“Fazenda espacial” da NASA começa a funcionar

Em 8 de maio, os engenheiros espaciais Steve Swanson e Rick Mastracchio, da NASA, instalaram um sistema chamado Veggie na Estação Espacial Internacional (ISS)

São Paulo – Será que uma planta consegue crescer em um ambiente de microgravidade?

Astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) descobrirão a resposta em breve.

Os membros da Expedição 39 começaram a usar um sistema chamado Veggie, que foi desenvolvido pela Orbital Technologies Corp e testado em Terra pela NASA, agência espacial americana.

O sistema partiu da Terra a bordo da nave SpaceX-3 em abril. Em 8 de maio, os engenheiros espaciais Steve Swanson e Rick Mastracchio, da NASA, instalaram Veggie na ISS.

Com óculos de sol, Swanson ativou as luzes de LED vermelhas, azuis e verdes dentro da câmara.

Depois, foram inseridas sementes de alface romana. Cada “almofada” com as sementes recebeu cerca de 100 m de água para iniciar o crescimento da planta. As plantas vão crescer durante 28 dias.

Um dos objetivos do experimento é verificar se o hardware da câmara Veggie está funcionando corretamente. Outro objetivo é descobrir se a alface espacial é segura para comer.

No final do ciclo, as plantas serão cuidadosamente colhidas, congeladas e armazenadas para o retorno da missão SpaceX-4 ainda este ano.

Quando voltar ao planeta, a alface passará por vários testes. Os cientistas vão analisar se os vegetais realmente estão saudáveis, limpos e livres de bactérias.

Já Veggie permanecerá na ISS e poder virar uma plataforma de pesquisa para experimentos com outros tipos de plantas. Legumes, como rabanetes e ervilhas, também poderão crescer no espaço.

Com o avanço do programa, a NASA também terá de descobrir um método para gerenciar as plantações mais complicadas. Trigo, por exemplo, exigiria mais equipamentos e uma preparação antes do consumo.

Dra. Gioia Massa, líder do experimento, acredita que Veggie representa o primeiro passo em direção à produção de alimentos para a estação espacial e para missões de longa duração.

Segundo Massa, quando mais o ser humano se distanciar da Terra, maior será a necessidade de cultivar no espaço. “Minha esperança é que Veggie permita que a tripulação plante e consuma legumes frescos regularmente”, disse em nota.

A fazendinha espacial também pode funcionar como uma forma de terapia para os astronautas.

Uma pesquisa da NASA concluiu que cuidar de uma plantação ajuda os astronautas a lidar com o isolamento do espaço, alivia a depressão, é mais saudável e os faz se sentir mais próximos da Terra.

Produção espacial 

Cultivar legumes e vegetais não é a única estratégia da NASA para baratear a alimentação dos astronautas. Em maio, a NASA investiu 125 mil dólares em um projeto para a criação de um protótipo de uma impressora 3D de comida.

Se der certo, a máquina poderá criar alimentos para astronautas em longas viagens espaciais.

A impressora usará cartuchos com materiais biológicos, óleos, carboidratos e proteínas em pó para fabricar a comida.

A combinação desses cartuchos permitirá que a máquina imprima camada por camada, até que os alimentos ganhem forma.

Cada cartucho poderá ter uma validade de 30 anos, o que será útil em viagens espaciais de longa distância.

O criador do projeto, Anjan Contractor, já provou que o sistema funciona para a impressão de chocolate.

O próximo passo será tentar imprimir uma pizza. Nesse caso, a impressora criará uma primeira camada de massa e depois o molho, com uma mistura de tomate em pó, água e óleo.

A cobertura será uma camada de proteína, garantindo que não falte nenhuma fonte de nutriente nos alimentos.