em outros mercados, o que lhe dará uma ideia sobre sua capacidade de mobilizar os usuários.

Com a Liga espanhola na Ásia, mais concretamente na Índia, e Liga dos Campeões e Liga Europa na América do Sul, o Facebook iniciou testes em grande escala.

“Tratam-se de mercados ainda em crescimento para o Facebook e suficientemente grandes para realizar este tipo de teste, com muitos clientes em potencial e ao mesmo tempo direitos mais baratos do que na Europa”, detalha Dexter Thillien, analista da Fitch Solutions.

“Não há riscos demais e é possível gerar uma audiência. Na Índia, o futebol não faz parte da cultura local, mas interessa cada vez mais. E quando o conteúdo é gratuito, isso retira uma restrição a pessoas que de outra forma não assistiriam”, confirma Vincent Chaudel, especialista em economia do esporte para a empresa Wavestone.

Para a rede social, o interesse é principalmente manter online seus usuários e favorecer as interações com eles. E o esporte é o melhor aliado.

“Foi possível comprovar taxas de compromisso particularmente fortes em nossos usuários durante a Copa do Mundo de futebol”, reconhece o Facebook, que apresentou níveis recordes de mensagens sobre o evento.

 Amazon e Twitter no páreo

“O Facebook dispõe de todos os meios que permitem conectar os usuários às marcas. O que a empresa precisa agora é possuir um conteúdo que mantenha os usuários online, e o esporte consegue isso”, completa Chaudel.

Mas o Facebook não é o único gigante de tecnologia a ver o futebol como essencial para seu crescimento e para o desenvolvimento de seu conteúdo. Outros gigantes do setor também enxergaram a oportunidade.

A Amazon, por exemplo, vê a oportunidade de atrair clientes para sua mensalidade Prime combinando conteúdos de internet e condições de privilégio na entrega de produtos de sua loja online.

No Reino Unido, a empresa oferece vários torneios de tênis com exclusividade, entre eles o US Open, e transmitirá cerca de 20 jogos da Premier League por temporada a partir de 2019.

“A estratégia é diferente para a Amazon. De fato, a receita com propaganda está no coração (da estratégia), mas isso permite antes de tudo enriquecer a oferta e oferecer mais serviços para os assinantes”, analisa Dexter Thillien.

Já o Twitter disponibiliza nos Estados Unidos um jogo do campeonato profissional de basebol por semana.

Com uma eventual mudança no modo de distribuição, os proprietários dos direitos de imagem poderiam se abrir para a venda em grandes regiões, ao invés de país por país, com o objetivo de responder melhor à visão mais global dos gigantes do setor ‘Tech’ americano.

“Não ficaria surpreso se em 2020 ou 2025 começarmos a ver a compra dos direitos em grandes lotes, principalmente nos Estados Unidos ou na Europa”, prevê Thillien.

“De alguma maneira, podemos estar diante do retorno do formato original, com esse tipo de ator que pode comprar caro, mas revender a anunciantes em grande escala, em troca da gratuidade para os amantes do esporte”, conclui Chaudel.