Facebook lança “clone” do Snapchat para o Brasil

"Escolhemos o Brasil porque o povo é muito criativo", disse George Wang, engenheiro de produto do Facebook

O Facebook, maior rede social do mundo com quase 1,8 bilhão de usuários, lançou esta semana o aplicativo Flash, sua mais recente aposta para competir com o Snapchat, app para compartilhar vídeos que desaparecem em 24 horas.

Trata-se da mais nova tentativa da empresa de Mark Zuckerberg para conquistar o público jovem, cada vez mais interessado em compartilhar vídeos curtos com os amigos em vez de publicar textos e fotos na rede social.

O serviço é o primeiro desenvolvido pelo Facebook especificamente para o público brasileiro – por enquanto, a empresa não tem planos de lançá-lo em outros países.

“Escolhemos o Brasil porque o povo é muito criativo”, disse George Wang, engenheiro de produto do Facebook responsável pelo Flash, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

Por trás do lançamento do aplicativo de vídeos efêmeros, porém, está a estratégia do Facebook de investir cada vez mais alto em vídeo.

De acordo com o estudo Visual Networking Index, divulgado pela fabricante de equipamentos de infraestrutura Cisco em junho deste ano, os vídeos devem representar 82% de todo o tráfego de internet gerado em 2020 – hoje, eles já representam 70%.

“As redes sociais estão mudando”, diz Wang. “E o vídeo está se tornando o centro da experiência.”Na semana passada, em sua conferência de resultados do terceiro trimestre, Zuckerberg afirmou que, hoje, os usuários do Facebook já assistem a mais de 100 milhões de horas de vídeos por mês.

Ele afirmou que planeja colocar o vídeo no centro de todos os serviços da empresa.Para Fabro Steibel, diretor executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio), o Facebook está experimentando vários formatos de vídeo nos últimos meses.

“A empresa está tentando achar um modelo vencedor”, diz o especialista. “Não é a primeira vez que o Facebook tenta copiar características do Snapchat em seus serviços.”

De fato, desde que o Facebook tentou comprar o Snapchat no final de 2013 e teve a oferta recusada, a busca do gigante das redes sociais para repetir o sucesso do aplicativo não cessou.

A empresa adicionou recursos similares, como máscaras e adesivos virtuais, no Instagram e até no WhatsApp. Hoje, o Snapchat tem 150 milhões de usuários ativos por dia e a Snap, startup que o desenvolveu, é avaliada em US$ 19,3 bilhões.

Rede

O Facebook tenta diferenciar o Flash do Snapchat com alguns recursos interessantes. “O aplicativo ocupa pouco espaço e funciona bem onde a rede é instável”, diz Wang.

Os vídeos compartilhados por meio do Flash, por exemplo, demoram mais tempo para desaparecer: 72 horas.Outro recurso interessante é a integração com o Facebook, o que facilita a conexão à rede de amigos.

No rival, é preciso construir uma rede “do zero”. Além disso, o aplicativo funciona mesmo se não houver conexão de internet: neste caso, ele envia automaticamente o vídeo quando a conexão é restabelecida.

No Snapchat, é preciso reenviar o vídeo manualmente.O Facebook também trabalha com parcerias locais para tornar o aplicativo atraente.

Na próxima semana, filtros de times de futebol como Palmeiras, Corinthians e Flamengo estarão disponíveis no APP.

Snapchat

O aplicativo de compartilhamento de fotos e vídeos Snapchat virou “queridinho” do público jovem por manter adultos fora do “clube” e permitir que as pessoas compartilhem imagens que mostram como elas são.

Assim com outras redes sociais, o aplicativo nasceu em um quarto de universidade. A startup foi fundada em Stanford, em 2011, onde moravam os cofundadores do aplicativo: Evan Spiegel, Bobby Murphy e Reggie Brown.

Embora tenha a origem no coração do Vale do Silício, os fundadores trataram de se mudar logo para um local mais próximo de seus usuários.

A empresa está instalada na cidade litorânea de Venice, em Los Angeles. “O Snapchat quer ser um aplicativo de estilo, e não voltado para os nerds”, disse Fabro Steibel, diretor executivo do ITS-Rio.

O aplicativo, que continua com Spiegel até hoje no cargo de presidente, começou há poucos meses a preparar sua oferta inicial de ações (IPO).

Nesta semana, o braço de investimentos do Google anunciou que fez um investimento na empresa.