Facebook completa uma década fazendo amigos

O Facebook nasceu em fevereiro de 2004 como uma rede estudantil em Harvard, onde Mark Zuckerberg estudava

Los Angeles – A rede social líder na internet, Facebook, completou nesta terça-feira 10 anos, um aniversário vivido em plena transição de uso da internet para as plataformas móveis, e olhando de soslaio como os concorrentes crescem à sombra de seu sucesso.

O Facebook nasceu em fevereiro de 2004 como uma rede estudantil em Harvard, onde Mark Zuckerberg estudava. Meses antes antes tinha lançado um programa mais primitivo, “Facemash”, o embrião da rede social, que comparava o potencial de atração dos alunos.

Essa ferramenta gerou tanta polêmica como tráfego. Tanto que derrubou os servidores da universidade antes de ser fechada e quase causou a expulsão de Zuckerberg, que aos 19 anos não demoraria a abandonar a faculdade de informática para se dedicar completamente ao Facebook.

Em dezembro de 2004, apenas dez meses após seu surgimento, o Facebook chegava ao primeiro milhão de usuários. Hoje a rede social abriga mais de 1,2 bilhões de pessoas, quase a metade dos que têm acesso a internet no planeta.

O começo, o crescimento e as controvérsias que envolveram o Facebook foram contados em vários livros e chamou a atenção de Hollywood, que em 2010 lançou “A Rede Social”, filme que ganhou três Oscar e imortalizou na tela grande a disputa de Zuckerberg com o brasileiro Eduardo Saverin, companheiro nos primeiros anos do projeto.

Zuckerberg foi condenado a pagar US$ 60 milhões e devolver 2,5% das ações para Saverin, valor que se tornou ínfimo comparado aos US$ 1,5 bilhões que o Facebook lucrou em 2013.

“Foi uma experiência incrível até o momento e estou muito agradecido de fazer parte disso”, disse Zuckerberg, que ainda é o CEO do Facebook, em comunicado divulgado hoje pelo décimo aniversário da companhia.

Curiosamente, o Facebook, apesar de seus milhões de amigos e objetivo socializador, passou o dia sem comemorar o aniversário de forma especial, confirmou a empresa, que lançou mão de estatísticas e imagens antigas para recordar à imprensa suas conquistas, e distribuiu vídeos nostálgicos entre seus usuários com a ferramenta “look back”.


Em 10 anos, Facebook passou de um projeto transgressor, questionável em relação ao machismo, para estudantes e sem grandes expectativas de rentabilidade, e se tornou padrão da rede social, um negócio consolidado com cotações na bolsa e um lugar familiar onde adolescentes se encontram com seus pais e avós.

Mas entre janeiro de 2011 e janeiro de 2014, o Facebook perdeu mais de três milhões de usuários entre 13 a 17 anos. O mesmo aconteceu na faixa de 18 a 24, segundo um da empresa de consultoria iStrategyLabs.

Os jovens parecem buscar outro dinamismo, como o proporcionado pelo Snapchat, onde os conteúdos compartilhados desaparecem em poucos segundos, e a perspectiva de que o mundo das redes sociais continue sendo “facebookcêntrico” é cada vez mais improvável.

Zuckerberg insistiu hoje, em entrevista concedida ao programa “Today” de “NBC”, que Facebook é “realmente popular entre os adolescentes dos EUA e de outros países”, embora tenha admitido que o mercado se movimenta para a diversificação.

“As pessoas não obtém tudo de um só aplicativo”, comentou.

Esse é um dos pilares da nova estratégia do Facebook para os próximos anos, desamarrar o velho Facebook de seus novos serviços para recuperar o frescor e bater de frente com os concorrentes recém chegados.

Como parte deste plano estreou esta semana “Paper”, aplicativo disponível por enquanto só para iOS, que redesenha o conceito de Facebook para leitura e publicação de conteúdos, elimina algum de seus componentes e dota ao serviço de uma aparência mais moderna, na linha do Flipboard.

O celular é o ecossistema no qual Facebook quer viver a partir de agora.

A rede social foi pensada para ser um serviço online acessado a partir de um computador, mas o surgimento dos “smartphones” mudou a forma como as pessoas se conectam à internet.

Os rivais do Facebook já nasceram nesse ambiente móvel e é nele que querem estar as marcas comerciais. Por enquanto, a companhia de Zuckerberg já encontrou a maneira de morder uma fatia disso. No último trimestre mais da metade do faturamento publicitário da empresa veio dos aplicativos móveis.